China 2015

Corrida chata, numa pista sem graça, num país sem tradição. Assim eu diria, se pudesse resumir o GP da China em uma única frase. Eu não posso, então vamos às considerações sobre a corrida.

Mais uma vez, em tópicos.

Largada do sonolento GP da China

Largada do sonolento GP da China

Mercedes – A turma de Stuttgart fez o dever de casa e voltou ao topo do pódio, com mais uma dobradinha. Lewis Hamilton não deu a menor chance para Nico Rosberg e o alemão fez muito mimimi depois da corrida. Segundo o piloto do carro nº 6, o companheiro “estava lento demais” e isso prejudicou sua estratégia. Rosberg planejava poupar pneus e atacar o inglês no final. Ora, não é possível que ele realmente queria que o Hamilton desse colher de chá, não é? Com esse tipo de atitude do alemão, a gente sabe muito bem como vai terminar essa temporada para ele. Sobre Hamilton, nada a falar, o bicampeão vem conseguindo dominar completamente a equipe e é quase certo que o tri seja alcançado neste ano.

Ferrari – Mais uma boa corrida da máfia de Maranello, com Sebastian Vettel chegando, mais uma vez, ao pódio, e trazendo Kimi Räikkönen na cola. Vettel conseguiu manter um ritmo que fizesse com que as Mercedes não abrissem tanta vantagem, o que mostra que o carro da Ferrari tem potencial para poder brigar por mais vitórias. Com esse resultado, fica bem claro que a Ferrari conseguiu mesmo se reencontrar e está um nível acima da Williams, na disputa pelo posto de segunda força da Fórmula 1. Vettel se mantém na vice-liderança do mundial de pilotos.

Williams – Corrida honesta do time de Grove. A Williams vem se mantendo no mesmo patamar do ano passado e eu volto a dizer que isso é muito bom. Mesmo que eu e muitos outros fãs queiramos ver a equipe lutando pelo título, o fato de manter a regularidade quando se vê Red Bull e McLaren, por exemplo, caindo pelas tabelas, é algo a se comemorar, principalmente pra um time que mantém o espírito garagista e independente. Felipe Massa e Valtteri Bottas terminaram em quinto e sexto, respetivamente. Eu ainda acredito que a equipe conseguirá subir no pódio e, se der um pouco mais de sorte, beliscar uma vitória esse ano.

Sauber – Com os dois carros na zona de pontuação e mais uma boa apresentação de Felipe Nasr, o time suíço parece estar conseguindo aproveitar a chance de se mostrar, antes que a concorrência consiga evoluir. A gente sabe que eles não têm grana e é difícil manter a boa atuação quando não se tem como investir no desenvolvimento ao longo do ano. Nasr vem fazendo o certo, dando o seu melhor e mostrando que é bom piloto. Ele sabe que pode conseguir uma vaga melhor, então aproveita enquanto pode para chamar a atenção.

Lotus – Romain Grosjean conseguiu marcar pontos e o time mostrou um ritmo bem melhor durante o GP chinês. Maldonado chegou a andar entre os 10 primeiros mas, mais uma vez, abandou por conta de um acidente. Em sua defesa: a culpa não foi dele, dessa vez.

Red Bull – Outra equipe que mostrou ligeira melhora de ritmo em Xangai. Daniel Ricardo volta a marcar pontos e mostra certa consistência. Mas Daniil Kvyat teve problemas com o motor e precisou abandonar a prova. A paciência do time austríaco com a Renault fica cada vez menor, e não dá para não culpar a montadora francesa por isso.

McLaren – Mais uma vez os dois carros do time de Woking conseguiram terminar. Alonso até conseguiu chegar perto dos pontos, com o décimo segundo lugar. Mas Button se envolveu num acidente com Maldonado e, por ser considerado culpado, foi punido com o acréscimo de 5 segundos ao seu tempo final e dois pontos em sua superlicença. A McLaren ainda tem muito o que remar para conseguir chegar perto do desempenho que a Honda prometia. Com um motor cerca de 125 cavalos mais fraco do que os Mercedes, por exemplo, nem dois pilotos experientes e talentosos, como os dois titulares do time, podem fazer milagre. E tem gente que já está dizendo que a McLaren chega na Mercedes até o meio do ano…

Toro Rosso – Corrida apagada do time B da Red Bull, com Sainz Jr chegando em décimo terceiro sem ter feito grandes coisas na pista, além de ter rodado no começo. Problemas com o motor do carro de Verstappen, no fim da prova, fizeram o jovem holandês ficar parado na reta principal, o que ocasionou a entrada do Safety Car, que ficou na pista até a bandeirada. Mais uma para se colocar na conta da Renault.

Force India e Manor – Resolvi falar das duas juntas por motivo de poupar meu tempo: Entraram na pista, correram, terminaram e ninguém nem percebeu. É impressionante como a equipe indiana é inconstante, faz uma temporada boa em um ano, e uma terrível, no ano seguinte. Desse jeito nunca vai conseguir ser nada além de uma equipe pequena tentando ser média.

O GP da China teve o final que mereceu, com a entrada do Safety Car e a bandeirada dada sob bandeira amarela. Volto a dizer que, enquanto a Fórmula 1 continuar correndo nesse tipo de pista, nesses países sem tradição, com esse regulamento engessado e tudo isso, vai continuar tendo que rezar para ter audiência, porque fica cada vez mais difícil ter saco para assistir as corridas. Se nós que somos aficionados e acompanhamos há séculos já consideramos quase um martírio, a possibilidade de a categoria angariar novos fã vai continuar sendo zero.

Classificação final do GP da China 2015:

Sem título