Resumão (2)

Aproveitando que o Papo Motor está no ar, vamos voltar com nossa seção de resumo das principais notícias da Fórmula 1.

Como tem sido o padrão, vamos aos tópicos.

Classificação.

Ok, é um pouco chato ficar indo e voltando nesse assunto, mas a verdade é que a coisa anda tão complicada nesse quesito, que nunca é demais falar sobre.
A novidade agora é que a FIA propôs um formato onde cada piloto deve dar, ao menos duas voltas lançadas, e os tempos dessas duas voltas sejam somados para se fazer uma média e definir as posições.
A princípio a proposta lembra a regra que vigorou no início dos anos 90, quando havia duas sessões de qualificação, uma na sexta-feira e outra no sábado, e os tempos eram somados. O problema é que isso seria mesclado ao atual modelo, com a sessão dividida em três partes (Q1, Q2 e Q3) com os pilotos tendo de somar tempo em todas as três sessões. Imagina só a confusão que isso vai dar. O alemão Sebastian Vettel já veio a público dizer que a ideia “é uma merda”, e até seu companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, que não costuma se meter nesses assuntos, disse que na Fórmula 1 “Há tanta política e besteira que às vezes é uma loucura”, numa crítica não só ao formato de classificação, mas ao esporte em geral, conforme informação do Grande Prêmio. E eu concordo plenamente com ambos (embora não usaria o linguajar do Vettel aqui no blog… hehehe). O Ron Groo disse, no Papo Motor, que a ideia por trás desse formato é evitar que os pilotos marquem tempo e depois voltem aos boxes. Muito louvável, mas pouco efetivo. É muito fácil dar duas voltas rápidas seguidas e voltar ao box, principalmente para os carros de ponta. Ou seja, a medida não serviria para nada, a não ser complicar, mesmo que só um pouco, as coisas. Volto a defender a ideia de que se deva manter o formato com a sessão de classificação dividida em três partes, mas o tempo poderia ser reduzido, principalmente no Q2 e Q3 (no Q1 as equipes pequenas aproveitam para “se mostrarem”, e seria maldade tirar esse tempo de exposição delas) com cada parte tendo seu tempo reduzido. Suponhamos: um Q3 com cinco minutos, contados a partir do primeiro carro a abrir volta rápida, seria o suficiente para que houvesse mais ação em pista. Ou mesmo a volta do antigo formato de sessão de uma hora de duração, com cada piloto dando 12 voltas e pronto.
Mas existe um problema ainda maior nisso tudo, que é o regulamento de pneus. É simplesmente chocante o fato de que, mesmo depois de anos, essa regra imbecil de se largar com os pneus usados no Q2 ainda exista. É justamente essa regra idiota que faz com que todo mundo dê uma volta e depois recolha os carros para os boxes. Quando a FIA se der conta disso e, ao menos, acabar com essa coisa de os pilotos terem que largar com pneus usados na classificação (o ideal seria a volta dos pneus específicos de classificação, até a Pirelli já deu essa ideia), as coisas podem ficar interessantes nos treinos classificatórios.

vettel

Vettel sobre a proposta da FIA: “é uma merda” (Foto: Getty Images)

Haas

É consenso que a Haas é a grande surpresa positiva da temporada de 2016. A equipe americana, depois de dois grandes resultados nas duas primeiras provas do ano, mostrou que não veio para a Fórmula 1 a passeio e pode incomodar as equipes já estabelecidas.
Mas é uma pena que o time capitaneado pelo bilionário Gene Haas tenha tomado a decisão de parar o desenvolvimento do carro desse ano para se concentrar no carro de 2017, decisão essa tomada ainda no fim de semana do GP da Austrália.
A meu ver, é uma decisão extremamente precipitada. Ok, a gente sabe que as regras mudam bastante para o ano que vem e também sabe que quem começar mais cedo pode ter vantagens, principalmente uma equipe com o know-how e aporte técnico que o time ianque tem. Inclusive essa é a justificativa de Gene Haas para essa decisão.
O problema com tudo isso, é que a equipe tem potencial de sobra para conseguir bons resultados ainda nesta temporada. Tem grana, tem conhecimento, tem um baita suporte técnico da Ferrari (motores e câmbios atualizados), além de ter um piloto que vem se mostrando cada vez mais consistente, como Romain Grosjean. Inclusive o franco-suíço diz que o time tem potencial para melhorar em torno de meio segundo nas classificações, mesmo sem muita coisa o que mexer no carro, segundo reportagem, novamente, do Grande Prêmio. Isso pode sinalizar uma mudança de pensamento por parte da equipe? Não sei, mas acredito que, caso a Haas consiga manter esse nível, a equipe pode, sim, cogitar voltar atrás na sua decisão e trazer ao menos um pacote de atualizações durante o ano.
Vamos esperar para ver.

2016421935989_GettyImages-518716218_O

Segundo Grosjean, Haas pode melhorar até 0,5 segundo nas próximas etapas. (Foto: Getty Images)

Mudanças nas regras para 2017

Até mesmo as mudanças que a FIA definiu para o ano que vem vêm sendo questionadas. Como se sabe, os chassis sofrerão mudanças que poderão fazer com que os carros fiquem até 3 segundos mais rápidos do que são hoje. Além disso, a Federação também quer pneus maiores e mais largos, com a intenção de equilibrar a importância da aderência aerodinâmica com a aderência mecânica.
Até aí tudo bem, eu acredito que esse é o caminho certo a se seguir. Com carros menos dependentes da aerodinâmica, tem-se menos turbulência gerada para os carros que vêm atrás, o que permite a aproximação e ultrapassagens sem precisar se recorrer a artificialidades como a asa móvel.
Os problemas começam com o fato de que mesmo que se tenha um maior equilíbrio entre as aderências aerodinâmica e mecânica, os carros irão passar a gerar mais downforce, principalmente em curva, o que vai aumentar a carga da força G a que os pilotos serão submetidos. Segundo o amigo Paulo Alexandre Teixeira, o Speeder 76, do blog Continental Circus, os pilotos já reclamam disso, com  Lewis Hamilton dizendo que o regulamento deveria privilegiar maior aderência mecânica.
Até a Pirelli entrou na discussão, cobrando agilidade por parte da FIA para que as regras sejam logo definidas, porque o tempo hábil vem se esgotando, e a fabricante italiana teme que sua imagem possa sair arranhada, caso as coisas não sejam feitas da maneira correta.
Tudo isso, essa pressão toda, levou o presidente da FIA, Jean Todt, a declarar que a entidade deveria ter o controle total da categoria, alegando que “Esta seria a coisa mais lógica. A FIA deveria ter o controle total, como regulador e legislador da Fórmula 1. Mas historicamente nunca foi assim, e foi isso que herdei, dessa forma”, segundo declaração dada à revista Autosport, replicada em reportagem do Globo Esporte. Na mesma matéria, é citada uma carta aberta assinada pelos pilotos (não citados quais) que diz que a chefia da Fórmula 1 estaria “obsoleta e mal estruturada”. Jean Todt respondeu convidando os pilotos a debaterem com ele a respeito de suas preocupações mas alfinetou, dizendo que são poucos os pilotos conhecem a estrutura de governo da Fórmula 1.
Isso ainda vai dar muito “pano pra manga”, e é quase que iminente uma queda de braço entre pilotos, equipes, a FIA e a FOM. Na minha opinião, essa é a hora de os pilotos começarem a dar vazão às suas ideias e buscarem um lugar de maior destaque nas decisões da categoria. Ao contrário do que Jean Todt (e Lewis Hamilton também) acreditam, os pilotos sabem sim o que é melhor para a categoria, afinal são eles quem guiam os carros, são eles quem arriscam os seus pescoços a cada 15 dias para que nós possamos nos entreter.

pirelli-tyres_3329649

A Pirelli pede agilidade nas decisões sobre as mudanças das regras. (Foto: SkySports)

Sauber

Um último assunto: Segundo o jornalista Rafael Lopes, do blog Voando Baixo, a história de que a Sauber não iria aos GPs da China e Rússia não passam de boatos infundados. Mas a chefe da equipe, Monisha Kaltenborn, negocia o futuro do time. Existem, de fato, negociações com a FCA (FIAT) para que o time seja comprado e transformado na equipe de fábrica da Alfa Romeo, e também com a Tetrapak.
Ainda segundo o jornalista, boa parte do equipamento da equipe suíça já está em Xangai para o GP da China.

20164320509_GettyImages-518917072_O

Especulações e boatos sobre o futuro da Sauber (Foto: Getty Images)

Esse foi o nosso resumão de noticias. Fiquem ligados, e não se esquecem que na segunda (ou terça) que vem, tem episódio novo do Papo Motor!

Anúncios

Resumão

Bom, eu havia proposto fazer uma Quinzena das Nanicas e postar somente coisas relativas a elas, mas andaram acontecendo tantas coisas interessantes nesses dias, que eu achei por bem dar um tempo na saga e fazer um resumão dessas notícias. Provavelmente essa vai ser uma seção fixa do blog.  Vamos lá!

Stefano Domenicali fora da Ferrari – Notícia fresquinha, saiu agora há pouco. Depois de 7 temporadas, Domenicali não é mais chefe de equipe da Ferrari. A equipe diz que Domenicali se demitiu. Obviamente o agora ex-chefe de equipe de Maranello foi mandado embora. A Ferrari precisava de um bode expiatório para o fraco início de temporada e, como não é do feitio da cúpula do time assumir seus erros,  joga-se a culpa no pobre Domenicali. Montezemolo aprendeu direitinho com o velho Commendatore. Quem assume o cargo é Marco Mattiacci , atualmente o chefe de operações da Ferrari nos EUA.

Stefano-Domenicali

Bode expiatório do fracasso de Maranello

Michael Schumacher mostra evolução em seu quadro – Uma boa notícia, nesta segunda feira. A assessora de imprensa do heptacampeão concedeu entrevista à TV alemã e disse que Schumacher tem “momentos de consciência” e mostra “pequenos sinais de progresso” chegando a ter momentos em que fica acordado e consciente. Keep fighting Michael!

#KeepFightingMichael

KeepFightingMichael

Niki Lauda rebate críticas de Ecclestone e Montezemolo ao regulamento – Bem ao seu estilo, direto, ácido e sem papas na língua, Niki Lauda rebatou duramente as críticas feitas ao atual regulamento da Fórmula 1, principalmente as de Bernie Ecclestone e Luca di Montezemolo.  Lauda disse que é “estúpida”  a forma como ambos criticam o regulamento, indo de encontro aos interesses da própria categoria, o que poderia, inclusive, “destruir a Fórmula 1”. Como eu disse semanas atrás: O que se vê da parte desses dois, Bernie principalmente, é uma verdadeira campanha difamatória na tentativa de se marcar posições numa guerra de poder contra a FIA. A atitude de Montezemolo, ao endossar as críticas de Ecclestone, é apenas mais uma comprovação da forma, a meu ver, espúria, como a Ferrari lida com as situações quando seus interesses são contrariados, ou quando ela se vê sem condições de ganhar na pista. Como tudo o que envolve Ferrari e Ecclestone, nos últimos anos: lamentável!

_64890939_dimontezemoloecclestone_getty

Nasceram um para o outro

FIA aceitou a inscrição da Hass para 2015 – Depois de anos sem uma equipe norte-americana na Fórmula 1, a inscrição da equipe chefiada pelo bilionário Gene Hass foi oficialmente aceita para a temporada de 2015. Hass não é nenhum “leigo” no esporte a motor, tem uma equipe na NASCAR com quatro carros já há mais 10 anos e conseguiu um título de pilotos em 2011. E o mais importante: tem uma situação financeira extremamente sólida e excelentes condições de atrair patrocinadores. Pelo que parece, depois do fracasso da natimorta USF1, a FIA conseguiu finalmente atrair gente séria do lado de cá do Atlântico para compor o grid. A Federação ainda analisa o pedido de inscrição de uma tal “Forza Rossa”, equipe romena ligada a um grupo comandado pelo nada confiável Collin Kolles. Essa aí me cheira a mutreta de uma outra “rossa”, que sempre foi chegada numa maracutaia…

E405D66B1EA04C49AC52A51DB2797482

O homem que botou os EUA de volta ao grid

Prefeitura de São Paulo renova o contrato com a FOM até 2020 – Serão mais seis temporadas garantidas para o GP do Brasil em Interlagos. O acordo assinado entre o prefeito Fernando Haddad e Bernnie Ecclestone exclui a proposta original de se construir os boxes na Reta Oposta, mantendo a configuração atual. Os boxes e paddock serão reformados e a pista recapeada.

autodromo-interlagos-gp-brasil-formula1

Mais seis temporadas em Interlagos

Jean Todt diz poder repensar pontuação dobrada em Abu Dhabi – Motivado pelas reações negativas dos fãs, que acreditam ser uma idiotice completa, Jean Todt admite que talvez seja necessário rever essa regra imbecil (todos os adjetivos pejorativos são por minha conta). Enfim alguma coisa que presta.

jean-todt_2626803b

Um pouco de bom senso de Todt

Pilotos à beira da anorexia – OK, essa chamada foi sensacionalista, mas é quase isso que vem acontecendo. Como os sistemas de recuperação de energia e novos motores turbo trouxeram um peso extra aos carros, a FIA aumentou o limite mínimo de peso dos mesmos. O problema é que o aumento de 50 Kg (se não me engano) não foi o suficiente e, para compensar, o pilotos vêm fazendo dietas extremamente rigorosas para não comprometer o desempenho dos carros, e muitos deles estão, literalmente, à beira da desnutrição. Jean-Éric Vergne chegou a ser internado entre os GPs da Austrália e Malásia, devido à fraqueza causada pela dieta extrema. As equipes já enviaram um pedido formal à Federação para a revisão e aumento do peso mínimo dos carros, o que só poderá ser modificado no ano que vem e se houver unanimidade.

JeanEric-Vergne_2691092

Impressiona a magreza de Vergne

Esse é o primeiro resumão de notícias do SF1T. Sempre que tiver algo de relevante fora das corridas, eu venho aqui e faço outro destes.

E fiquem por aí, que ainda hoje eu volto com a Quinzena das Nanicas.