Espanha 2014

A fase europeia do Mundial de Fórmula 1 começou ontem com o Grande Prêmio da Espanha, e o resultado não foi diferente do que vem sendo nas últimas corridas: Dobradinha da Mercedes, com Hamilton em primeiro e Rosberg em segundo lugar.

O que se viu no Circuit de Catalunya, em Montmeló, arredores de Barcelona, foi um GP espanhol típico, o que significa uma corrida monótona, com poucas ultrapassagens e sem grandes surpresas. Isso se deve às características da pista catalã, que privilegia sempre os carros com o melhor acerto aerodinâmico e faz com que se torne muito difícil de ultrapassar. É exatamente por isso que a pista que é a preferida para os testes de pré-temporada da Fórmula 1 já há muitos anos.

Voltando à corrida, Hamilton e Rosberg pularam na frente e, com cinco voltas já abriam mais de sete segundos para Bottas, o terceiro colocado. Felipe Massa conseguiu uma posição na largada, pulando para a oitava posição. A ordem depois que as luzes vermelhas se apagaram era Hamilton, Rosberg, Bottas, Ricciardo, Grosjean, Räikkönen, Alonso, Massa, Hülkenberg e Gutiérrez. Maldonado se envolveu em (mais) uma confusão, com Marcus Ericsson, e foi (mais uma vez) punido.

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Largada do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Ricciardo e Bottas ensaiaram uma briga pelo terceiro lugar mas, como já disse antes, devido às características da pista de Montmeló, o australiano da Red Bull não conseguia ultrapassar o piloto da Williams. As equipes vinham, praticamente todas, com estratégias de três paradas, e a janela se abriu com Vettel na volta de número 12. Somente a Mercedes, que vem demonstrando, além de tudo, uma enorme capacidade de economizar pneus, ficou na pista por mais tempo. Nesse meio tempo, Rosberg se aproximou do companheiro, reduzindo bastante a vantagem do inglês. Hamilton entrou na volta 21, e consegui responder ao ritmo de corrida de Rosberg, que iria parar mais tarde, numa estratégia de duas paradas. Aproveitando-se do trabalho de boxes, Ricciardo, finalmente, consegue tomar a posição de Bottas.

Um dos poucos momentos interessantes da prova foi quando Räikkönen e Grosjean travaram um pequeno duelo por posições. O finlandês vinha com melhor ritmo mas, na hora de ultrapassar, errou, o que deu ao franco-suíço da Lotus uma sobrevida. Na volta seguinte Räikkönen consegue despachar seu ex-companheiro de equipe, trazendo Alonso junto.

Numa prova onde não se tem grandes emoções em pista, o destaque acaba sendo para as paradas nos boxes. Massa abriu a segunda rodada de pits na volta 38, colocando pneus duros. Os demais pilotos da frente continuaram por um tempo, até quando Vettel entrou na volta 33, seguido depois por Grosjean e Alonso.

Hamilton e Rosberg seguiam firmes na ponta, com o inglês abrindo cerca de 3,5 segundos para seu companheiro. Parou na volta 43 e Rosberg assumiu a liderança temporária da prova. Ricciardo e Bottas foram junto. Rosberg parou duas voltas depois e, com um trabalho não muito bom da Mercedes, perdeu a posição para Hamilton, que conseguia abrir quase 5 segundos de vantagem. Massa, pressionado por Grosjean, parou na volta 47.

Ao final da prova Rosberg esboçou uma reação, diminuindo a diferença e colando em Hamilton. Mas não coseguiu a ultrapassagem e a corrida terminou com mais uma vitória do campeão de 2008. Daniel Ricciardo completou o pódio e Felipe Massa chegou num apagado décimo terceiro lugar.

Pódio do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Pódio do GP da Espanha (foto: Grande Prêmio)

Com a vitória, quarta no ano, Hamilton chega à liderança do campeonato, ultrapassando Rosberg. A Mercedes chega à impressionante marca de cinco poles e cinco vitórias nas cinco primeiras corridas da temporada.

Hamilton vence a quarta consecutiva e chega à liderança do campeonato (foto: Grande Prêmio)

Hamilton vence a quarta consecutiva e chega à liderança do campeonato (foto: Grande Prêmio)

 

Sem título

 

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Bahrein 2014

A Fórmula 1 chegou ao Bahrein para a corrida de número 900 de sua história. E tão importante marca merecia que as ações em pista fossem dignas da comemoração. Mas a pista de Sakhir nunca foi conhecida por ter um traçado que proporcionasse boas disputas. Não até hoje.

A corrida começou com Nico Rosberg (Mercedes) largando da pole com seu companheiro Hamilton ao lado. Na segunda fila Valtteri Bottas (Williams) e Sergio Pérez (Force India), seguidos por Kimi Räikkönen (Ferrari) – pela primeira vez largando na frente do companheiro Alonso – Jenson Button (McLaren), Felipe Massa (Williams), Kevin Magnussen (McLaren), Fernando Alonso e, fechando o top 10, Sebastian Vettel (Red Bull).

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Hamilton pula na frente na largada

Assim que as luzes vermelhas se apagam, Hamilton dá o bote e pula na frente de Rosberg. Felipe Massa faz uma largada espetacular e, de sétimo, pula para terceiro. Pérez conseguiu manter sua posição e Bottas caiu para quinto. Button manteve a sexta posição, Hülkenberg largou bem e conseguiu tomar a posição de Alonso, mas o espanhol logo a recuperou. Räikkönen e Vettel completavam os dez primeiros.

Mas Hamilton não teve vida fácil, pois logo depois da largada Rosberg seguiu em seu encalço, brigando para retomar a ponta. O inglês consegue se manter na liderança, mas a briga não acabaria ali. Mais atrás, Jean-Éric Vergne (Toro Roso) tem um pneu furado, e precisa ir aos boxes logo de cara. Atrás das Mercedes vinham Massa, Pérez e Bottas, todos muito juntos, brigando intensamente pela terceira posição. Button vinha em seguida, com Alonso atrás, depois de superar Hülkenberg.

Antes da primeira rodada de pits stops, a Mercedes muda a estratégia de Rosberg, que passaria a poupar pneus na primeira parte da prova pra poder fazer um primeiro stint mais longo. Com isso, Hamilton consegue uma folga e abre um pouco a distância sobre o companheiro de equipe. E Massa, Bottas e Pérez seguiam em sua intensa luta pela terceira posição. Quem vinha muito bem nesse momento era Daniel Ricciardo, que largando de 13° devido à punição sofrida no GP da Malásia, vinha escalando o pelotão, numa bela corrida de recuperação.

Na 11ª passagem, depois de ser ultrapassado por Button e Hülkenberg, Bottas abre a primeira janela de pits, seguido por Kvyat (Toro Rosso) e Bianchi (Marussia). Enquanto isso, Massa era ultrapassado por Pérez, e na volta seguinte também foi aos boxes, seguido por Räikkönen e Hülkenberg, depois Pérez e Button. Na frente, Hamilton e Rosberg, que sobravam, adiaram ao máximo suas paradas, prova de que além de terem o melhor motor e o melhor equilíbrio dinâmico, os carros da Mercedes também sabem tratar muito bem os pneus.

E lá no meio a primeira confusão da corrida: Sutil e Bianchi se tocaram (duas vezes) e o alemão da Sauber ainda deu uma escapada da pista. O francês foi considerado culpado pelo incidente, e punido com um drive-through. No entanto Sutil não deu muita sorte, abandonando a corrida na volta 21 com problemas no carro.

Falemos, pois, das brigas internas, que não foram poucas. Hamilton e Rosberg vinham numa disputa ferrenha pela ponta, com direito a troca de posições, toque de rodas, empurrões para fora da pista. Uma coisa que não se via entre companheiros de equipe disputando a ponta de uma corrida já há um bom tempo. Na Red Bull, Vettel enfrentava a pressão de Ricciardo, que vinha numa exibição impecável e pressionava fortemente o tetracampeão. Bottas e Massa se encontravam pela pista e Pérez e Hülkenberg também estavam na disputa. Nesse momento a ordem era: Hamilton, Rosberg, Bottas, Massa, Hülkenberg, Pérez, Button, Alonso, Räikkönen e Vettel. Massa exercia pressão sobre seu companheiro e trazia junto os dois carros da Force India. Quatro pilotos separados por poucos décimos brigando por um lugar no pódio. Pouco atrás, mas não muito, Alonso vinha no encalço de Button.

Hamilton e Rosberg duelaram intensamente pela ponta

Hamilton e Rosberg duelaram intensamente pela ponta

Mais uma vez Bottas abriu a nova janela de pits, o que dá a entender que os carros da Williams têm um alto consumo de pneus, já que Massa também entrou logo depois, não sem antes ser ultrapassado pelos carros da Force India, que faziam enorme pressão. Na volta, Bottas vai para cima de Ricciardo e Räikkönen e na freada para a curva 1 quase acerta em cheio o compatriota. Com isso, Ricciardo consegue tomar a posição do Iceman. Bottas se recupera prontamente, e logo ultrapassa o australiano da Red Bull. Com a rodada de pits completa, os carros da Force India começam a andar muito rápido e, junto das Williams, voltam a disputar na frente (logo depois do mundo de vantagem das Mercedes).

E então veio a segunda confusão da corrida: Pastor Maldonado (Lotus) e Estebán Guitérrez (Sauber) vinham disputando uma posição no final do pelotão, quando na curva 1, o venezuelano, sem a menor cerimônia, vai com tudo para cima do mexicano e o toca, o fazendo capotar. Guitérrez, apesar de ficar tonto não se fere, e Maldonado é punido com um Stop & Go, punição essa, a meu ver muito branda. O safety car é acionado, e a maioria dos pilotos aproveita para fazer mais uma troca de pneus, entre eles os líderes Hamilton e Rosberg.

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Maldonado fazendo das suas e tirando Guitérrez da prova

A bandeira verde veio na 46º volta. Rosberg, que vinha com pneus macios, foi para cima de Hamilton, em mais uma empolgante disputa entre os dois companheiros pela vitória. Pérez pulou na frente de Hülkenberg e assumiu o terceiro posto. Ricciardo vindo mais de trás superou Vettel, mais uma vez, e Hülkenberg, para assumir a quarta posição, enquanto Felipe Massa vinha entre atacar Vettel e segurar Bottas. Preferiu não correr o risco de perder a posição para o companheiro e piorar sua imagem (que já começa a ficar meio desgastada pela situação da Malásia) e se mantém na sétima posição, segurando o finlandês, embora tenha, ainda, tentando (de forma muito bonita) uma ultrapassagem sobre o tetracampeão.

No final Hamilton conseguiu resistir à pressão de Rosberg e venceu a segunda no ano, com mais uma dobradinha da Mercedes. Pérez completou o pódio, o segundo da história da equipe indiana.

Mais uma dobradinha da Mercedes: Hamilton vence, Rosberg segue líder

Mais uma dobradinha da Mercedes: Hamilton vence, Rosberg segue líder

E numa corrida em que se comemorava uma marca histórica importantíssima, o que aconteceu foi o que todos queriam ver. Um espetáculo digno da belíssima história da Fórmula 1. Uma corrida movimentada, com grandes disputas em todos os trechos, em todos os pelotões, entre companheiros de equipe, inclusive pela vitória e sem nenhuma intervenção das equipes via rádio.  Que continue assim.

Atualizando: Maldonado perde cinco posições e leva três pontos na superlicença. Ainda assim achei barato…

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Malásia 2014

A segunda etapa da temporada de 2014 da Fórmula 1, disputada na Malásia no último final de semana, trouxe a confirmação da supremacia da Mercedes, a reação da Red Bull, e algumas polêmicas.

Lewis Hamilton e Nico Rosberg não tomaram conhecimento da concorrência e fizeram a primeira dobradinha do ano, com ampla vantagem para o terceiro colocado, Sebastian Vettel, da Red Bull. Hamilton chega à sua vigésima terceira vitória, e se iguala ao tricampeão Nélson Piquet.

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Hamilton chega à 23ª vitória na carreira

A corrida, ao contrário do treino classificatório, começou com tempo seco, e logo de cara alguns carros já tiveram problemas, como o Force India de Sergio Pérez, e o Red Bull de Daniel Ricciardo.  Logo na largada Hamilton e Rosberg pularam na frente enquanto Vettel perdia posições. Ricciardo, Alonso, Hülkenberg, Räikkönen, Magnussen e Button vinham logo em sequência.

A corrida foi marcada por acidentes logo no início, com Magnussen e Räikkönen se tocando, e Maldonado e Bianchi também. O acidente entre os pilotos da Lotus e Marussia foi investigado e Bianchi, culpado, foi punido com um stop & go. Maldonado, no entanto, não conseguiu ir muito longe, com seu Lotus mais uma vez apresentando problemas.

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A largada

Felipe Massa vinha bem na prova, conquistando posições enquanto era seguido de perto por seu companheiro Bottas.  Enquanto na frente Vettel recuperava o terceiro posto e Rosberg esboçava um ataque sobre seu companheiro, que liderava a prova.

Nesse momento começa a primeira rodada de pit stops, onde a maioria dos pilotos opta pelos pneus médios (os mais macios disponíveis), enquanto Räikkönen, que havia caído para o fundo do pelotão depois de seu toque com Magnussen, escolhe os pneus duros, na tentativa de fazer um stint mais longo e recuperar posições.

Embora os ponteiros tenham perdidos suas posições, logo elas são recuperadas e a ordem é reestabelecida, com as Mercedes na ponta e abrindo cada vez mais distância do pelotão. Vettel, Ricciardo, Alonso e Hülkenberg vinham atrás, seguidos de Button, Massa Bottas e Kvyat, que vinha numa luta frenética.

A segunda rodada de pit stops foi aberta por Alonso na volta 28, com pessoal que vinha atrás da Mercedes indo primeiro. Enquanto isso a briga vinha boa no meio, com Kobayashi lutando Grosjean pela 12ª posição. Logo depois os ponteiros pararam, e seguidos pelo pelotão intermediário. Após a segunda rodada, a ordem era praticamente a mesma, à exceção de Hülkenberg, que vinha em quarto, mas não havia parado.

E então começa uma sequência de abandonos: Além de Maldonado, Sutil e Gutiérrez param, deixando a Sauber de fora da prova. A corrida vinha sem mudanças, entediante até, quando na volta 40 começa nova rodada de pit stops (a prova de que a corrida estava realmente chata é o fato de que a maioria das ações dignas de nota aconteceu nos boxes). Ricciardo entra para trocar seus pneus, mas uma roda foi mal colocada o obrigando a parar e os mecânicos puxarem de volta o carro pra a o box da equipe e apertar a roda corretamente. Obviamente isso resulta numa punição, e o australiano foi obrigado a cumprir um stop & go.

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Lambança da Red Bull no pit stop de Ricciardo

Na frente Hamilton seguia firme e forte rumo à vitória, enquanto, mais atrás, Massa e Bottas vinham na briga e aí entra a maior polêmica do fim de semana. A Williams avisa pelo ao brasileiro que seu companheiro está mais rápido, o mesmo “faster than you” de 2010 na Ferrari. Mas dessa vez Felipe ignora a ordem e não cede a posição ao finlandês.

No fim, Alonso supera Hülkenberg, e a ordem é mantida até a bandeirada, com Hamilton conseguindo sua primeira vitória no ano, seguido por Rosberg, e Vettel.

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Hamilton cruza em primeiro e confirma o favoritismo da Mercedes

Resultado final do Grande Prêmio da Malásia de 2014:

  1. 44   Lewis Hamilton        ING        Mercedes
  2. 6    Nico Rosberg              ALE        Mercedes
  3. 1    Sebastian Vettel       ALE        Red Bull/Renault
  4. 14   Fernando Alonso    ESP        Ferrari
  5. 27   Nico Hülkenberg     ALE        Force India/Mercedes
  6. 22   Jenson Button          ING        McLaren/Mercedes
  7. 19   Felipe Massa             BRA       Williams/Mercedes
  8. 77   Valtteri Bottas          FIN         Williams/Mercedes
  9. 20   Kevin Magnussen   DIN        McLaren/Mercedes
  10. 26   Daniil Kvyat                RUS       Toro Rosso/Renault
  11. 8    Romain Grosjean     FRA        Lotus/Renault
  12. 7    Kimi Räkkönen          FIN         Ferrari
  13. 10  Kamui Kobayahi        JAP        Caterham/Renault
  14. 9    Marcus Ericsson        SUE        Caterham/Renault
  15. 4    Max Chilton*             ING        Marussia/Ferrari
  16. 3    Daniel Ricciardo*      AUS       Red Bull/Renault
  17. 21   Esteban Gutiérrez*               MEX      Sauber/Ferrari
  18. 99   Adrian Sutil*             ALE        Sauber/Ferrari
  19. 25   Jean-Éric Vergne*  FRA        Toro Rosso/Renault
  20. 17   Jules Bianchi*           FRA        Marussia/Ferrari
  21. 13   Pastor Maldonado*VEN      Lotus/Renault
  22. 11   Sergio Pérez*           MEX      Force India/Mercedes

Volta mais rápida: Lewis Hamilton – 1:43.066 (volta 53)

* Não completaram

Sobre as novas regras

Desde que eu comecei com o SF1T, a ideia nunca foi escrever apenas para os “iniciados” na Fórmula 1. Eu tenho vários amigos que não são propriamente conhecedores da categoria, mas gostam e têm curiosidade sobre ela. Então, de vez em quando, eu acabo postando um texto mais voltado a esse pessoal.

Vários desses amigos meus têm me perguntado sobre as mudanças nas regras para este ano e, quando eu vou responder, eu vejo que esse seria um assunto interessante de se tratar por aqui. Vai ser um texto mais voltado aos “leigos”, até porque os “iniciados” já estão mais do que por dentro do assunto.

Quando se fala nessas mudanças, pensa-se primeiro na adoção dos motores turbo. É um ponto importantíssimo, mas não é o único. E não é só no regulamento técnico que vai haver mudanças, o regulamento desportivo também terá algumas diferenças bem importantes em relação a 2013, além de mudanças que visam melhorar as condições de segurança da categoria. Vou falar aqui das principais.

Regulamento Desportivo:

Para começar, o regulamento desportivo é aquele que versa sobre o formato da competição, pontuação, punições, etc. Vamos às principais mudanças nessas regras.

Mudança na pontuação do último GP – A partir desse ano, o Grande Prêmio que encerra a temporada (no caso de 2014, o GP de Abu Dhabi) terá sua pontuação dobrada. Ou seja, em vez de os dez primeiros receberem, na sequência, 25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 pontos, passarão a receber 50, 36, 30, 24, 20, 16, 12, 8, 4 e 2 pontos. O motivo dessa mudança, segundo a FIA, é a possibilidade de manter a disputa pelo título aberta até a última corrida do ano.

Mudanças nas punições para pilotos infratores – Os pilotos que cometerem infrações durante treinos, classificação e corida, terão punições mais rígidas, a partir dessa temporada. Será adotado um sistema de pontuação nas superlicenças, bastante similar ao que os motoristas recebem em suas habilitações. Se ao longo de um período de 12 meses o piloto tiver 12 pontos na superlicença, ele é automaticamente suspenso da corrida seguinte em que ele marcar o 12º ponto. Os pontos valem por 12 meses, sendo que quando vence o período (ou no caso do piloto ter cumprido a suspensão) eles são retirados. O número de pontos será aplicado de acordo com o tipo de incidente, variando de 1 a 3. As punições para saídas consideradas inseguras ou arriscadas em pit-stops também sofrem mudanças e ficam mais rígidas. No caso da infração acontecer na classificação, o piloto perde 10 posições no grid da corrida e, no caso de acontecer na corrida, perde 10 posições no grid da prova seguinte.

Mudança na numeração – A numeração dos carros também sofrerá alterações. Agora os pilotos escolhem o número que querem usar, e podem o manter durante toda a carreira independente da equipe ou posição final no campeonato. A única exceção fica com o número 1, que continua só podendo ser usado pelo campeão, mas não existe mais a obrigatoriedade deste o usar. Além disso, os números serão pintados em tamanho maior nos carros para uma melhor identificação.

Regulamento Técnico:

O regulamento técnico é o que versa sobre a parte mecânica e aerodinâmica, sobre o carro, em si. E as mudanças serão bem radicais, Vamos a elas.

Mudança no conjunto motor/câmbio/recuperação de energia – As mudanças nos motores são o grande assunto e a maior mudança no regulamento técnico nos últimos 25 anos. A partir desta temporada, os motores V8 de 2.4 litros dão lugar a unidades turbocomprimidas V6 de 1.6 litro. Esses motores terão ajuda de um novo sistema de recuperação de energia, o ERS (Energy Recovery System), que substituirá o atua KERS (Kinetic Energy Recovery System). A principal diferença entre os dois sistemas é que o atual recupera energia cinética das freadas para carregar uma bateria que, quando acionada, gera cerca de 80cv extras por 7 segundos. Já o novo sistema, irá recuperar energia de duas fontes: além da energia cinética das freadas, irá, também, recuperar energia térmica gerada pelo duto de escapamento, gerando cerca de 160cv extras, por 33 segundos. O conjunto motor/ERS irá gerar, no total, aproximadamente 760cv de potência.

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O câmbio passa a ter 8 marchas e a relação de marchas não poderá ser mudada ao longo da temporada. Quanto ao escapamento, este terá um único duto de saída (até este ano eram dois), e não deverá direcionar o fluxo dos gases de forma a atuar como elemento aerodinâmico. As equipes só poderão usar 5 motores por carro, por temporada (contra 8 de 2013) e os câmbios deverão durar 6 corridas (contra 5 de 2013).

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Mudanças na relação de peso e combustível – Como a adoção de motores turbo V6 de menor cilindrada e o ERS visam, principalmente, economia de combustível e redução de emissões, a relação do combustível também será alterada. Os carros não poderão gastar mais do que 100 Kg de gasolina por corrida, então as equipes e pilotos terão que se virar para diminuir ao máximo o consumo sem afetar (demais) a performance.

Mesmo com o motor menor e mais leve e a menor quantidade de gasolina embarcada, o peso mínimo regulamentar dos carros irá aumentar, muito em parte por causa do sistema de recuperação de energia, que será maior e mais pesado que o atual.

Mudanças na aerodinâmica e pneus – Outro ponto que terá muitas mudanças será a aerodinâmica dos carros. A altura do bico será abaixada, passando dos atuais 55 cm para 18,5 cm, a asa dianteira diminui 15 cm, passando dos atuais 180 cm, para 165 cm. A asa traseira perde a lâmina inferior, e seu ângulo de profundidade passará de 22 cm, para 20 cm. O DRS terá seu ângulo de abertura aumentado de 5 cm para 7 cm.

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Os sidepods também sofrerão alterações. Serão aumentados para permitir maior entrada do fluxo de ar para os radiadores. Os pneus também serão diferentes. Embora ainda pouco se saiba deles, os testes feitos no Barein indicaram que os tempos serão mais lentos, ou seja, existe a possibilidade de os pneus serem mais duros.

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Mudanças nos testes – As equipes terão mais oportunidades de testar em 2014. Até agora, os testes em pista eram proibidos ao longo da temporada, restando às equipes apenas as atividades de pré-temporada e os testes de novatos ao final dela. Neste ano, as equipes terão quatro atividades em pista ao longo da temporada. Em compensação, os testes em túnel de vento serão limitados, visando redução de custos.

Segurança:

Também teremos modificações nas questões de segurança, como a diminuição da velocidade nos boxes de 100Km/h para 80Km/h nas corridas, e a obrigatoriedade das equipes de pit usarem proteção na cabeça em todas as sessões. Os carros contarão com um dispositivo de segurança na parte frontal, visando à proteção contra batidas, peças soltas, e outras coisas do tipo.

Considerações:

Todas essas mudanças visam trazer mais competitividade, segurança e deixar a Fórmula 1 mais alinhada com os novos tempos de economia e sustentabilidade.

Existem ideias muito boas, como a adoção dos motores turbo e do ERS, no lugar do KERS, e mesmo a obrigação de maior durabilidade de componentes (motor e câmbio) e economia de combustível. As tecnologias híbridas são uma realidade no automobilismo já há algum tempo, e a prova é o sucesso da Audi e seus R18 e-tron em Le Mans e no WEC, e já estão nas ruas também. Do ponto de vista da competição, essa mudança radical pode criar um novo equilíbrio de forças entre as equipes de ponta (acho pouco provável algum tipo de surpresa como uma equipe média dar um salto de qualidade, e entrar no grupo das grandes), onde quem conseguir ter uma melhor leitura do regulamento e até mesmo achar brechas, poderá sair em grande vantagem. Do ponto de vista do desenvolvimento, essas tecnologias poderão aproximar mais a Fórmula 1 das ruas, o que tende a atrair as montadoras de volta à categoria, como é o caso da Honda, que já anunciou a sua volta como fornecedora de motores em 2015. Além disso, tem o ponto de vista do marketing. A adoção de tecnologias mais limpas, a redução de consumo e emissões, pode significar uma bela forma de a Fórmula 1 atrair a simpatia de setores ligados à preservação ambiental e sustentabilidade, inclusive com a possibilidade de atrair patrocínios de empresas desses setores.

Já sobre as mudanças aerodinâmicas, eu tenho certas ressalvas. Embora ainda ache o DRS um recurso muito artificial, o aumento do ângulo de abertura do mesmo pode ser uma boa, já que terá ainda mais diminuição de arrasto aerodinâmico, podendo gerar mais ultrapassagens. Em compensação a diminuição da asa dianteira expõe mais os pneus dianteiros e combinada com o novo bico, vai aumentar a área frontal dos carros, causando uma sensível diminuição das velocidades e, consequentemente, o aumento dos tempos de volta. Eu sei que essa é a intenção, mas acho meio desnecessário. Lógico que a mudança no bico também traz uma preocupação com a segurança, já que diminui muito os riscos para os pilotos no caso de colisões laterais, ou mesmo frontais. Mas tem esse efeito colateral.

A volta dos testes de meio de temporada, mesmo que em número relativamente pequeno, também é uma boa notícia, já que pode promover algum desenvolvimento, principalmente relacionado ao powertrain. Mas em compensação, o desenvolvimento aerodinâmico fica bastante restrito com a diminuição dos testes em túnel de vento.

A bem da verdade eu acho mesmo é que esse novo regulamento técnico acabou ficando mais restrito do que o atual. Lógico que no início serão achadas muitas brechas mas, a meu ver, a tendência é uma estabilização rápida e logo vai estar tudo muito engessado novamente. Mas isso não quer dizer que as mudanças sejam ruins.

No caso do regulamento desportivo, a adoção de pontos na superlicença me parece uma solução bem interessante que, por si só, poderia resolver muitos problemas. Mas a FIA insiste em ser mais severa do que deveria e em criar mais punições do que o aceitável. Esse sistema de pontos na superlicença poderia ser aprimorado e enquadrar os casos de saídas de pit-stop ariscadas, em vez de uma punição de dez lugares no grid. A coisa de dobrar os pontos na etapa final da temporada é absurda, e o termo “nascarização da Fórmula 1” é muito bem vindo nesse caso. Tenta criar um equilíbrio artificial no campeonato e vai contra tudo que a tradição europeia do esporte a motor criou ao longo dos anos. Talvez a volta do sistema de descartes, um aumento da “distância” dos pontos, e a diminuição de posições que recebem esses pontos (como o antigo 10, 6, 4, 3, 2, 1) fosse uma solução muito mais coerente com a história da Fórmula 1, para se tentar promover mais equilíbrio na disputa. De legal mesmo, fica a mudança na numeração. Embora eu seja mais favorável ao sistema anterior a 1996, onde a numeração era fixa mas os números pertenciam às equipes, essa mudança pode criar uma identificação muito maior entre os pilotos e público do que acontece hoje em dia.

Uma pequena amostra do que pode vir a ser os sons dos novos motores: