Top Alguma Coisa – Pistas

Ressuscitando esta nobre seção do blog. Hoje eu quero falar de algumas pistas que já não constam mais do calendário da Fórmula 1, mas que fazem muita falta.

Sem mais delongas, vamos à lista!

Em ordem alfabética.

Adelaide – Austrália

Durante onze temporadas a corrida nas ruas de Adelaide fechou o mundial de Fórmula 1, e era sempre aquele clima de festa já que, quase sempre, o campeonato já tinha sido decidido no Japão. Exceções em 1986 e 1994, quando aconteceram duas das mais épicas decisões de títulos da história. A primeira com Alan Prost conquistando seu bicampeonato no erro de estratégia da Williams, que deixou Nigel Mansell a pé e fez Nelson Piquet desistir da briga. A segunda, com Michael Schumacher jogando seu Benetton no Williams de Damon Hill, conquistando o primeiro de seus sete títulos e o ódio de muitos torcedores.

Anos em que esteve no calendário: 1985-1995.

Maiores vencedores: Alain Prost, Ayrton Senna, Gerhard Berger – duas vitórias cada um.

Mansell sofrendo em Adelaide, 1986

Brands Hatch – Inglaterra

Um dos mais tradicionais autódromos do mundo, Brands Hatch, localizado na cidade de Kent, sediou tanto o GP da Grã-Bretanha quanto o GP da Europa entre os anos 60 e 80. Seu traçado rápido e com curvas seletivas é expressão da pura essência do automobilismo. Durante os anos 60 e 70, dividiu com Silverstone a responsabilidade de sediar o GP britânico e, em 1983 e 1985, sediou o GP da Europa. Foi lá que Nelson Piquet começou a arrancada para seu bicampeonato em 1983 e Emerson Fittipaldi conquistou uma das cinco vitórias que o levaram ao título, em 1972.

Anos em que esteve no calendário: 1964, 1966, 1968, 1972, 1974, 1976, 1978, 1980, 1982, 1984, 1986 – GP da Grã-Bretanha; 1983 e 1985 – GP da Europa.

Maior vencedor: Niki Lauda – três vitórias.

O acidente que encerrou a carreira de Jacques Laffite

Estoril – Portugal

Estoril tem um significado bastante especial para muitos fãs brasileiros, já que foi lá, em 1985, que Ayrton Senna conquistou, de forma brilhante, sua primeira vitória. Debaixo de um temporal medonho, o tricampeão iniciava ali sua trajetória rumo à marca de 41 triunfos em sua carreira. O que pouca gente sabe é que essa relação com o automobilismo brasileiro vai mais além: o autódromo foi projetado por um engenheiro brasileiro, Ayrton Lolô Cornelsen que, além do Estoril, foi responsável pela construção dos autódromos de Jacarepaguá, Curitiba, e Luanda (Angola), além dos estádios do Mineirão (Belo Horizonte), Pinheirão e Couto Pereira (ambos em Curitiba).

Anos em que esteve no calendário: 1984-1996.

Maior vencedor: Alain Prost – três vitórias.

A primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1

Ímola – Itália

Oficialmente Autódromo Enzo e Dino Ferrari, o circuito da cidade de Ímola, próximo a Bolonha, é outro que trás fortes recordações aos brasileiros. Difícil não falar da pista sem mencionar as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, em 1994. Depois disso, muitos fãs, infelizmente, começaram uma campanha de “satanização” da tradicional pista italiana. A meu ver, uma injustiça, já que Ímola é um dos traçados mais desafiadores e empolgantes que já passaram pela história da Fórmula 1. Culpar a pista por dois acidentes causados por falhas mecânicas, duas fatalidades é um absurdo sem tamanho. É bom lembrar que Ímola atendia a todas as normas de segurança da Fórmula 1, sendo mais seguro do que Suzuka, por exemplo, que está até hoje no calendário sem grandes alterações. Anos depois, as curvas Tamburello e Villeneuve, onde ocorreram os acidentes de Senna e Ratzenberger, foram transformadas em chicanes, descaracterizando totalmente um dos trechos mais fantásticos do automobilismo mundial.

Uma curiosidade: Em 1980 Ímola sediou o GP da Itália, única vez em que a prova foi disputada fora de Monza, valendo para o Mundial.

Anos em que esteve no calendário: 1980 – GP da Itália; 1981-2006 – GP de San Marino.

Maior vencedor: Michael Schumacher – sete vezes.

Villeneuve e Pironi mostrando que Ímola é sensacional

Jacarepaguá – Brasil

Dispensa apresentações. O Autódromo de Jacarepaguá  sediava o GP do Brasil nos anos 80, de 1981 a 1989, além de ter sediado a prova de 1978, onde Emerson Fittipaldi conquistou um histórico segundo lugar com seu Fittipaldi F5A. Uma curiosidade: Quando largou no GP do Brasil de 1988, Piquet se tornou o primeiro, e único, piloto na história da Fórmula 1 a correr em um autódromo batizado com seu nome já que, no fim de 1987, foi rebatizado de Autódromo Internacional Nélson Piquet (José Carlos Pace e Gilles Villeneuve tiveram seus nomes dados aos autódromos de Interlagos e Montreal após suas respectivas mortes).

Infelizmente a burrice do poder público vitimou o autódromo. Após ter parte de seu traçado “capado” para dar lugar às instalações dos Jogos Pan Americanos de 2007, foi, posteriormente, inteiramente destruído para as obras dos Jogos Olímpicos de 2016.

Anos em que esteve no calendário: 1978, 1981-1989.

Maior vencedor: Alain Prost – cinco vitórias.

A primeira vitória de Nélson Piquet em casa

Paul Ricard – França

Quando estreou no calendário da Fórmula 1 em 1971, Paul Ricard era um dos autódromos mais modernos e seguros do mundo. E logo agradou aos pilotos e ao público. Localizado em Le Castellet, perto de Marselha, foi financiado pelo magnata de bebidas Paul Ricard, daí seu nome. A pista tem um traçado rápido, com a longa reta Mistral sendo uma das mais conhecidas do mundo. Ao longo dos anos 70 e início dos 80, revezou a sede do GP francês com Dijon-Prenois e Clermont-Ferrand (este apenas em 1972) e, a partir de 1985, passou ser a única casa da prova. De 1986 a 1990, a prova passou a ser disputada num traçado alternativo, mais curto e com a Mistral cortada pela metade. Foi lá que Maurício Gugelmin sofreu seu famoso acidente na largada do GP da França de 1989.

Anos em que esteve no calendário: 1971, 1973, 1975, 1976, 1978, 1980, 1982, 1983, 1985-1990.

Maior vencedor: Alain Prost – quatro vitórias.

Sequência da largada do GP da França de 1989, e o acidente de Gugelmin

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90’s – Red 2

Pode-se dizer que, de fato, a temporada de 1994 foi uma verdadeira confusão (como diria aquele locutor de chamadas). Não bastassem as tragédias ocorridas em Ímola, a temporada foi marcada por constantes trocas de pilotos nas equipes, motivadas por acidentes, punições e, lógico, grana.

Numa dessas trocas, David Coulthard, que substituía o falecido Ayrton Senna na Williams, cedeu sua vaga a Nigel Mansell em quatro oportunidades, nos GPs da França, Europa, Japão e Austrália.  O Leão vinha de uma temporada irregular na Indy, e aproveitou essas corridas para se “divertir” um pouco.

No fim das contas, ele até que se deu bem, conseguiu vencer a polêmica corrida de Adelaide e terminou no 9º lugar naquela temporada (Dá para ver o quanto a temporada de 1994 foi caótica, o cara disputa só quatro provas, marca pontos em duas, e ainda consegue o 9º lugar no campeonato).

Na foto, Mansell no seu FW16 ostentando o número 2 devidamente pintado em vermelho, naquela que foi a última vitória de sua carreira, o GP da Austrália de 1994, em Adelaide.

80’s – Que é Isso?

Sempre que se fala nos bons tempos da Williams, todo mundo logo se lembra da fase entre 1985 e 1997, e sempre vem à mente aquela bela pintura azul amarela e branca, usada entre 1985 e 1993, e os número 5 e 6 pintados no bico, e número 5 em vermelho, e é instantâneo associá-lo ao “Leão” Nigel Mansell.

Mas o amigo leitor olha essa foto e diz: “Mas Schelb, esse aí com o Red 5 é o Patrese!!??”

Sim, é o Riccardo Patrese. E sim, é muito estranho.

Bem, isso foi no GP da Austrália de 1987. O Piquet já tinha levado o título, e o Mansell, que sofreu um acidente nos treinos do GP do Japão e ficou de fora da corrida, também não foi à Austrália, alegando que ainda não estava bem o suficiente para correr. Então coube ao Patrese o carro do “Leão”, e essa foi a única vez que o mítico Red 5 foi guiado por outro piloto que não fosse Nigel Mansell.