China 2016

O GP da China de 2016 foi uma daquelas corridas em que tudo poderia ter acontecido. Mesmo sem chuva, o caos deu as caras em Xangai, e fez com que a terceira etapa do Mundial fosse a mais divertida até aqui.

Como sempre, em tópicos.

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Largada do caótico GP da China (Foto: Getty Images)

Mercedes – Nico Rosberg vive uma realidade que nem em seus mais belos sonhos ele poderia imaginar. Com a sorte ao seu lado, o alemão fez uma bela corrida, mesmo tendo largado mal e perdido a ponta para Daniel Ricciardo, impôs um domínio acachapante e venceu com o pé nas costas a sua terceira corrida na temporada (sexta seguida desde o GP do México de 2015), e abriu uma confortável vantagem para seu companheiro de equipe no Mundial. Já Lewis Hamilton padeceu no extremo oriente. O britânico ficou sabendo que teria que perder cinco posições no grid, devido a uma troca de câmbio, teve problemas com sua unidade de potência no sábado e nem marcou tempo na qualificação. Largou em último. Na largada se enroscou com Felipe Nasr, teve que fazer cinco pit stops, e ainda ficou agarrado atrás de Felipe Massa no fim da prova, quando vinha escalando o pelotão. O sétimo lugar deixa um gosto amargo na boca do tricampeão, e é sinal de que 2016 pode ser um ano muito longo para ele.

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Rosberg vence mais uma e abre boa vantagem no Mundial (Foto: Sutton Motorsport Images)

Ferrari – A Máfia de Maranello mostrou que ritmo de corrida eles têm, e seus pilotos mostraram o porquê de serem campeões do mundo. Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen tiveram um pequeno enrosco na largada, ambos com seus carros danificados, tiveram que ir aos boxes e precisaram fazer corridas de recuperação. Com excelente ritmo os dois conseguiram se recuperar. Vettel chegou num excelente segundo lugar e Raikkonen em quinto, com direito a uma brilhante ultrapassagem sobre Lewis Hamilton no fim da prova. Definitivamente a Ferrari mostra que vem evoluindo de forma sólida, o bom trabalho do time tem sido recompensado com ótimas posições nas corridas. Ainda vai incomodar bastante a Mercedes esse ano. Um adendo: Sebastian Vettel deveria ter sido punido pela dupla ultrapassagem que fez na entrada dos boxes sob bandeira amarela, não foi e a não punição ajudou bastante no resultado final do germânico.

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Raikkonen e Vettel se tocaram e tiveram de fazer corrida de recuperação (Foto: Sutton Motorsport Images)

Red Bull – O time das latinhas vem confirmando sua evolução em relação a 2015. Daniil Kvyat se envolveu num enrosco com Vettel e Raikkonen no começo, fez ótima recuperação e chegou em terceiro. Daniel Ricciardo fez uma excelente largada, tomou a ponta, mas teve um pneu estourado, que comprometeu sua corrida. Perdeu um pódio certo, mas ainda conseguiu um excelente quarto lugar. A Red Bull já ultrapassou a Williams e já realidade o fato de que o time austríaco é a terceira força do certame, afastando o risco de andar atrás de sua equipe B. Com grana e gente capacitada em seus quadros, pode evoluir ainda mais e incomodar a Ferrari.

Williams – Grande corrida de Felipe Massa em Xangai. Com o limitado FW38, o brasileiro conseguiu se manter entre os ponteiros durante boa parte do GP Chinês e, com ajuda do time, que finalmente acertou na estratégia, manteve-se sempre na região dos pontos. Destaque para sua briga com Lewis Hamilton. Massa segurou o tricampeão de forma brilhante e conseguiu um suado sexto lugar, mas merecia melhor posição. Já Bottas se arrastou na pista. Com atuação apagada, o finlandês ainda saiu no lucro com o décimo lugar.

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Felipe Massa fez excelente corrida a bordo de seu limitado FW38 (Foto: Sutton Motorsport Images)

Toro Rosso – O time de Faenza não teve o mesmo desempenho do Bahrein, mas Max Verstappen e Carlos Sainz Jr foram bem, chegaram nos pontos, e mostraram consistência na pista. A equipe segue mostrando evolução, assim como seus jovens pilotos.

Force India – O grande destaque no fim de semana dos indianos foram as duas punições sofridas por Nico Hülkenberg. O alemão foi penalizado com a perda de três posições no grid, no sábado, devido a uma roda mal encaixada que se soltou de seu carro. Já na corrida, precisou parar por cinco segundos no box por ter andado demasiadamente lento no pit lane. A meu ver, em ambos os casos, a culpa foi da equipe. Primeiro por liberar o piloto para ir para pista com uma roda mal encaixada na qualificação, segundo por ter chamado os dois pilotos ao mesmo tempo para a troca de pneu durante a bandeira amarela, fazendo com que o germânico tivesse que quase parar para esperar seu companheiro terminar sua troca. Uma boa multa aplicada ao time estaria de bom tamanho. No mais, corrida normal do time indiano, finalizando no meio do bolo, com brilharecos de Sergio Pérez ao longo da prova. Hülkenberg conseguiu fazer a volta mais rápida da prova.

McLaren – Fernando Alonso voltou a guiar o MP4/31 mas, ainda sentindo dores devido ao acidente em Melbourne, não pode fazer muita coisa, embora tenha andado bem. Button também chegou a andar no pelotão da frente, mas isso se deve mais ao caos do que à sua performance. Ao menos ninguém quebrou o carro, nem se quebrou, nesse GP da China.

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Mesmo com dores, Fernando Alonso voltou a correr na China (Foto: Sutton Motorsport Images)

Haas – Corrida apagada do time ianque. O desempenho nem de longe lembrou o brilhantismo dos dois primeiros GPs. O ritmo muito ruim da Haas em Xangai, fez com que nem Grosjean nem Gutiérrez conseguissem chegar nos pontos. Vamos ver o que vai acontecer nas próximas etapas.

Sauber – A crise da equipe parece não ter fim. A ida dos dois pilotos ao Q2 nos treinos parecia mostrar que o time suíço teria uma chance de melhora em Xangai, mas a realidade deu as caras na corrida. Sem muito o que fazer, os pilotos andaram no meio do bolo, terminaram fora dos pontos e vivem a angústia de não saber o que o futuro lhes reserva. Felipe Nasr ainda teve o azar de se envolver em um toque com Hamilton na largada. Além disso o brasileiro anda irritado com o fato de que seu carro supostamente anda muito pior que o de seu companheiro Ericsson. A cada dia que passa, fica mais evidente que a Sauber possa mesmo ser comprada pela FCA (FIAT-Chrysler) e se transformar no time oficial da Alfa Romeo. Sergio Marchionne, presidente do grupo, esteve no GP Chinês e disse expressamente que essa é uma possibilidade real.

Manor e Renault – Vou falar das duas juntas para poupar tempo. Pascal Wehrlein até teve um brilhareco na largada (eu venho falando que esse moleque é bom, gostaria de vê-lo num carro competitivo) mas a realidade é dura. Os dois times andaram atrás e passaram despercebidos. É evidente que a Renault não está dando a mínima para a temporada de 2016 e já tem os olhos voltados para 2017. Resta saber se essa estratégia vai funcionar.

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O pódio do GP da China (Foto: Sutton Motorsport Images)

Um dado curioso sobre esse GP da China: Não houve nenhum abandono, todos os 22 pilotos cruzaram a linha de chegada.

A próxima etapa da Fórmula 1 é o GP da Rússia, dia 1º de maio, nas ruas de Sochi.

Classificação final:

Sem título

Volta mais rápida: 1:39.824 – Nico Hülkenberg (Volta 48)

Bahrein 2016

E mais uma vez eu sou surpreendido com uma boa prova nas areias escaldantes do Bahrein. Não, eu não vou começar a cair de amores pelo autódromo de Sakhir, mas devo admitir que a corrida lá foi bem interessante esse ano.

E, como sempre, vamos por tópicos.

Largada do GP do Bahrein (Foto: Getty Images)

Mercedes Nenhuma surpresa com o domínio acachapante do time prateado nas sessões de treinos e classificação. O grande problema foi o desempenho errático de Lewis Hamilton na corrida. O tricampeão largou mal de novo, foi tocado por Valtteri Bottas e não conseguiu acompanhar o ritmo de Kimi Raikkonen, ficando em um frustrante terceiro lugar. Melhor para Nico Rosberg, que venceu novamente (quinta vitória consecutiva do alemão, contando as três últimas provas de 2015 e as duas primeiras dessa temporada) e abriu vantagem na tabela. Uma coisa que me chamou atenção é que parece que o F1 W07 Hybrid não vem tratando muito bem os pneus, e parece apresentar problemas crônicos nos freios. A larga vantagem que Rosberg tinha sobre Raikkonen foi drasticamente diminuída no fim da prova, por esses motivos.

Nico Rosberg vence mais uma e abre vantagem na classificação do campeonato (Foto: Getty Images)

Ferrari Grande corrida de Kimi Raikkonen. Mesmo largando mal mas, desta vez sem problemas no carro, conseguiu manter um ótimo ritmo de corrida e chegou em um excelente segundo lugar. Sebastian Vettel teve um motor estourado ainda na volta de aquecimento, e sequer largou. Mesmo com o problema apresentado no carro do alemão, é notória a evolução da Ferrari, que vem conseguindo ter um bom ritmo de corrida, acertando as estratégias, e vem andando mais próxima da Mercedes aos domingos.

Williams Prova discreta do time de Grove. Fica claro que a Williams não conseguiu acompanhar o desenvolvimento da Ferrari e periga andar atrás da Toro Rosso, da Red Bull e Haas, esse ano. Felipe Massa fez uma corrida poupando equipamento, mas reclamou bastante da estratégia de apenas duas paradas, que lhe custou melhor posição ao final da corrida. Chegou em oitavo. Já Bottas arrumou um salseiro danado com Lewis Hamilton na largada, quase tirou o inglês da prova, tomou um drive-through, mas conseguiu ainda chegar em nono e salvar dois pontinhos. Vale destacar a excelente largada do brasileiro, que pulou do sétimo para o segundo lugar.

Bottas quase tira Hamilton da prova  (Foto: Getty Images)

Bottas quase tira Hamilton da prova (Foto: Getty Images)

Red Bull A equipe austríaca parece mostrar uma certa evolução em relação a 2015, com melhor ritmo nas corridas. Daniel Ricciardo chegou em um bom quarto lugar e Daniil Kvyat chegou em sétimo, após uma corrida onde passou quase que despercebido. Apesar da pequena evolução, a meu ver, a Red Bull ainda anda meio discreta demais nas corridas. Mesmo o bom desempenho de Ricciardo nas duas primeiras provas do ano não consegue apagar essa impressão.

Haas Depois de duas corridas com excelentes resultados, eu posso dizer que o time ianque não veio para a Fórmula 1 a passeio. O projeto é sério, e tem grandes chances de dar realmente certo. Não que eu duvidasse da capacidade de Gene Haas, mas o início dos trabalhos na Fórmula 1 é sempre muito complexo. Mas o time tem competência de sobra. Romain Grosjean foi, mais uma vez, o grande destaque positivo do domingo, na minha opinião. O franco-suíço fez uma corrida brilhante e só não conseguiu um resultado melhor que o já excelente quinto lugar, por conta de um pequeno erro da equipe em seu terceiro pit-stop. Normal, coisa que acontece nas melhores equipes. Esteban Gutiérrez teve azar novamente e precisou abandonar, com problemas nos freios. É realmente uma pena que a equipe tenha tomado a decisão de não mais evoluir o carro para esse ano, já que, mantendo o bom trabalho que vem fazendo, não demoraria nada a beliscar um pódio.

Romain Grosjean, um dos destaques da corrida  (Foto: Getty Images)

Romain Grosjean, um dos destaques da corrida (Foto: Getty Images)

Toro Rosso Apesar do abandono de Carlos Sainz Jr, causado por uma toque com Sergio Pérez, o time B dos energéticos mostrou, mais uma vez, muita consistência, e mostrou que tem um carro muito equilibrado. Max Verstappen chegou numa boa sétima colocação, conseguindo andar na frente de Kvyat, com o carro da Red Bull, e das duas Williams.

Renault – Mais uma prova apagada do time francês. Jolyon Palmer teve problemas hidráulicos na volta de aquecimento e foi outro que não largou. Kevin Magnussen terminou num discreto décimo primeiro lugar. O time segue zerado no mundial de construtores, e dá a entender que tem um longo caminho até as coisas começarem a funcionar por lá.

McLaren O time de Woking teve um fim de semana meio conturbado. Fernando Alonso foi vetado de correr por causa de pequenas fissuras em suas costelas, consequência do pavoroso acidente sofrido por ele em Melbourne, e foi substituído pelo belga Stoffel Vandoorne. E o garoto não decepcionou, fez corrida consistente e conseguiu um bom décimo lugar, marcando seu primeiro ponto logo na sua estreia na Fórmula 1. Já Jenson Button preferiria esquecer o GP bareinita. Com problemas no motor, o campeão de 2009 abandonou a prova ainda no começo.

Force India Outra corrida apagada do time indiano. Os dois carros chegaram atrás da falida Sauber e atrás de um dos carros da Manor. Sergio Pérez se envolveu em confusão com Sainz Jr e Nico Hülkenberg teve problemas durante toda a prova.

Manor Parece que o time teve uma pequena evolução em relação ao ano passado. Pascal Wehrlein fez boa prova e chegou em décimo terceiro. Parece ser bom piloto o garoto alemão. Já seu companheiro, o indonésio Rio Haryanto não fez nada além do que se esperaria dele: chegou em último lugar.

Sauber – As coisas andam feias pros lados da equipe suíça. Sem dinheiro, o time corre o risco de não conseguir viajar à China para o próximo GP, e fala-se de que o Grupo FIAT estaria interessado na compra do time para  transformá-lo na equipe oficial da Alfa Romeo. O fato é que Felipe Nasr e Marcus Ericsson tiveram desempenho sofrível, só conseguindo chegar à frente dos carros da Force India, por causa dos problemas apresentados pelo time indiano, e do inexpressivo Haryanto.

Show de fogos ao final do GP do Bahrein  (Foto: Getty Images)

Show de fogos ao final do GP do Bahrein (Foto: Getty Images)

O Grande Prêmio do Bahrein me surpreendeu mais uma vez. Mesmo sendo uma pista que não agrada, num país sem tradição, pelo segundo consecutivo nós vimos uma prova agitada, com ultrapassagens e boas estratégias de pneus, que movimentaram a corrida.

O próximo compromisso da Fórmula 1 é na China, dia 17 de abril.

 

Classificação final:

Sem título

 

Volta mais rápida: 1:34.482 – Nico Rosberg (Volta 41)

China 2015

Corrida chata, numa pista sem graça, num país sem tradição. Assim eu diria, se pudesse resumir o GP da China em uma única frase. Eu não posso, então vamos às considerações sobre a corrida.

Mais uma vez, em tópicos.

Largada do sonolento GP da China

Largada do sonolento GP da China

Mercedes – A turma de Stuttgart fez o dever de casa e voltou ao topo do pódio, com mais uma dobradinha. Lewis Hamilton não deu a menor chance para Nico Rosberg e o alemão fez muito mimimi depois da corrida. Segundo o piloto do carro nº 6, o companheiro “estava lento demais” e isso prejudicou sua estratégia. Rosberg planejava poupar pneus e atacar o inglês no final. Ora, não é possível que ele realmente queria que o Hamilton desse colher de chá, não é? Com esse tipo de atitude do alemão, a gente sabe muito bem como vai terminar essa temporada para ele. Sobre Hamilton, nada a falar, o bicampeão vem conseguindo dominar completamente a equipe e é quase certo que o tri seja alcançado neste ano.

Ferrari – Mais uma boa corrida da máfia de Maranello, com Sebastian Vettel chegando, mais uma vez, ao pódio, e trazendo Kimi Räikkönen na cola. Vettel conseguiu manter um ritmo que fizesse com que as Mercedes não abrissem tanta vantagem, o que mostra que o carro da Ferrari tem potencial para poder brigar por mais vitórias. Com esse resultado, fica bem claro que a Ferrari conseguiu mesmo se reencontrar e está um nível acima da Williams, na disputa pelo posto de segunda força da Fórmula 1. Vettel se mantém na vice-liderança do mundial de pilotos.

Williams – Corrida honesta do time de Grove. A Williams vem se mantendo no mesmo patamar do ano passado e eu volto a dizer que isso é muito bom. Mesmo que eu e muitos outros fãs queiramos ver a equipe lutando pelo título, o fato de manter a regularidade quando se vê Red Bull e McLaren, por exemplo, caindo pelas tabelas, é algo a se comemorar, principalmente pra um time que mantém o espírito garagista e independente. Felipe Massa e Valtteri Bottas terminaram em quinto e sexto, respetivamente. Eu ainda acredito que a equipe conseguirá subir no pódio e, se der um pouco mais de sorte, beliscar uma vitória esse ano.

Sauber – Com os dois carros na zona de pontuação e mais uma boa apresentação de Felipe Nasr, o time suíço parece estar conseguindo aproveitar a chance de se mostrar, antes que a concorrência consiga evoluir. A gente sabe que eles não têm grana e é difícil manter a boa atuação quando não se tem como investir no desenvolvimento ao longo do ano. Nasr vem fazendo o certo, dando o seu melhor e mostrando que é bom piloto. Ele sabe que pode conseguir uma vaga melhor, então aproveita enquanto pode para chamar a atenção.

Lotus – Romain Grosjean conseguiu marcar pontos e o time mostrou um ritmo bem melhor durante o GP chinês. Maldonado chegou a andar entre os 10 primeiros mas, mais uma vez, abandou por conta de um acidente. Em sua defesa: a culpa não foi dele, dessa vez.

Red Bull – Outra equipe que mostrou ligeira melhora de ritmo em Xangai. Daniel Ricardo volta a marcar pontos e mostra certa consistência. Mas Daniil Kvyat teve problemas com o motor e precisou abandonar a prova. A paciência do time austríaco com a Renault fica cada vez menor, e não dá para não culpar a montadora francesa por isso.

McLaren – Mais uma vez os dois carros do time de Woking conseguiram terminar. Alonso até conseguiu chegar perto dos pontos, com o décimo segundo lugar. Mas Button se envolveu num acidente com Maldonado e, por ser considerado culpado, foi punido com o acréscimo de 5 segundos ao seu tempo final e dois pontos em sua superlicença. A McLaren ainda tem muito o que remar para conseguir chegar perto do desempenho que a Honda prometia. Com um motor cerca de 125 cavalos mais fraco do que os Mercedes, por exemplo, nem dois pilotos experientes e talentosos, como os dois titulares do time, podem fazer milagre. E tem gente que já está dizendo que a McLaren chega na Mercedes até o meio do ano…

Toro Rosso – Corrida apagada do time B da Red Bull, com Sainz Jr chegando em décimo terceiro sem ter feito grandes coisas na pista, além de ter rodado no começo. Problemas com o motor do carro de Verstappen, no fim da prova, fizeram o jovem holandês ficar parado na reta principal, o que ocasionou a entrada do Safety Car, que ficou na pista até a bandeirada. Mais uma para se colocar na conta da Renault.

Force India e Manor – Resolvi falar das duas juntas por motivo de poupar meu tempo: Entraram na pista, correram, terminaram e ninguém nem percebeu. É impressionante como a equipe indiana é inconstante, faz uma temporada boa em um ano, e uma terrível, no ano seguinte. Desse jeito nunca vai conseguir ser nada além de uma equipe pequena tentando ser média.

O GP da China teve o final que mereceu, com a entrada do Safety Car e a bandeirada dada sob bandeira amarela. Volto a dizer que, enquanto a Fórmula 1 continuar correndo nesse tipo de pista, nesses países sem tradição, com esse regulamento engessado e tudo isso, vai continuar tendo que rezar para ter audiência, porque fica cada vez mais difícil ter saco para assistir às corridas. Se nós que somos aficionados e acompanhamos há séculos já consideramos quase um martírio, a possibilidade de a categoria angariar novos fã vai continuar sendo zero.

Classificação final do GP da China 2015:

Sem título

Malásia 2015

Eu não vi a corrida, e todo mundo anda dizendo que foi uma corridaça. Aliás, a corrida sempre é boa quando eu não consigo ver. Sempre…

Como eu não vi, não cabe ficar aqui resenhando nada, então vou apenas dar minha opinião sobre as coisas que aconteceram.

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Em tópicos.

Ferrari –  A máfia de Maranello foi a grande protagonista do GP da Malásia e Sebastian Vettel foi o “cara” do domingo. Apenas na sua segunda corrida pelo time, o tetracampeão já consegue uma vitória que pode ser chamada de histórica. Primeira vitória da Ferrari desde o GP da Espanha de 2013 e a primeira de Vettel desde o GP do Brasil do mesmo ano. E foi uma bela vitória, contando com uma estratégia inteligente, mas também com o absurdo talento do alemão, que conseguiu manter nada menos do que 8.5 segundos de vantagem para a poderosa Mercedes de Lewis Hamilton. Mas não só Vettel deu show pela equipe vermelha. Kimi Räikkönen também mostrou todo seu talento. Tocado por Felipe Nasr logo no início e tendo um pneu furado, caiu para o último lugar e veio escalando o pelotão até chegar em quarto. Não fosse por esse infortúnio, garanto que a Ferrari teria seus dois carros no pódio. Depois de tudo que aconteceu com a equipe e com Vettel em 2014, é um verdadeiro alívio essa excelente performance logo na segunda prova do campeonato.

Mercedes – Semana passada eu disse que a Mercedes só perderia o GP da Malásia para ela mesmo. Pois bem, foi exatamente isso o que aconteceu. Não desmerecendo o trabalho da Ferrari e do Vettel, mas a possibilidade para que eles vencessem só apareceu após o time alemão errar vergonhosamente na estratégia. Ao resolver antecipar as paradas de Hamilton e Rosberg, e depois mudar a estratégia de pneus no final da corrida, os prateados abriram caminho para Vettel. Embora a própria Mercedes tenha dito que a vitória da Ferrari acendeu a “luz de alerta” no time, eu acredito que não seja para tanto. Não cometendo erros estúpidos desse tipo, os alemães não têm muita coisa a temer na luta pelo campeonato.

Williams – A turma de Grove foi bastante prejudicada pela chuva de sábado, já que mesmo sendo uma evolução do carro do ano passado, o FW37 herdou os problemas de seu antecessor no piso molhado. Mas no domingo fizeram corrida honesta, com Bottas chegando em quinto e Massa em sexto. Eu acredito que a Williams possa brigar pelo pódio, ou mesmo beliscar uma vitória, ao longo do ano, mas fica meio que claro que eles não vão superar a Ferrari e vão ser a terceira força do campeonato. Desde que a evolução não pare, é o suficiente, por enquanto. Vale destacar a linda briga entre Massa e Bottas no finalzinho da corrida. Sem nenhuma interferência da equipe, os dois companheiros duelaram pela quinta posição, com Bottas fazendo a ultrapassagem no finalzinho da última volta.

Red Bull/Toro Rosso – Quem diria que a situação iria chegar a chegar a esse ponto? Não bastasse tomar volta do Vettel, a ex equipe do alemão ainda terminou atrás dos dois carros do seu time B. Max Verstappen e Carlos Sainz Jr chegaram na zona de pontos (Sainz Jr pela segunda vez no ano), sendo que o moleque holandês se tornou, aos 17 anos, o mais jovem piloto de todos os tempos a pontuar na Fórmula 1. Nada mal para a dupla que parece ter acabado de sair do berçário. Voltando ao time principal, fica aquela sensação de que a Red Bull já não é mais a mesma, e que sem Vettel e Newey a coisa não anda. Não acho que seja mesmo assim, mas parece que a turma do energético tem se esforçado para fazer parecer isso.

Lotus/Sauber/Force India – O pessoal do meio do bolo passou, mais uma vez, quase despercebido, não fosse pelo sueco Ericsson, da Sauber, que rodou sozinho e fez o safety car entrar na pista, e de seu companheiro Nasr, que quase tirou Räikkönen da prova. Falando no brasileiro, ele não chegou nem perto de repetir a excelente performance da Austrália, muito por conta dessa barbeiragem no início, e terminou num discreto décimo segundo lugar. A participação dos pilotos da Lotus e Force India foi tão discreta, que eu nem consegui saber o que fez com o que Maldonado não terminasse a prova, por exemplo. Grosjean, Hülkenberg e Pérez passaram longe dos pontos.

Manor – Apesar de todas os problemas, que inclusive fizeram um dos seus pilotos nem largar, a Manor conseguiu terminar a prova com um de seus carros, e nem foi tão absurdamente atrás, já que o espanhol Roberto Merhi ficou a apenas três voltas de Vettel.

McLaren – Nem Fernando Alonso nem Jenson Button terminaram a prova. Ambos tiveram problemas técnicos que os obrigaram a abandonar, embora o espanhol até tenha chegado a andar na zona de pontuação durante o tempo em que esteve na pista. A situação do time de Woking segue na mesma, sem nenhum a previsão de quando os motores Honda poderão ser usados a pleno. Fico imaginando o que anda passando na cabeça do nosso querido “Chiliquento” vendo a Ferrai vencer logo na segunda corrida depois da saída dele…

No geral, o GP da Malásia foi uma boa corrida, e pode mostrar, de forma um pouco mais clara, o que pode vir a ser o mundial de 2015. Já dá para vislumbrar as correlações de forças entre equipes e pilotos, e ter uma noção de quem vai brigar pelo que, ao longo do ano.

Classificação final do GP da Malásia 2015:

Sem título

Considerações Pré Malásia 2015

Eu ainda não estou muito certo se eu devo, ou não, resenhar corridas, comentar notícias e coisas desse tipo. Mas como eu propus a mim mesmo a meta de manter o blog atualizado, enquanto eu não conseguir estipular o rumo definitivo que eu vou seguir, vou escrevendo sobre o que eu julgar relevante.

Neste fim de semana acontece o GP da Malásia, segunda etapa do mundial. Sinceramente, depois do verdadeiro fiasco que foi o GP da Austrália, eu nem sei o que esperar da corrida em Sepang.

A Fórmula 1 volta à Malásia, com um grid mais enxuto que esse

A Fórmula 1 volta à Malásia, com um grid mais enxuto que esse

De início dá para se ter a certeza que a Mercedes só perde para ela mesmo. A julgar pelo que foi visto no Albert Park, a equipe alemã parece ter conseguido se distanciar ainda mais da concorrência, e Lewis Hamilton mostrou que não foi campeão por acaso. Botou um temporal em cima do companheiro Nico Rosberg na classificação e não foi ameaçado, de verdade, em momento algum da corrida. A tendência é que isso se mantenha dessa forma.

Fernando Alonso e Valtteri Bottas finalmente irão correr. Bem, o caso do finlandês da Williams é mais tranquilo, já que as dores nas costas foram totalmente sanadas. Já o espanhol… Alonso foi liberado pelos médicos da Federação para competir, e eu acredito que condições físicas ele tenha sim, para encarar a prova. O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o carro da McLaren, mais especificamente o motor Honda. Na Austrália, o time de Woking correu com suas unidades de força em “modo de segurança” para evitar problemas de aquecimento, principalmente. Ou seja, o próprio pessoal da Honda sabe que o caminho até que sua engenhoca esteja em plenas condições é longo e tortuoso. O problema é que o nosso “chiliquento” preferido não tem a paciência entre suas maiores virtudes. Eu até brinquei no Facebook, dizendo que o Alonso “tava dando migué” para não passar vergonha. É óbvio que a situação do piloto da McLaren era delicada e só ele e os médicos sabem o que se passou, mas sabendo o temperamento dele, não seria nenhum absurdo imaginar que, em breve, a chapa esquente para os lados do time bretão, embora ele diga que está mais feliz do que nunca esteve na vida…

Sobre a Williams e a Ferrari, eu acredito que as duas equipes possam vir a trazer a um pouco de emoção à corrida na Malásia, e ao campeonato em geral. O time de Grove manteve o bom desempenho do ano passado, com Felipe Massa fazendo corrida honesta em Melbourne, e a máfia de Maranello, além de ter evoluído bastante depois do furacão que passou por lá no fim de 2014, tem em Sebastian Vettel sua grande arma. Motivado, o tetracampeão já conseguiu um pódio esse ano. Bottas volta e, se mantiver o nível, é candidato na briga pelo pódio com seu companheiro e a dupla da Ferrari (se bem que o Räikkönen não me pareceu muito disposto na Austrália).

Sobre a turma que vem mais atrás, quem promete é Felipe Nasr (não vou fazer a piadinha do Senna reverso aqui no blog). Depois de uma excelente estreia, o brasileiro da Sauber pode conseguir mais um bom resultado em Sepang. Aliás, ele deve aproveitar ao máximo essas primeiras corridas da temporada para deixar seu “cartão de visita”, porque com a pindaíba em que o time suíço se encontra, o desenvolvimento do carro será muito prejudicado ao longo do ano e o desempenho vai cair, invariavelmente. Na Lotus o sentimento é de otimismo, com Maldonado dizendo que o time está próximo de Williams e Ferrari. Sei não, os dois carros abandonaram em Melbourne. Ok, o caso do Maldonado foi de acidente, mas eu não consigo ser otimista com a situação deles. A Red Bull, depois da má atuação na abertura da temporada, vem fazendo mimimi e reclamando do domínio da Mercedes. Hipocrisia pura, já que quando o time dos energéticos estava no auge, era tudo beleza. De qualquer forma eu espero uma reação deles em Sepang. Grana e capacidade para isso eles têm de sobra. O time B me surpreendeu positivamente na Austrália com o desempenho do novato Sainz Jr, marcando pontos na estreia. Mas é difícil esperar muita coisa quando se tem dois pilotos tão jovens como esses da Toro Rosso. A Force India parece que briga com a McLaren para ver quem tem o pior carro, já que o desempenho no Albert Park foi pífio.

Por fim a Manor. Corre ou não corre? Parece que sim, mas eu duvido muito que a ex Marussia consiga até mesmo chegar ao final da temporada. Depois de ir para a Austrália e não alinhar no grid, sequer ter andado na classificação, o time recebeu uma punição da FOM e vai deixar de embolsar US$9 milhões de premiação, uma grana que vai fazer muitíssima falta aos magros cofres da esquipe.

No mais, sempre existe a possibilidade de chuva em Sepang, e isso pode embaralhar um pouco as coisas, se bem que eu acredito que nem a chuva possa atrapalhar a Mercedes. De qualquer forma, eu sou péssimo em “futurologia”, e posso quebrar minha cara lindamente. Vejamos, pois, o que o GP da Malásia nos reserva, no próximo domingo.

Espanha 2014

A fase europeia do Mundial de Fórmula 1 começou ontem com o Grande Prêmio da Espanha, e o resultado não foi diferente do que vem sendo nas últimas corridas: Dobradinha da Mercedes, com Hamilton em primeiro e Rosberg em segundo lugar.

O que se viu no Circuit de Catalunya, em Montmeló, arredores de Barcelona, foi um GP espanhol típico, o que significa uma corrida monótona, com poucas ultrapassagens e sem grandes surpresas. Isso se deve às características da pista catalã, que privilegia sempre os carros com o melhor acerto aerodinâmico e faz com que se torne muito difícil de ultrapassar. É exatamente por isso que a pista que é a preferida para os testes de pré-temporada da Fórmula 1 já há muitos anos.

Voltando à corrida, Hamilton e Rosberg pularam na frente e, com cinco voltas já abriam mais de sete segundos para Bottas, o terceiro colocado. Felipe Massa conseguiu uma posição na largada, pulando para a oitava posição. A ordem depois que as luzes vermelhas se apagaram era Hamilton, Rosberg, Bottas, Ricciardo, Grosjean, Räikkönen, Alonso, Massa, Hülkenberg e Gutiérrez. Maldonado se envolveu em (mais) uma confusão, com Marcus Ericsson, e foi (mais uma vez) punido.

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Largada do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Ricciardo e Bottas ensaiaram uma briga pelo terceiro lugar mas, como já disse antes, devido às características da pista de Montmeló, o australiano da Red Bull não conseguia ultrapassar o piloto da Williams. As equipes vinham, praticamente todas, com estratégias de três paradas, e a janela se abriu com Vettel na volta de número 12. Somente a Mercedes, que vem demonstrando, além de tudo, uma enorme capacidade de economizar pneus, ficou na pista por mais tempo. Nesse meio tempo, Rosberg se aproximou do companheiro, reduzindo bastante a vantagem do inglês. Hamilton entrou na volta 21, e consegui responder ao ritmo de corrida de Rosberg, que iria parar mais tarde, numa estratégia de duas paradas. Aproveitando-se do trabalho de boxes, Ricciardo, finalmente, consegue tomar a posição de Bottas.

Um dos poucos momentos interessantes da prova foi quando Räikkönen e Grosjean travaram um pequeno duelo por posições. O finlandês vinha com melhor ritmo mas, na hora de ultrapassar, errou, o que deu ao franco-suíço da Lotus uma sobrevida. Na volta seguinte Räikkönen consegue despachar seu ex-companheiro de equipe, trazendo Alonso junto.

Numa prova onde não se tem grandes emoções em pista, o destaque acaba sendo para as paradas nos boxes. Massa abriu a segunda rodada de pits na volta 38, colocando pneus duros. Os demais pilotos da frente continuaram por um tempo, até quando Vettel entrou na volta 33, seguido depois por Grosjean e Alonso.

Hamilton e Rosberg seguiam firmes na ponta, com o inglês abrindo cerca de 3,5 segundos para seu companheiro. Parou na volta 43 e Rosberg assumiu a liderança temporária da prova. Ricciardo e Bottas foram junto. Rosberg parou duas voltas depois e, com um trabalho não muito bom da Mercedes, perdeu a posição para Hamilton, que conseguia abrir quase 5 segundos de vantagem. Massa, pressionado por Grosjean, parou na volta 47.

Ao final da prova Rosberg esboçou uma reação, diminuindo a diferença e colando em Hamilton. Mas não coseguiu a ultrapassagem e a corrida terminou com mais uma vitória do campeão de 2008. Daniel Ricciardo completou o pódio e Felipe Massa chegou num apagado décimo terceiro lugar.

Pódio do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Pódio do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Com a vitória, quarta no ano, Hamilton chega à liderança do campeonato, ultrapassando Rosberg. A Mercedes chega à impressionante marca de cinco poles e cinco vitórias nas cinco primeiras corridas da temporada.

Hamilton vence a quarta consecutiva e chega à liderança do campeonato (foto: Grande Prêmio)

Hamilton vence a quarta consecutiva e chega à liderança do campeonato (foto: Grande Prêmio)

 

Sem título

 

Bahrein 2014

A Fórmula 1 chegou ao Bahrein para a corrida de número 900 de sua história. E tão importante marca merecia que as ações em pista fossem dignas da comemoração. Mas a pista de Sakhir nunca foi conhecida por ter um traçado que proporcionasse boas disputas. Não até hoje.

A corrida começou com Nico Rosberg (Mercedes) largando da pole com seu companheiro Hamilton ao lado. Na segunda fila Valtteri Bottas (Williams) e Sergio Pérez (Force India), seguidos por Kimi Räikkönen (Ferrari) – pela primeira vez largando na frente do companheiro Alonso – Jenson Button (McLaren), Felipe Massa (Williams), Kevin Magnussen (McLaren), Fernando Alonso e, fechando o top 10, Sebastian Vettel (Red Bull).

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Hamilton pula na frente na largada

Assim que as luzes vermelhas se apagam, Hamilton dá o bote e pula na frente de Rosberg. Felipe Massa faz uma largada espetacular e, de sétimo, pula para terceiro. Pérez conseguiu manter sua posição e Bottas caiu para quinto. Button manteve a sexta posição, Hülkenberg largou bem e conseguiu tomar a posição de Alonso, mas o espanhol logo a recuperou. Räikkönen e Vettel completavam os dez primeiros.

Mas Hamilton não teve vida fácil, pois logo depois da largada Rosberg seguiu em seu encalço, brigando para retomar a ponta. O inglês consegue se manter na liderança, mas a briga não acabaria ali. Mais atrás, Jean-Éric Vergne (Toro Roso) tem um pneu furado, e precisa ir aos boxes logo de cara. Atrás das Mercedes vinham Massa, Pérez e Bottas, todos muito juntos, brigando intensamente pela terceira posição. Button vinha em seguida, com Alonso atrás, depois de superar Hülkenberg.

Antes da primeira rodada de pits stops, a Mercedes muda a estratégia de Rosberg, que passaria a poupar pneus na primeira parte da prova pra poder fazer um primeiro stint mais longo. Com isso, Hamilton consegue uma folga e abre um pouco a distância sobre o companheiro de equipe. E Massa, Bottas e Pérez seguiam em sua intensa luta pela terceira posição. Quem vinha muito bem nesse momento era Daniel Ricciardo, que largando de 13° devido à punição sofrida no GP da Malásia, vinha escalando o pelotão, numa bela corrida de recuperação.

Na 11ª passagem, depois de ser ultrapassado por Button e Hülkenberg, Bottas abre a primeira janela de pits, seguido por Kvyat (Toro Rosso) e Bianchi (Marussia). Enquanto isso, Massa era ultrapassado por Pérez, e na volta seguinte também foi aos boxes, seguido por Räikkönen e Hülkenberg, depois Pérez e Button. Na frente, Hamilton e Rosberg, que sobravam, adiaram ao máximo suas paradas, prova de que além de terem o melhor motor e o melhor equilíbrio dinâmico, os carros da Mercedes também sabem tratar muito bem os pneus.

E lá no meio a primeira confusão da corrida: Sutil e Bianchi se tocaram (duas vezes) e o alemão da Sauber ainda deu uma escapada da pista. O francês foi considerado culpado pelo incidente, e punido com um drive-through. No entanto Sutil não deu muita sorte, abandonando a corrida na volta 21 com problemas no carro.

Falemos, pois, das brigas internas, que não foram poucas. Hamilton e Rosberg vinham numa disputa ferrenha pela ponta, com direito a troca de posições, toque de rodas, empurrões para fora da pista. Uma coisa que não se via entre companheiros de equipe disputando a ponta de uma corrida já há um bom tempo. Na Red Bull, Vettel enfrentava a pressão de Ricciardo, que vinha numa exibição impecável e pressionava fortemente o tetracampeão. Bottas e Massa se encontravam pela pista e Pérez e Hülkenberg também estavam na disputa. Nesse momento a ordem era: Hamilton, Rosberg, Bottas, Massa, Hülkenberg, Pérez, Button, Alonso, Räikkönen e Vettel. Massa exercia pressão sobre seu companheiro e trazia junto os dois carros da Force India. Quatro pilotos separados por poucos décimos brigando por um lugar no pódio. Pouco atrás, mas não muito, Alonso vinha no encalço de Button.

Hamilton e Rosberg duelaram intensamente pela ponta

Hamilton e Rosberg duelaram intensamente pela ponta

Mais uma vez Bottas abriu a nova janela de pits, o que dá a entender que os carros da Williams têm um alto consumo de pneus, já que Massa também entrou logo depois, não sem antes ser ultrapassado pelos carros da Force India, que faziam enorme pressão. Na volta, Bottas vai para cima de Ricciardo e Räikkönen e na freada para a curva 1 quase acerta em cheio o compatriota. Com isso, Ricciardo consegue tomar a posição do Iceman. Bottas se recupera prontamente, e logo ultrapassa o australiano da Red Bull. Com a rodada de pits completa, os carros da Force India começam a andar muito rápido e, junto das Williams, voltam a disputar na frente (logo depois do mundo de vantagem das Mercedes).

E então veio a segunda confusão da corrida: Pastor Maldonado (Lotus) e Estebán Guitérrez (Sauber) vinham disputando uma posição no final do pelotão, quando na curva 1, o venezuelano, sem a menor cerimônia, vai com tudo para cima do mexicano e o toca, o fazendo capotar. Guitérrez, apesar de ficar tonto não se fere, e Maldonado é punido com um Stop & Go, punição essa, a meu ver muito branda. O safety car é acionado, e a maioria dos pilotos aproveita para fazer mais uma troca de pneus, entre eles os líderes Hamilton e Rosberg.

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Maldonado fazendo das suas e tirando Guitérrez da prova

A bandeira verde veio na 46º volta. Rosberg, que vinha com pneus macios, foi para cima de Hamilton, em mais uma empolgante disputa entre os dois companheiros pela vitória. Pérez pulou na frente de Hülkenberg e assumiu o terceiro posto. Ricciardo vindo mais de trás superou Vettel, mais uma vez, e Hülkenberg, para assumir a quarta posição, enquanto Felipe Massa vinha entre atacar Vettel e segurar Bottas. Preferiu não correr o risco de perder a posição para o companheiro e piorar sua imagem (que já começa a ficar meio desgastada pela situação da Malásia) e se mantém na sétima posição, segurando o finlandês, embora tenha, ainda, tentando (de forma muito bonita) uma ultrapassagem sobre o tetracampeão.

No final Hamilton conseguiu resistir à pressão de Rosberg e venceu a segunda no ano, com mais uma dobradinha da Mercedes. Pérez completou o pódio, o segundo da história da equipe indiana.

Mais uma dobradinha da Mercedes: Hamilton vence, Rosberg segue líder

Mais uma dobradinha da Mercedes: Hamilton vence, Rosberg segue líder

E numa corrida em que se comemorava uma marca histórica importantíssima, o que aconteceu foi o que todos queriam ver. Um espetáculo digno da belíssima história da Fórmula 1. Uma corrida movimentada, com grandes disputas em todos os trechos, em todos os pelotões, entre companheiros de equipe, inclusive pela vitória e sem nenhuma intervenção das equipes via rádio.  Que continue assim.

Atualizando: Maldonado perde cinco posições e leva três pontos na superlicença. Ainda assim achei barato…

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