Sobre a Pré Temporada

Nesse post eu vou me meter a fazer uma coisa que raramente eu tento, analisar uma situação.

Muito tem se falado dos testes de pré temporada, do acidente de Robert Kubica e suas conseqüências, da situação política no Bahrein e na própria Fórmula 1. Dessa forma eu vou tentar dar meu ponto de vista sobre isso, tentando não parecer um boçal falando do que não sabe…

Sobre a pré-temporada, à primeira vista o que se pode pensar é que o ano será dominado por Red Bull e Ferrari, com a McLaren sendo o grande fiasco, já que o novo MP4-26, apesar de toda a ousadia na sua concepção, se mostrou problemático, podendo, por isso, ser até 2 segundos (!) mais lento que o RB7 e o 150º Italia (ou qualquer nome que essa joça tenha), como deixou escapar Lewis Hamilton alguns dias atrás (depois desmentiu, mas aí já era tarde).

Vettel e Webber na apresentação do RB7

Felipe Massa testando o 150º Italia em Jerez

Hamilton e Button, apresentação do MP4/26

Lançamento do Mercedes-Benz W02

Existia uma grande expectativa, também, por evolução na Mercedes-Benz, mas, apesar de algumas diferenças marcantes em relação ao W01, o W02 me pareceu ser um carro bastante conservador, e o desempenho não foi lá muito empolgante.

Além da McLaren, Renault (para esse blog só existe uma Lotus, o Team Lotus do Fernandez) e Williams vieram com novidades. A Renault vem com um interessante sistema de escapamento frontal, que joga os gases para a parte imediatamente à frente dos sidepods, fazendo que passem por baixo destes na tentativa de conseguir recuperar o downforce perdido com a proibição do difusor duplo. Parece que deu certo. Mas com o acidente de Kubica, as esperanças de resultados mais consistentes diminuíram bastante.

Lançamento do Renault R31, ainda antes do acidente de Robert Kubica

No caso da Williams, a solução para o mesmo problema foi a redução da sessão traseira do FW33, com uma caixa de câmbio bem compacta e a mudança da angulação do eixo traseiro, que se prende diretamente à asa. Essa, por sua vez, é bem diferente da usada no FW32. Também parece ter dado certo, mas o grande problema do time de Grove é o Kers, que ainda não funcionou como deveria.

FW33 com a pintura que remete aos tempos da Rothmans

A Toro Rosso veio com um chassis duplo, o mesmo conceito que a Ferrari usou em 1992; conseguiu até andar razoavelmente bem, mas não me convenceu.

Lançamento do Toro Rosso STR6

A Force India veio com um carro bem conservador, e a grande novidade na equipe é a contratação de Paul Di Resta.

O conservador VJM04

A Sauber vem com um bocado mais de dinheiro essa ano, já que com a contratação de Sérgio Perez, veio também o patrocínio da Telmex através da Claro, mas em termos de carro, o que se viu foi um projeto conservador.

Lançamento do Sauber C30

A Lotus evoluiu bem (pelo menos teoricamente), já que para esse ano conta com os motores Renault e o câmbio da Red Bull, o que pode garantir um salto de qualidade para a equipe malaia.

Kovalainen testando o Lotus T128

Mesmo sendo comprada pela montadora de superesportivos russa Marussia, a Virgin mostra basicamente o mesmo pacote da ano passado, um carro que não é nem um pouco confiável e novamente feito sem túnel de vento. A novidade é a contração do duvidoso Jérôme D’Ambrosio.

Apresentação do Virgin MVR02

E a Hispania parece que vai continuar sendo a piada do grid. O carro ficou pronto somente para o último teste, mas não foi à pista. Segundo a equipe, por que os novos amortecedores ficaram retidos na alfândega, mas há rumores que foi a Cosworth quem não deixou os carros andarem, por falta de pagamento. Vamos ver até quando dura a aventura de José Ramón Carabante…

Hispania F111

Mas as grandes estrelas da pré temporada foram os pneus, a asa móvel e o Kers.

Desenvolvidos para ter um desgaste acentuado, os pneus Pirelli tem causado polêmica. Alguns gostaram porque o fato de ter mais paradas poderia movimentar as corridas; outros acharam que isso é uma manobra artificial. Eu fico no segundo grupo.

E falando em artificialidades, nada é mais artificial do a tal da asa móvel. Principalmente pelas regras do seu uso, sendo permito somente em um ponto determinado da pista, e da distância entre os carros, além de colocar mais um botão no já lotado volante dos carros.

Esse ponto também é citado em relação ao Kers, os pilotos acham que esse excesso de botões pode os colocar em risco. Eu concordo.

Extra-pista, tivemos os problemas em relação ao GP do Bahrein, que foi cancelado por conta das revoltas contra o governo autocrático da família Al Khalifa, a exemplo do que se viu também na Tunísia e no Egito. Levar a Fórmula 1 lá, nessa conjuntura, seria um erro que poderia ter desdobramentos catastróficos, e foi uma decisão acertada, muito embora se tenha relutado muito para tomá-la. A FIA e a FOM não podem fechar os olhos para o que acontece no mundo. Mesmo a Fórmula 1 sendo um esporte de elite, tem que se ter consciência de que o acontece em volta, afeta a categoria de uma forma e de outra, mesmo que apenas a imagem da categoria seja afetada. Bernie Ecclestone ainda quer remarcar a prova, o que é consenso, seria uma loucura, por não haver espaço no calendário. Vamos ver o que vai dar isso…

A revolta no Bahrein obrigou o adiamento do início da temporada (note que o uso das redes sociais também é massivo nesse caso)

Bem, o que eu posso dizer, é que, no fim das contas, os resultados da pré temporada são inconclusivos, o que resta é esperar o GP da Austrália nesse fim de semana e ver o que acontece.

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