SF1T Classics – Long Beach ’80

Hoje, 30 de março, fazem 35 anos da primeira vitória do mestre Nélson Piquet na Fórmula 1. Foi no Grande Prêmio do Oeste dos EUA, disputado nas ruas de Long Beache com direito ao terceiro lugar do Emerson, com seu Fittipaldi F7. Um momento que simboliza a passagem do cetro do velho para o futuro campeão.

Fiquem com a corrida na íntegra!

Malásia 2015

Eu não vi a corrida, e todo mundo anda dizendo que foi uma corridaça. Aliás, a corrida sempre é boa quando eu não consigo ver. Sempre…

Como eu não vi, não cabe ficar aqui resenhando nada, então vou apenas dar minha opinião sobre as coisas que aconteceram.

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Em tópicos.

Ferrari –  A máfia de Maranello foi a grande protagonista do GP da Malásia e Sebastian Vettel foi o “cara” do domingo. Apenas na sua segunda corrida pelo time, o tetracampeão já consegue uma vitória que pode ser chamada de histórica. Primeira vitória da Ferrari desde o GP da Espanha de 2013 e a primeira de Vettel desde o GP do Brasil do mesmo ano. E foi uma bela vitória, contando com uma estratégia inteligente, mas também com o absurdo talento do alemão, que conseguiu manter nada menos do que 8.5 segundos de vantagem para a poderosa Mercedes de Lewis Hamilton. Mas não só Vettel deu show pela equipe vermelha. Kimi Räikkönen também mostrou todo seu talento. Tocado por Felipe Nasr logo no início e tendo um pneu furado, caiu para o último lugar e veio escalando o pelotão até chegar em quarto. Não fosse por esse infortúnio, garanto que a Ferrari teria seus dois carros no pódio. Depois de tudo que aconteceu com a equipe e com Vettel em 2014, é um verdadeiro alívio essa excelente performance logo na segunda prova do campeonato.

Mercedes – Semana passada eu disse que a Mercedes só perderia o GP da Malásia para ela mesmo. Pois bem, foi exatamente isso o que aconteceu. Não desmerecendo o trabalho da Ferrari e do Vettel, mas a possibilidade para que eles vencessem só apareceu após o time alemão errar vergonhosamente na estratégia. Ao resolver antecipar as paradas de Hamilton e Rosberg, e depois mudar a estratégia de pneus no final da corrida, os prateados abriram caminho para Vettel. Embora a própria Mercedes tenha dito que a vitória da Ferrari acendeu a “luz de alerta” no time, eu acredito que não seja para tanto. Não cometendo erros estúpidos desse tipo, os alemães não têm muita coisa a temer na luta pelo campeonato.

Williams – A turma de Grove foi bastante prejudicada pela chuva de sábado, já que mesmo sendo uma evolução do carro do ano passado, o FW37 herdou os problemas de seu sucessor no piso molhado. Mas no domingo fizeram corrida honesta, com Bottas chegando em quinto e Massa em sexto. Eu acredito que a Williams possa brigar pelo pódio, ou mesmo beliscar uma vitória, ao longo do ano, mas fica meio que claro que eles não vão superar a Ferrari e vão ser a terceira força do campeonato. Desde que a evolução não pare, é o suficiente, por enquanto. Vale destacar a linda briga entre Massa e Bottas no finalzinho da corrida. Sem nenhuma interferência da equipe, os dois companheiros duelaram pela quinta posição, com Bottas fazendo a ultrapassagem no finalzinho da última volta.

Red Bull/Toro Rosso – Quem diria que a situação iria chegar a chegar a esse ponto? Não bastasse tomar volta do Vettel, a ex equipe do alemão ainda terminou atrás dos dois carros do seu time B. Max Verstappen e Carlos Sainz Jr chegaram na zona de pontos (Sainz Jr pela segunda vez no ano), sendo que o moleque holandês se tornou, aos 17 anos, o mais jovem piloto de todos os tempos a pontuar na Fórmula 1. Nada mal para a dupla que parece ter acabado de sair do berçário. Voltando ao time principal, fica aquela sensação de que a Red Bull já não é mais a mesma, e que sem Vettel e Newey a coisa não anda. Não acho que seja mesmo assim, mas parece que a turma do energético tem se esforçado para fazer parecer isso.

Lotus/Sauber/Force India – O pessoal do meio do bolo passou, mais uma vez, quase despercebido, não fosse pelo sueco Ericsson, da Sauber, que rodou sozinho e fez o safety car entrar na pista, e de seu companheiro Nasr, que quase tirou Räikkönen da prova. Falando no brasileiro, ele não chegou nem perto de repetir a excelente performance da Austrália, muito por conta dessa barbeiragem no início, e terminou num discreto décimo segundo lugar. A participação dos pilotos da Lotus e Force India foi tão discreta, que eu nem consegui saber o que fez com o que Maldonado não terminasse a prova, por exemplo. Grosjean, Hülkenberg e Pérez passaram longe dos pontos.

Manor – Apesar de todas os problemas, que inclusive fizeram um dos seus pilotos nem largar, a Manor conseguiu terminar a prova com um de seus carros, e nem foi tão absurdamente atrás, já que o espanhol Roberto Merhi ficou a apenas três voltas de Vettel.

McLaren – Nem Fernando Alonso nem Jenson Button terminaram a prova. Ambos tiveram problemas técnicos que os obrigaram a abandonar, embora o espanhol até tenha chegado a andar na zona de pontuação durante o tempo em que esteve na pista. A situação do time de Woking segue na mesma, sem nenhum a previsão de quando os motores Honda poderão ser usados a pleno. Fico imaginando o que anda passando na cabeça do nosso querido “Chiliquento” vendo a Ferrai vencer logo na segunda corrida depois da saída dele…

No geral, o GP da Malásia foi uma boa corrida, e pode mostrar, de forma um pouco mais clara, o que pode vir a ser o mundial de 2015. Já dá para vislumbrar as correlações de forças entre equipes e pilotos, e ter uma noção de quem vai brigar pelo que, ao longo do ano.

Classificação final do GP da Malásia 2015:

Sem título

SF1T Rocks – Pirão de Peixe com Pimenta

Eu ando numa fase muito “MPBzística”, ultimamente. Particularmente tenho apreciado muito o Rock Rural, cujos principais represantes são os geniais Sá & Guarabyra. O som de hoje é deles, a faixa-título do monumental Pirão de Peixe com Pimenta, de 1977.

Curtam o som, e bom final de semana!

Considerações Pré Malásia 2015

Eu ainda não estou muito certo se eu devo, ou não, resenhar corridas, comentar notícias e coisas desse tipo. Mas como eu propus a mim mesmo a meta de manter o blog atualizado, enquanto eu não conseguir estipular o rumo definitivo que eu vou seguir, vou escrevendo sobre o que eu julgar relevante.

Neste fim de semana acontece o GP da Malásia, segunda etapa do mundial. Sinceramente, depois do verdadeiro fiasco que foi o GP da Austrália, eu nem sei o que esperar da corrida em Sepang.

A Fórmula 1 volta à Malásia, com um grid mais enxuto que esse

A Fórmula 1 volta à Malásia, com um grid mais enxuto que esse

De início dá para se ter a certeza que a Mercedes só perde para ela mesmo. A julgar pelo que foi visto no Albert Park, a equipe alemã parece ter conseguido se distanciar ainda mais da concorrência, e Lewis Hamilton mostrou que não foi campeão por acaso. Botou um temporal em cima do companheiro Nico Rosberg na classificação e não foi ameaçado, de verdade, em momento algum da corrida. A tendência é que isso se mantenha dessa forma.

Fernando Alonso e Valtteri Bottas finalmente irão correr. Bem, o caso do finlandês da Williams é mais tranquilo, já que as dores nas costas foram totalmente sanadas. Já o espanhol… Alonso foi liberado pelos médicos da Federação para competir, e eu acredito que condições físicas ele tenha sim, para encarar a prova. O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o carro da McLaren, mais especificamente o motor Honda. Na Austrália, o time de Woking correu com suas unidades de força em “modo de segurança” para evitar problemas de aquecimento, principalmente. Ou seja, o próprio pessoal da Honda sabe que o caminho até que sua engenhoca esteja em plenas condições é longo e tortuoso. O problema é que o nosso “chiliquento” preferido não tem a paciência entre suas maiores virtudes. Eu até brinquei no Facebook, dizendo que o Alonso “tava dando migué” para não passar vergonha. É óbvio que a situação do piloto da McLaren era delicada e só ele e os médicos sabem o que se passou, mas sabendo o temperamento dele, não seria nenhum absurdo imaginar que, em breve, a chapa esquente para os lados do time bretão, embora ele diga que está mais feliz do que nunca esteve na vida…

Sobre a Williams e a Ferrari, eu acredito que as duas equipes possam vir a trazer a um pouco de emoção à corrida na Malásia, e ao campeonato em geral. O time de Grove manteve o bom desempenho do ano passado, com Felipe Massa fazendo corrida honesta em Melbourne, e a máfia de Maranello, além de ter evoluído bastante depois do furacão que passou por lá no fim de 2014, tem em Sebastian Vettel sua grande arma. Motivado, o tetracampeão já conseguiu um pódio esse ano. Bottas volta e, se mantiver o nível, é candidato na briga pelo pódio com seu companheiro e a dupla da Ferrari (se bem que o Räikkönen não me pareceu muito disposto na Austrália).

Sobre a turma que vem mais atrás, quem promete é Felipe Nasr (não vou fazer a piadinha do Senna reverso aqui no blog). Depois de uma excelente estreia, o brasileiro da Sauber pode conseguir mais um bom resultado em Sepang. Aliás, ele deve aproveitar ao máximo essas primeiras corridas da temporada para deixar seu “cartão de visita”, porque com a pindaíba em que o time suíço se encontra, o desenvolvimento do carro será muito prejudicado ao longo do ano e o desempenho vai cair, invariavelmente. Na Lotus o sentimento é de otimismo, com Maldonado dizendo que o time está próximo de Williams e Ferrari. Sei não, os dois carros abandonaram em Melbourne. Ok, o caso do Maldonado foi de acidente, mas eu não consigo ser otimista com a situação deles. A Red Bull, depois da má atuação na abertura da temporada, vem fazendo mimimi e reclamando do domínio da Mercedes. Hipocrisia pura, já que quando o time dos energéticos estava no auge, era tudo beleza. De qualquer forma eu espero uma reação deles em Sepang. Grana e capacidade para isso eles têm de sobra. O time B me surpreendeu positivamente na Austrália com o desempenho do novato Sainz Jr, marcando pontos na estreia. Mas é difícil esperar muita coisa quando se tem dois pilotos tão jovens com esses da Toro Rosso. A Force India parece que briga com a McLaren para ver quem tem o pior carro, já que o desempenho no Albert Park foi pífio.

Por fim a Manor. Corre ou não corre? Parece que sim, mas eu duvido muito que a ex Marussia consiga até mesmo chegar ao final da temporada. Depois de ir para a Austrália e não alinhar no grid, sequer ter andado na classificação, o time recebeu uma punição da FOM e vai deixar de embolsar US$9 milhões de premiação, uma grana que vai fazer muitíssima falta aos magros cofres da esquipe.

No mais, sempre existe a possibilidade de chuva em Sepang, e isso pode embaralhar um pouco as coisas, se bem que eu acredito que nem a chuva possa atrapalhar a Mercedes. De qualquer forma, eu sou péssimo em “futurologia”, e posso quebrar minha cara lindamente. Vejamos, pois, o que o GP da Malásia nos reserva, no próximo domingo.

Eu também vou reclamar!

O Schelb voltou!

Mais ou menos. Minha intenção é voltar a escrever aqui, mas não esperem textos diários, eu bem que gostaria de fazer isso, mas ainda não consigo achar uma linha para seguir com esse blog. Então peço que tenham paciência comigo.

O que me faz voltar a este boteco é a onda generalizada de protestos com os atuais caminhos da Fórmula 1. Não é segredo para ninguém que a categoria enfrenta uma das maiores, senão a maior crise da sua história. Minha intenção, neste texto, não é tentar apontar um caminho para a solução (se eu tivesse esse caminho, estaria com o emprego do Bernie Ecclestone, e não escrevendo bobagem num blog obscuro). Venho aqui somente para me juntar ao coro dos descontentes e expor minha raiva e frustração diante da situação totalmente absurda que a Fórmula 1 vive.

Primeiramente não há como apontar um culpado, apenas, pela situação. A tendência natural é jogar a culpa no Bernie e no modelo de negócios da categoria que, nos últimos tempos, vem se tornando insustentável. Sim, ele tem sua parcela de culpa. Os valores cada vez mais exorbitantes cobrados aos organizadores dos grandes prêmios é um problema gigantesco. Ninguém quer pagar dezenas e dezenas de milhões de dólares para organizar uma corrida que ninguém quer assistir. O recente GP da Austrália é prova disso: Poucos carros no grid, corrida chatíssima e audiência muito baixa. Ok, tinha uma quantidade de gente razoável nas arquibancadas do Albert Park, mas nós temos que entender que a Austrália é um país onde o automobilismo é um esporte fortíssimo, por isso o público ainda comparece. Mas é fácil, também, perceber que não é mais a multidão que costumava ser antes. Isso porque eu citei uma das mais tradicionais corridas do calendário atual. O que dizer, então, de corridas em países onde praticamente inexiste tradição no esporte? China, Bahrein, Abu-Dhabi e outros são provas cabais disso. Muita ostentação e ninguém nas arquibancadas. Falar da preferência da FOM por esses países (nem tanto) endinheirados é chover no molhado: todo mundo sabe o porquê deles estarem no calendário.

Muitos falam na atual crise econômica, que estourou em 2008, como um outro fator importante neste contexto. Sim, é importante, várias equipes e patrocinadores deixaram a categoria por achar que não vale a pena investir milhões de dólares em um esporte, enquanto passam por uma recessão brava tendo que reduzir investimentos importantes e, até mesmo, demitir funcionários. Logicamente essa crise reflete no calendário. Com os preços já abusivos, os países europeus, os mais atingidos pela crise, têm cada vez mais dificuldade em arcar com os custos de uma coisa praticamente supérflua como a Fórmula 1. O cancelamento do GP da Alemanha não deixa mentir. Mas crises são cíclicas, elas vêm e vão, e a Fórmula 1 já atravessou crises econômicas mundiais piores que essa. E saiu firme e forte.

Um outro fator que eu, particularmente, considero fundamental é o regulamento técnico. Não adianta, ninguém gostou dele. Eu confesso que inicialmente me empolguei com essa coisa do turbo e tudo mais mas, o balde de água fria que veio depois, sossegou meu facho. Nada contra sistemas de recuperação de energia, motores mais econômicos e tecnologia em si, mas isso não combina com a Fórmula 1. O que todo mundo que ver ali é aquela velha mescla de força bruta dos motores com o refinamento aerodinâmico dos chassis. Sistemas híbridos são legais mas, para mim, funcionam melhor numa categoria como o WEC que, além de usá-los de uma forma muito mais interessante que a Fórmula 1, tem uma proposta que combina de verdade com eles. Mas quando eu falo de regulamento, não falo apenas do atual. Falo de todos os erros cometidos pela FIA nos últimos 20 anos, nesse sentido. O principal é a insistência em manter o regulamento técnico extremamente restritivo, forçando as equipes a criarem carros cada vez mais parecidos entre si e podando a criatividade dos engenheiros, fazendo com que inovações realmente interessantes não sejam implementadas. Muita gente acha que isso nivela a categoria e o piloto passa a fazer mais diferença. Mas essa é uma noção falsa. Com um regulamento tão restrito, qualquer um que consiga achar uma brecha vai dominar o campeonato de forma acachapante e não vai dar chance para que ninguém “corra atrás do prejuízo”, pois com regras como congelamento de desenvolvimento dos motores, proibição de mudar relação de marchas ao longo da temporada (olha o ponto ao qual o absurdo chegou!) e restrições no desenvolvimento aerodinâmico, entre outras, não tem como! Quando o regulamento é mais aberto, os engenheiros podem criar, e isso estimula as equipes a manterem a concorrência através do desenvolvimento contínuo de seus carros.

Existem outros fatores importantes, como a escalada dos custos, as restrições para a entrada de novas equipes e o número exagerado de pilotos ruins com “padrinhos ricos”, por exemplo. Tudo isso somado não só fez a Fórmula 1 cair nessa crise, como criou um círculo vicioso do qual a categoria não consegue sair.

O que se vê é uma gritaria pedindo a cabeça do Bernie. Eu concordo que o tempo dele passou, e o modelo que insiste em manter é ridiculamente insustentável. Mas e se ele se aposentar ou mesmo morrer? O amigo Ron Groo levantou a questão em seu blog, hoje. E é notório que é muito difícil pensar num jeito de a Fórmula 1 se reinventar sem ele. Como eu disse anteriormente, não é minha intenção indicar um caminho, mas é óbvio que eu vou dar meus pitacos. O que eu vejo como o ideal a se fazer é a FIA assumir diretamente a responsabilidade pela organização da Fórmula 1, mas fazer do jeito certo, como faz com o WEC. Usando de uma boa estratégia de publicidade; aproximando, de fato, a categoria dos fãs (via redes sociais, aplicativos etc); dando incentivo para que os autódromos e países tradicionais voltem ao calendário e, principalmente, dando liberdade para as equipes desenvolverem sem tantas amarras. Esse é o ponto principal. A coisa sempre funcionou assim, e foi por isso que a Fórmula 1 sobreviveu por tanto tempo. Se todos os envolvidos tiverem esse objetivo em comum, a Fórmula 1 pode voltar a ser uma categoria realmente empolgante, como sempre foi.

Porrada

Philippe Alliot Lola - Ford Crash Mexico 1988

Para não dizerem que eu abandonei completamente esse boteco aqui, eu vou fazer uma coisa: vou voltar com a segunda edição da Quinzena das Nanicas, já que tem uma porção de fotos aqui guardadas.

Hoje uma belíssima porrada do francês Philippe Alliot em Hermanos Rodríguez, no ano de 1988.

Fiquem por aí!!