Papo Motor Episódio 3

Episódio 3

E está no ar mais uma edição do Papo Motor!
Dessa vez a gente falou da vitória das equipes e pilotos na questão da classificação, falamos sobre a briga de poder na Fórmula 1, sobre as expectativas para o GP da China e muito mais.
Acessem o blog do Papo Motor, ouçam, baixem e compartilhem.

PS: A partir de agora, os novos episódios vão ao ar às quartas-feiras à noite.

Eu também vou reclamar!

O Schelb voltou!

Mais ou menos. Minha intenção é voltar a escrever aqui, mas não esperem textos diários, eu bem que gostaria de fazer isso, mas ainda não consigo achar uma linha para seguir com esse blog. Então peço que tenham paciência comigo.

O que me faz voltar a este boteco é a onda generalizada de protestos com os atuais caminhos da Fórmula 1. Não é segredo para ninguém que a categoria enfrenta uma das maiores, senão a maior crise da sua história. Minha intenção, neste texto, não é tentar apontar um caminho para a solução (se eu tivesse esse caminho, estaria com o emprego do Bernie Ecclestone, e não escrevendo bobagem num blog obscuro). Venho aqui somente para me juntar ao coro dos descontentes e expor minha raiva e frustração diante da situação totalmente absurda que a Fórmula 1 vive.

Primeiramente não há como apontar um culpado, apenas, pela situação. A tendência natural é jogar a culpa no Bernie e no modelo de negócios da categoria que, nos últimos tempos, vem se tornando insustentável. Sim, ele tem sua parcela de culpa. Os valores cada vez mais exorbitantes cobrados aos organizadores dos grandes prêmios é um problema gigantesco. Ninguém quer pagar dezenas e dezenas de milhões de dólares para organizar uma corrida que ninguém quer assistir. O recente GP da Austrália é prova disso: Poucos carros no grid, corrida chatíssima e audiência muito baixa. Ok, tinha uma quantidade de gente razoável nas arquibancadas do Albert Park, mas nós temos que entender que a Austrália é um país onde o automobilismo é um esporte fortíssimo, por isso o público ainda comparece. Mas é fácil, também, perceber que não é mais a multidão que costumava ser antes. Isso porque eu citei uma das mais tradicionais corridas do calendário atual. O que dizer, então, de corridas em países onde praticamente inexiste tradição no esporte? China, Bahrein, Abu-Dhabi e outros são provas cabais disso. Muita ostentação e ninguém nas arquibancadas. Falar da preferência da FOM por esses países (nem tanto) endinheirados é chover no molhado: todo mundo sabe o porquê deles estarem no calendário.

Muitos falam na atual crise econômica, que estourou em 2008, como um outro fator importante neste contexto. Sim, é importante, várias equipes e patrocinadores deixaram a categoria por achar que não vale a pena investir milhões de dólares em um esporte, enquanto passam por uma recessão brava tendo que reduzir investimentos importantes e, até mesmo, demitir funcionários. Logicamente essa crise reflete no calendário. Com os preços já abusivos, os países europeus, os mais atingidos pela crise, têm cada vez mais dificuldade em arcar com os custos de uma coisa praticamente supérflua como a Fórmula 1. O cancelamento do GP da Alemanha não deixa mentir. Mas crises são cíclicas, elas vêm e vão, e a Fórmula 1 já atravessou crises econômicas mundiais piores que essa. E saiu firme e forte.

Um outro fator que eu, particularmente, considero fundamental é o regulamento técnico. Não adianta, ninguém gostou dele. Eu confesso que inicialmente me empolguei com essa coisa do turbo e tudo mais mas, o balde de água fria que veio depois, sossegou meu facho. Nada contra sistemas de recuperação de energia, motores mais econômicos e tecnologia em si, mas isso não combina com a Fórmula 1. O que todo mundo que ver ali é aquela velha mescla de força bruta dos motores com o refinamento aerodinâmico dos chassis. Sistemas híbridos são legais mas, para mim, funcionam melhor numa categoria como o WEC que, além de usá-los de uma forma muito mais interessante que a Fórmula 1, tem uma proposta que combina de verdade com eles. Mas quando eu falo de regulamento, não falo apenas do atual. Falo de todos os erros cometidos pela FIA nos últimos 20 anos, nesse sentido. O principal é a insistência em manter o regulamento técnico extremamente restritivo, forçando as equipes a criarem carros cada vez mais parecidos entre si e podando a criatividade dos engenheiros, fazendo com que inovações realmente interessantes não sejam implementadas. Muita gente acha que isso nivela a categoria e o piloto passa a fazer mais diferença. Mas essa é uma noção falsa. Com um regulamento tão restrito, qualquer um que consiga achar uma brecha vai dominar o campeonato de forma acachapante e não vai dar chance para que ninguém “corra atrás do prejuízo”, pois com regras como congelamento de desenvolvimento dos motores, proibição de mudar relação de marchas ao longo da temporada (olha o ponto ao qual o absurdo chegou!) e restrições no desenvolvimento aerodinâmico, entre outras, não tem como! Quando o regulamento é mais aberto, os engenheiros podem criar, e isso estimula as equipes a manterem a concorrência através do desenvolvimento contínuo de seus carros.

Existem outros fatores importantes, como a escalada dos custos, as restrições para a entrada de novas equipes e o número exagerado de pilotos ruins com “padrinhos ricos”, por exemplo. Tudo isso somado não só fez a Fórmula 1 cair nessa crise, como criou um círculo vicioso do qual a categoria não consegue sair.

O que se vê é uma gritaria pedindo a cabeça do Bernie. Eu concordo que o tempo dele passou, e o modelo que insiste em manter é ridiculamente insustentável. Mas e se ele se aposentar ou mesmo morrer? O amigo Ron Groo levantou a questão em seu blog, hoje. E é notório que é muito difícil pensar num jeito de a Fórmula 1 se reinventar sem ele. Como eu disse anteriormente, não é minha intenção indicar um caminho, mas é óbvio que eu vou dar meus pitacos. O que eu vejo como o ideal a se fazer é a FIA assumir diretamente a responsabilidade pela organização da Fórmula 1, mas fazer do jeito certo, como faz com o WEC. Usando de uma boa estratégia de publicidade; aproximando, de fato, a categoria dos fãs (via redes sociais, aplicativos etc); dando incentivo para que os autódromos e países tradicionais voltem ao calendário e, principalmente, dando liberdade para as equipes desenvolverem sem tantas amarras. Esse é o ponto principal. A coisa sempre funcionou assim, e foi por isso que a Fórmula 1 sobreviveu por tanto tempo. Se todos os envolvidos tiverem esse objetivo em comum, a Fórmula 1 pode voltar a ser uma categoria realmente empolgante, como sempre foi.

Resumão

Bom, eu havia proposto fazer uma Quinzena das Nanicas e postar somente coisas relativas a elas, mas andaram acontecendo tantas coisas interessantes nesses dias, que eu achei por bem dar um tempo na saga e fazer um resumão dessas notícias. Provavelmente essa vai ser uma seção fixa do blog.  Vamos lá!

Stefano Domenicali fora da Ferrari – Notícia fresquinha, saiu agora há pouco. Depois de 7 temporadas, Domenicali não é mais chefe de equipe da Ferrari. A equipe diz que Domenicali se demitiu. Obviamente o agora ex-chefe de equipe de Maranello foi mandado embora. A Ferrari precisava de um bode expiatório para o fraco início de temporada e, como não é do feitio da cúpula do time assumir seus erros,  joga-se a culpa no pobre Domenicali. Montezemolo aprendeu direitinho com o velho Commendatore. Quem assume o cargo é Marco Mattiacci , atualmente o chefe de operações da Ferrari nos EUA.

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Bode expiatório do fracasso de Maranello

Michael Schumacher mostra evolução em seu quadro – Uma boa notícia, nesta segunda feira. A assessora de imprensa do heptacampeão concedeu entrevista à TV alemã e disse que Schumacher tem “momentos de consciência” e mostra “pequenos sinais de progresso” chegando a ter momentos em que fica acordado e consciente. Keep fighting Michael!

#KeepFightingMichael

KeepFightingMichael

Niki Lauda rebate críticas de Ecclestone e Montezemolo ao regulamento – Bem ao seu estilo, direto, ácido e sem papas na língua, Niki Lauda rebatou duramente as críticas feitas ao atual regulamento da Fórmula 1, principalmente as de Bernie Ecclestone e Luca di Montezemolo.  Lauda disse que é “estúpida”  a forma como ambos criticam o regulamento, indo de encontro aos interesses da própria categoria, o que poderia, inclusive, “destruir a Fórmula 1”. Como eu disse semanas atrás: O que se vê da parte desses dois, Bernie principalmente, é uma verdadeira campanha difamatória na tentativa de se marcar posições numa guerra de poder contra a FIA. A atitude de Montezemolo, ao endossar as críticas de Ecclestone, é apenas mais uma comprovação da forma, a meu ver, espúria, como a Ferrari lida com as situações quando seus interesses são contrariados, ou quando ela se vê sem condições de ganhar na pista. Como tudo o que envolve Ferrari e Ecclestone, nos últimos anos: lamentável!

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Nasceram um para o outro

FIA aceitou a inscrição da Hass para 2015 – Depois de anos sem uma equipe norte-americana na Fórmula 1, a inscrição da equipe chefiada pelo bilionário Gene Hass foi oficialmente aceita para a temporada de 2015. Hass não é nenhum “leigo” no esporte a motor, tem uma equipe na NASCAR com quatro carros já há mais 10 anos e conseguiu um título de pilotos em 2011. E o mais importante: tem uma situação financeira extremamente sólida e excelentes condições de atrair patrocinadores. Pelo que parece, depois do fracasso da natimorta USF1, a FIA conseguiu finalmente atrair gente séria do lado de cá do Atlântico para compor o grid. A Federação ainda analisa o pedido de inscrição de uma tal “Forza Rossa”, equipe romena ligada a um grupo comandado pelo nada confiável Collin Kolles. Essa aí me cheira a mutreta de uma outra “rossa”, que sempre foi chegada numa maracutaia…

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O homem que botou os EUA de volta ao grid

Prefeitura de São Paulo renova o contrato com a FOM até 2020 – Serão mais seis temporadas garantidas para o GP do Brasil em Interlagos. O acordo assinado entre o prefeito Fernando Haddad e Bernnie Ecclestone exclui a proposta original de se construir os boxes na Reta Oposta, mantendo a configuração atual. Os boxes e paddock serão reformados e a pista recapeada.

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Mais seis temporadas em Interlagos

Jean Todt diz poder repensar pontuação dobrada em Abu Dhabi – Motivado pelas reações negativas dos fãs, que acreditam ser uma idiotice completa, Jean Todt admite que talvez seja necessário rever essa regra imbecil (todos os adjetivos pejorativos são por minha conta). Enfim alguma coisa que presta.

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Um pouco de bom senso de Todt

Pilotos à beira da anorexia – OK, essa chamada foi sensacionalista, mas é quase isso que vem acontecendo. Como os sistemas de recuperação de energia e novos motores turbo trouxeram um peso extra aos carros, a FIA aumentou o limite mínimo de peso dos mesmos. O problema é que o aumento de 50 Kg (se não me engano) não foi o suficiente e, para compensar, o pilotos vêm fazendo dietas extremamente rigorosas para não comprometer o desempenho dos carros, e muitos deles estão, literalmente, à beira da desnutrição. Jean-Éric Vergne chegou a ser internado entre os GPs da Austrália e Malásia, devido à fraqueza causada pela dieta extrema. As equipes já enviaram um pedido formal à Federação para a revisão e aumento do peso mínimo dos carros, o que só poderá ser modificado no ano que vem e se houver unanimidade.

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Impressiona a magreza de Vergne

Esse é o primeiro resumão de notícias do SF1T. Sempre que tiver algo de relevante fora das corridas, eu venho aqui e faço outro destes.

E fiquem por aí, que ainda hoje eu volto com a Quinzena das Nanicas.

Barulho

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Bernie Ecclestone resolveu empreender uma cruzada contra os motores V6 turbo. Bem, na verdade, desde que os novos propulsores foram anunciados, o detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1 já tinha dado declarações se posicionando contra a mudança. O principal argumento é que devido ao regime de rotação mais baixo, na ordem de 15.000 giros por minuto, contra 18.000 do ano passado, mais o turbo que ajuda a abafar, o som dos motores teria ficado sem graça, sem cara de som de motor de carro de corrida.

Então eu pergunto ao amigo leitor: E daí? Será que isso realmente importa? Eu sei que automobilismo é um esporte que traz à tona as mais variadas sensações, que estimula quase todos os nossos sentidos, e o som dos motores tem sua importância. Mas seria algo tão primordial a ponto de Ecclestone querer iniciar uma “guerra santa” contra Jean Todt e a FIA? Será mesmo que o som é tão mais importante que a competição em si? Ora, o som pode “não ser dos melhores”, mas vale lembrar que a velocidade final dos carros é bem maior do que com os V8. Projeções indicam velocidades próximas a 370 Km/h em Monza!

Todo mundo que acompanha a Fórmula 1 sabe que Ecclestone é um sujeito que não mede esforços para sempre tirar vantagem e ganhar cada vez mais dinheiro, mesmo estando podre de rico e velho o suficiente para saber que não tem necessidade de acumular mais. Todo mundo sabe que ele é um homem inteligente, e que nunca deixa escapar uma boa oportunidade de lucrar. O que eu não consigo entender é o porquê dessa atitude tão, me desculpem, burra, nesse caso. Pensem comigo: O objetivo de se terem introduzido todas essas mudanças foi a economia. Mas é lógico que, a curto prazo, demanda-se um grande investimento. E quem poderia arcar com esse investimento? As grande fabricantes (montadoras). Esse esquema de downsizing, sistemas de recuperação de energia, é tudo que elas precisam para voltar a investir na Fórmula 1. Isso dá uma base REAL de desenvolvimento aplicável em seus carros de rua. Não é à toa que o Grupo Volkswagen, via Audi e agora Porsche, e a Toyota, antes a Peugeot, investem nas corridas de longa duração, que já utilizam tecnologias que permitem o uso em modelos de rua. Não é à toa que a Honda vai voltar à Fórmula 1 em 2015, que se fala numa volta da Ford (inclusive com boatos de que recompraria a Cosworth), que a Mercedes se empenhou tanto no desenvolvimento desse motor, e a Renault, prestes a pular fora, segurou as pontas. Indo contra o novo esquema técnico, tentando forçar seu fracasso, através de uma campanha difamatória, que é praticamente o que ele tem feito, Ecclestone vai contra as maiores interessadas em investir na categoria da qual ele retira seus sagrados milhões a cada fim de semana. Ele age contra seus próprios interesses.

Sinceramente, apesar de saber que essa é uma guerra por dinheiro e poder, é difícil demais saber quais são, de fato, os movimentos de Bernie Ecclestone. Até onde e o que ele está disposto a arriscar nessa sua briga com Jean Todt e a FIA. Nós sabemos que ele não é nenhum louco, ou burro, mas esses últimos movimentos me deixaram com uma pulga atrás da orelha, e certa desconfiança quanto à capacidade estratégica do velho Bernie. Só espero que toda essa confusão não acabe com a Fórmula 1 justamente no momento em que ela começa uma nova fase tão empolgante quanto esta…

50’s – Bernie

Acreditem ou não, esse é Bernie Ecclestone ao volante de um carro de Fórmula 1. Ele disputou somente duas provas, os GPs de Mônaco e da Grã-Bretanha de 1958. Foi assim, como piloto, que começou sua longa história na categoria máxima.

Curtas

Depois do GP da Hungria, a Fórmula 1 dá uma parada e só volta no último fim de semana de Agosto em Spa-Francorchamps. Mas nos bastidores, o movimento continua, então vamos dar uma olhada no que eles andam fazendo e dizendo por aí.

  • A Renault revelou o problema que causou o incêndio no carro de Nick Heidfeld: Um superaquecimento provocado pela mudança do mapeamento do motor. Segundo entrevista do diretor técnico da equipe, James Allison, à revista Autosport, o mapeamento usado no motor teria produzido uma exaustão mais quente que o normal, causando uma rachadura no escapamento, essa rachadura teria aumentado ao longo da corrida e causado o superaquecimento, que culminou com o incêndio no carro do piloto alemão. O chassi usado em Hungaroring será descartado pela equipe.

Superaquecimento no motor teria causado incêndio no carro de Heidfeld na Hungria

  • O atual calendário, com 20 provas, vem sendo considerado um tanto exagerado pelas equipes, mas tem gente que pensa diferente. Segundo o chefe da Williams, Adam Parr, o aumento do número de corridas poderia ajudar a melhorar a situação financeira das equipes, gerando mais receita para elas. Parr também comentou o fato de que a BBC não transmitirá mais a temporada completa a partir do ano que vem, sendo que parte das corridas será transmita por pay-per-view pelo canal Sky Sports. Segundo o dirigente, a Fórmula 1 é um espetáculo muito caro, e se a BBC não tem condições de bancar a temporada, é inevitável que alguém que tenha como pagar assuma o controle, mesmo que repasse os custos ao público.
  • Ainda sobre a Williams, o site da emissora norte-americana Speed Channel afirma que Rubens Barrichello pode ser substituído por seu antigo companheiro Nico Hülkenberg ou por Adrian Sutil em 2012. Já na Red Bull, Helmut Marko disse que Webber fica para 2012, mas que para 2013, provavelmente, seria substituído pelo seu compatriota Daniel Ricciardo, atualmente na Hispania.

Um desses dois pode ocupar a vaga de Barrichello em 2012

  • A Pirelli divulgou quais compostos serão utilizados nas próximas três etapas do Mundial. Médios e macios em Spa-Francorchamps e Monza, e macios e supermacios em Cingapura.
  • A Fórmula 1 pode ter uma prova de rua em Nova York a partir de 2013. O GP seria disputado às margens do rio Hudson, próximo à famosa ilha de Manhattan, o coração da cidade. Esse é um desejo antigo de Bernie Ecclestone, e pode estar bem próximo de se concretizar, já que o próprio prefeito da metrópole, Felix Roque, se mostrou favorável ao projeto.

Projeção do possível traçado da pista de rua de Nova York