Sobre Massa e Raikkönen

17mar2013---kimi-raikkonen-e-felipe-massa-conversam-durante-a-foto-oficial-dos-pilotos-da-temporada-de-2013-1363503993507_956x500

A saída de Felipe Massa da Ferrari, e a volta do Kimi Raikkönen a Maranello para ocupar o lugar deixado pelo brasileiro é o grande assunto da silly season 2013. Eu não tenho o costume de abordar esse tipo de assunto aqui no blog, mas a coisa toda é importante demais para passar batida.

Felipe Massa ficou por 12 anos ligado à Scuderia, sendo que nesse tempo, foram oito temporadas como titular. É o segundo piloto com mais corridas disputadas pela equipe, atrás apenas de Michael Schumacher. Passou por grandes momentos, como o vice-campeonato em 2008, e por situações constrangedoras, como o “Fernando is faster than you”, em 2010. No meio do caminho, a mola do Brawn de Rubens Barrichello, e o maior susto de sua vida.

O brasileiro já estava na berlinda há algum tempo. Desde o acidente em 2009 e a posterior entrada de Alonso na equipe, com a vertiginosa queda de rendimento, o posto do brasileiro vinha sendo questionado, com a imprensa dando como certa sua demissão em várias ocasiões. Dessa vez, aconteceu.

Os motivos que levaram a isso já foram amplamente discutidos, é quase que consenso que o acidente na Hungria e a entrada de Alonso são os principais responsáveis pela “decadência” de Massa. O acidente certamente deixou sequelas, sejam físicas, sejam psicológicas. Nessa hora vale lembrar-se de Nelson Piquet e seu acidente em Ímola, em 1987: o tricampeão deixou muito claro que seu rendimento caiu demais depois disso. Isso valeu para Felipe Massa. O outro ponto, a chegada de Alonso, só contribui para aumentar ainda mais a pressão sobre o brasileiro. O espanhol chegou como a grande contratação, dominou a equipe de uma forma avassaladora, e deixou claro para Massa qual era seu papel dentro do time. Com isso, o piloto brasileiro foi tendo cada vez mais dificuldade em encontrar seu lugar na Scuderia e acabou chegando a esse ponto. Chances foram dadas, mas ele não teve nem condições de aproveitá-las.

Indo para o outro lado, Kimi Raikkönen volta à Ferrari depois de uma passagem “meia-boca” no WRC e duas temporadas excelentes na Lotus. É certo que o finlandês saiu da equipe de Maranello em uma situação desconfortável, totalmente desmotivado e sendo batido na pista pelo próprio piloto que ele irá substituir. Mas Kimi é um excelente piloto, quando se sente confortável. Sua passagem pela Lotus, uma equipe que o deixa fazer as coisas do jeito dele, prova isso. É rápido, sabe construir uma estratégia, e se aproveitar dos infortúnios dos rivais para marcar pontos e vencer corridas. Foi assim que conquistou seu título, em 2007. É um cara que não tem mais nada a provar.

Então a pergunta é: Por que voltar à Ferrari, se ele saiu de lá brigado com todo mundo, e a Lotus dá todas as condições dele fazer o que quiser? Grana, a meu ver. Na Ferrari ele tem a possibilidade de ganhar muito mais do que na Lotus, além do que, a equipe italiana tem muito mais condições de investimento e de proporcionar um carro que seja competitivo durante toda a temporada, do que o time de Enstone.

O que me intriga, de fato, é como será a relação entre Raikkönen, Alonso e Ferrari. A equipe não é de colocar dois campeões, ou mesmo dois pilotos de tão alto nível juntos. Em geral, trabalha com um piloto para ajudar a somar pontos, e outro para disputar o título. É difícil saber como a equipe vai lidar com dois pilotos que, possivelmente, vão disputar o título. E Fernando Alonso, na oportunidade em que precisou dividir as atenções de uma equipe com outro piloto, em 2007, na McLaren com Lewis Hamilton, mostrou que esse tipo de situação o deixa muito desconfortável. A perda do título para Raikkönen é um ótimo exemplo disso. Já Raikkönen não se dá muito bem com o tipo de relacionamento que a Ferrari impõe a seus pilotos, o finlandês odeia ser pressionado, odeia ser obrigado a fazer o que não quer.

Não posso afirmar que essa parceria tende a dar errado, mas as chances existem, como também pode acontecer algum “milagre” e as coisas correrem muito bem nos bastidores. Na pista, ambos são pilotos excelentes, com totais condições de disputarem o título, mas será que a Ferrari vai deixar isso acontecer? Aí a gente volta naquela coisa, da falta de “tradição” da equipe em lidar com dois postulantes ao título em suas fileiras.

Sinceramente, só vendo, para saber o que vai dar.

Adeus

Photo by massafelipe

Felipe Massa está fora da Ferrari. O piloto anunciou pelo Instagram sua saída da “Máfia de Maranello” agora há pouco.

Isso abre espaço para a tão falada e aguardada volta de Kimi Raikkönen ao time italiano. E não sei, não tenho fontes, é só um palpite, mas eu acho que a coisa vai ser mais séria ainda, por lá. Não me surpreenderia que Fernando Alonso também tomasse um pé na bunda.

Vejamos o que vai acontecer…

Já Virou Putaria

Depois de Flávio Briatore que conseguiu na justiça comum o direito de voltar à Fórmula 1, após ser banido do esporte pela FIA por ser considerado responsável pelos eventos de Cingapura 2008, a Ferrari ameaça fazer a mesma coisa, caso seja condenada pelos eventos de Hockenheim 2010.

Segundo o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport”, a equipe estaria disposta a entrar na justiça para reverter uma possível punição dada pelo Conselho Mundial da FIA. A equipe não confirma oficialmente, mas ainda segundo o jornal, o time dirá que a suposta ordem para que Felipe Massa deixasse Fernando Alonso fazer a ultrapassagem, seria, na verdade, uma explicação sobre a situação do piloto brasileiro na corrida.

Sinceramente; só falta tampar o caixão e enterrar essa coisa que eles chamam de automobilismo…

Massa e Alonso, Hockenheim 2010

Atendendo a Pedidos

Atendendo ao pedido do meu amigo Otávio Castro (grande guitarrista e fã da F1), uma pequena “homenagem” ao espírito esportivo demonstrado pela quadrilha de Maranello no GP da Alemanha…

Devidamente “roubado” do ótimo Kibe Loco

Alemanha 2010 – Corrida

Fernando Alonso voltou ao lugar mais alto do pódio hoje. E a Ferrari voltou a fazer das suas. Nojenta, como sempre, a escuderia de Maranello fez o que todos nós já esperávamos que fizesse. Felipe Massa liderava a prova após uma largada espetacular (coisa rara), e, na 48ª volta veio a ordem: “Fernando está mais rápido, você consegue entender essa mensagem?”; imediatamente o brasileiro diminui o ritmo e deixa seu companheiro de equipe ultrapassá-lo. Segundo Luciano Burti, da Globo, em condições normais de disputa, Fernando não conseguiria tomar a posição de Felipe. A FIA multou a Ferrari em 100 mil dólares, e convocou uma reunião extraordinária do Conselho Mundial de Esporte a Motor para julgar o caso. Sebastian Vettel (Red Bull/Renault) chegou em terceiro no seu GP caseiro.

Alonso e Massa, revivendo o GP da Áustria 2002

Mas falemos da corrida…

A esperada chuva não veio. Com tempo seco, Felipe Massa larga muito bem e toma as posições de Vettel e Alonso logo na primeira curva. As posições são mantidas e começa uma bela disputa entre os dois pilotos da Ferrari, com a equipe ainda não interferindo na disputa entre seus pilotos.

Após a primeira rodada de pit-stops, as posições são mantidas, mas Felipe, com pneus duros, começa a ter problemas com o aquecimento da borracha, e Fernando se aproxima, tentando a ultrapassagem no Hairpin, na 21ª volta. Felipe defende e se mantém na ponta, até a 48ª volta, quando vem a ordem para que Felipe deixe Fernando passar. Na volta seguinte o brasileiro atende, e deixa o asturiano fazer a manobra.

No final Alonso cruza a linha de chegada sob o silêncio indignado da torcida alemã (que, independente de seus pilotos estarem ou não na frente, são grandes apreciadores do espetáculo).

A imagem do corporativismo ferrarista