Eu também vou reclamar!

O Schelb voltou!

Mais ou menos. Minha intenção é voltar a escrever aqui, mas não esperem textos diários, eu bem que gostaria de fazer isso, mas ainda não consigo achar uma linha para seguir com esse blog. Então peço que tenham paciência comigo.

O que me faz voltar a este boteco é a onda generalizada de protestos com os atuais caminhos da Fórmula 1. Não é segredo para ninguém que a categoria enfrenta uma das maiores, senão a maior crise da sua história. Minha intenção, neste texto, não é tentar apontar um caminho para a solução (se eu tivesse esse caminho, estaria com o emprego do Bernie Ecclestone, e não escrevendo bobagem num blog obscuro). Venho aqui somente para me juntar ao coro dos descontentes e expor minha raiva e frustração diante da situação totalmente absurda que a Fórmula 1 vive.

Primeiramente não há como apontar um culpado, apenas, pela situação. A tendência natural é jogar a culpa no Bernie e no modelo de negócios da categoria que, nos últimos tempos, vem se tornando insustentável. Sim, ele tem sua parcela de culpa. Os valores cada vez mais exorbitantes cobrados aos organizadores dos grandes prêmios é um problema gigantesco. Ninguém quer pagar dezenas e dezenas de milhões de dólares para organizar uma corrida que ninguém quer assistir. O recente GP da Austrália é prova disso: Poucos carros no grid, corrida chatíssima e audiência muito baixa. Ok, tinha uma quantidade de gente razoável nas arquibancadas do Albert Park, mas nós temos que entender que a Austrália é um país onde o automobilismo é um esporte fortíssimo, por isso o público ainda comparece. Mas é fácil, também, perceber que não é mais a multidão que costumava ser antes. Isso porque eu citei uma das mais tradicionais corridas do calendário atual. O que dizer, então, de corridas em países onde praticamente inexiste tradição no esporte? China, Bahrein, Abu-Dhabi e outros são provas cabais disso. Muita ostentação e ninguém nas arquibancadas. Falar da preferência da FOM por esses países (nem tanto) endinheirados é chover no molhado: todo mundo sabe o porquê deles estarem no calendário.

Muitos falam na atual crise econômica, que estourou em 2008, como um outro fator importante neste contexto. Sim, é importante, várias equipes e patrocinadores deixaram a categoria por achar que não vale a pena investir milhões de dólares em um esporte, enquanto passam por uma recessão brava tendo que reduzir investimentos importantes e, até mesmo, demitir funcionários. Logicamente essa crise reflete no calendário. Com os preços já abusivos, os países europeus, os mais atingidos pela crise, têm cada vez mais dificuldade em arcar com os custos de uma coisa praticamente supérflua como a Fórmula 1. O cancelamento do GP da Alemanha não deixa mentir. Mas crises são cíclicas, elas vêm e vão, e a Fórmula 1 já atravessou crises econômicas mundiais piores que essa. E saiu firme e forte.

Um outro fator que eu, particularmente, considero fundamental é o regulamento técnico. Não adianta, ninguém gostou dele. Eu confesso que inicialmente me empolguei com essa coisa do turbo e tudo mais mas, o balde de água fria que veio depois, sossegou meu facho. Nada contra sistemas de recuperação de energia, motores mais econômicos e tecnologia em si, mas isso não combina com a Fórmula 1. O que todo mundo que ver ali é aquela velha mescla de força bruta dos motores com o refinamento aerodinâmico dos chassis. Sistemas híbridos são legais mas, para mim, funcionam melhor numa categoria como o WEC que, além de usá-los de uma forma muito mais interessante que a Fórmula 1, tem uma proposta que combina de verdade com eles. Mas quando eu falo de regulamento, não falo apenas do atual. Falo de todos os erros cometidos pela FIA nos últimos 20 anos, nesse sentido. O principal é a insistência em manter o regulamento técnico extremamente restritivo, forçando as equipes a criarem carros cada vez mais parecidos entre si e podando a criatividade dos engenheiros, fazendo com que inovações realmente interessantes não sejam implementadas. Muita gente acha que isso nivela a categoria e o piloto passa a fazer mais diferença. Mas essa é uma noção falsa. Com um regulamento tão restrito, qualquer um que consiga achar uma brecha vai dominar o campeonato de forma acachapante e não vai dar chance para que ninguém “corra atrás do prejuízo”, pois com regras como congelamento de desenvolvimento dos motores, proibição de mudar relação de marchas ao longo da temporada (olha o ponto ao qual o absurdo chegou!) e restrições no desenvolvimento aerodinâmico, entre outras, não tem como! Quando o regulamento é mais aberto, os engenheiros podem criar, e isso estimula as equipes a manterem a concorrência através do desenvolvimento contínuo de seus carros.

Existem outros fatores importantes, como a escalada dos custos, as restrições para a entrada de novas equipes e o número exagerado de pilotos ruins com “padrinhos ricos”, por exemplo. Tudo isso somado não só fez a Fórmula 1 cair nessa crise, como criou um círculo vicioso do qual a categoria não consegue sair.

O que se vê é uma gritaria pedindo a cabeça do Bernie. Eu concordo que o tempo dele passou, e o modelo que insiste em manter é ridiculamente insustentável. Mas e se ele se aposentar ou mesmo morrer? O amigo Ron Groo levantou a questão em seu blog, hoje. E é notório que é muito difícil pensar num jeito de a Fórmula 1 se reinventar sem ele. Como eu disse anteriormente, não é minha intenção indicar um caminho, mas é óbvio que eu vou dar meus pitacos. O que eu vejo como o ideal a se fazer é a FIA assumir diretamente a responsabilidade pela organização da Fórmula 1, mas fazer do jeito certo, como faz com o WEC. Usando de uma boa estratégia de publicidade; aproximando, de fato, a categoria dos fãs (via redes sociais, aplicativos etc); dando incentivo para que os autódromos e países tradicionais voltem ao calendário e, principalmente, dando liberdade para as equipes desenvolverem sem tantas amarras. Esse é o ponto principal. A coisa sempre funcionou assim, e foi por isso que a Fórmula 1 sobreviveu por tanto tempo. Se todos os envolvidos tiverem esse objetivo em comum, a Fórmula 1 pode voltar a ser uma categoria realmente empolgante, como sempre foi.

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2 comentários sobre “Eu também vou reclamar!

  1. Pra ser sincero eu já a tempos me desanimei com a F1 atual… vez ou outra eu vejo uma prova por completo – somente Spa e Monza… e olha lá Mônaco… apenas pela história dessas gps e pela nostalgia também…

    de resto vou ficando mesmo é com minhas recordações daquilo que vi…

    abs…

  2. é isto ai… A culpa não é só de a ou b.
    Bernie e sua visão de negócios e gerenciamento tem culpa, mas a culpa por existir e ter tanto poder um ecclestone destes é da F1 que deixou que ele se perpetuasse por lá para ter benesses na mão dele.
    Um circulo vicioso.
    E não vejo nada ou ninguém capaz de interromper o circulo.

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