Papo Motor Episódio 3

Episódio 3

E está no ar mais uma edição do Papo Motor!
Dessa vez a gente falou da vitória das equipes e pilotos na questão da classificação, falamos sobre a briga de poder na Fórmula 1, sobre as expectativas para o GP da China e muito mais.
Acessem o blog do Papo Motor, ouçam, baixem e compartilhem.

PS: A partir de agora, os novos episódios vão ao ar às quartas-feiras à noite.

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Mudanças

A grande notícia do dia é que a Federação bateu o martelo e anunciou as mudanças que serão implementadas na Fórmula 1 já para a temporada de 2017. A rigor, ficou decidido que os carros ficarão mais largos, com pneus também mais largos e a asa traseira mais baixa e também mais larga. O objetivo é que se obtenha mais downforce, aumentando a velocidade em curvas. As previsões são de que os carros fiquem até 3 segundos mais rápidos por volta. Também ficou decidido que os monopostos terão um proteção para cabeça.

Sobre a parte de aerodinâmica, eu tendo a concordar. Acho que tudo que for feito para se deixar os carros mais rápidos é válido, é bom para o espetáculo, é bom para os pilotos e é bom para a categoria em si. Gostei muito da mudança de dimensões dos pneus (passando de 245 para 305 mm na frente, e de 325 para 405 mm atrás), essa medida aumenta consideravelmente a aderência mecânica, trazendo mais uma variável às disputas em pista. Só espero que a FIA e a Pirelli decidam por pneus que não se desgastem tão rápido, como tem sido o modelo atual.

Imagem meramente ilustrativa.

Imagem meramente ilustrativa.

Agora falemos sobre a proteção para a cabeça, no cockpit. Eu não sou do tipo que diz “automobilismo é esporte de risco e danem-se as consequências”. Sim, eu tenho plena consciência de que automobilismo é sim um esporte de risco. Tenho consciência de que os pilotos aceitam assumir esse risco ao entrar em um carro de corrida, mas acredito que, se algo pode ser feito para se diminuir esse risco, que seja feito. Mas eu tenho um problema com relação a esse tipo de dispositivo. Não é nada ligado à tradição do esporte (“monoposto é aberto, se quer carro fechado vai correr de turismo”, ou outras tolices do tipo), mas à própria questão de segurança.

Modelo de proteção de cabeça que será adotado em 2017

Modelo de proteção de cabeça que será adotado em 2017

O modelo que a FIA disse que irá adotar é o conceito HALO, apresentado em 2015. Olhando bem a foto, dá pra identificar problemas com o mesmo. O primeiro e mais óbvio é a barra que fica na frente do cockpit. Sim, na frente da cara do piloto. Obviamente não é uma coluna grega, mas eu acredito que possa causar problemas de visibilidade. A gente sabe que visibilidade não é o forte de carros de corrida, então, tudo que possa vir a trazer mais problemas, deve ser muito bem analisado. Outro grande problema, ao meu ver, são as barras laterais que, se forem fixas, vão atrapalhar, e muito, a entrada e saída dos pilotos no carro (imagina um carro pegando fogo e o piloto tendo que pular aquele troço?). Além do mais, essa estrutura me parece ser eficiente apenas para objetos grandes, como uma asa solta, um pneu, ou mesmo uma colisão como a que aconteceu entre Schumacher e Liuzzi no GP de Abu Dhabi de 2010. Mas não seria efetivo para pequenos objetos, como a mola que acertou a cabeça de Felipe Massa na Hungria, em 2009.

Eu concordo que a busca de mais segurança deva ser um dos objetivos principais da Fórmula 1, mas acredito que a coisa deva ser feita com mais calma, e com mais análise. Sim, analisaram por um bom tempo, mas eu acho que foi pouco, já que a impressão que eu tenho, é que o tiro pode sair pela culatra.

É bom lembrar que as mortes de Justin Wilson (Indy) e Jules Bianchi, que foram o estopim dessa pressa da FIA, não seriam evitadas, infelizmente, por esse dispositivo, dada a natureza de suas lesões.

Eu também vou reclamar!

O Schelb voltou!

Mais ou menos. Minha intenção é voltar a escrever aqui, mas não esperem textos diários, eu bem que gostaria de fazer isso, mas ainda não consigo achar uma linha para seguir com esse blog. Então peço que tenham paciência comigo.

O que me faz voltar a este boteco é a onda generalizada de protestos com os atuais caminhos da Fórmula 1. Não é segredo para ninguém que a categoria enfrenta uma das maiores, senão a maior crise da sua história. Minha intenção, neste texto, não é tentar apontar um caminho para a solução (se eu tivesse esse caminho, estaria com o emprego do Bernie Ecclestone, e não escrevendo bobagem num blog obscuro). Venho aqui somente para me juntar ao coro dos descontentes e expor minha raiva e frustração diante da situação totalmente absurda que a Fórmula 1 vive.

Primeiramente não há como apontar um culpado, apenas, pela situação. A tendência natural é jogar a culpa no Bernie e no modelo de negócios da categoria que, nos últimos tempos, vem se tornando insustentável. Sim, ele tem sua parcela de culpa. Os valores cada vez mais exorbitantes cobrados aos organizadores dos grandes prêmios é um problema gigantesco. Ninguém quer pagar dezenas e dezenas de milhões de dólares para organizar uma corrida que ninguém quer assistir. O recente GP da Austrália é prova disso: Poucos carros no grid, corrida chatíssima e audiência muito baixa. Ok, tinha uma quantidade de gente razoável nas arquibancadas do Albert Park, mas nós temos que entender que a Austrália é um país onde o automobilismo é um esporte fortíssimo, por isso o público ainda comparece. Mas é fácil, também, perceber que não é mais a multidão que costumava ser antes. Isso porque eu citei uma das mais tradicionais corridas do calendário atual. O que dizer, então, de corridas em países onde praticamente inexiste tradição no esporte? China, Bahrein, Abu-Dhabi e outros são provas cabais disso. Muita ostentação e ninguém nas arquibancadas. Falar da preferência da FOM por esses países (nem tanto) endinheirados é chover no molhado: todo mundo sabe o porquê deles estarem no calendário.

Muitos falam na atual crise econômica, que estourou em 2008, como um outro fator importante neste contexto. Sim, é importante, várias equipes e patrocinadores deixaram a categoria por achar que não vale a pena investir milhões de dólares em um esporte, enquanto passam por uma recessão brava tendo que reduzir investimentos importantes e, até mesmo, demitir funcionários. Logicamente essa crise reflete no calendário. Com os preços já abusivos, os países europeus, os mais atingidos pela crise, têm cada vez mais dificuldade em arcar com os custos de uma coisa praticamente supérflua como a Fórmula 1. O cancelamento do GP da Alemanha não deixa mentir. Mas crises são cíclicas, elas vêm e vão, e a Fórmula 1 já atravessou crises econômicas mundiais piores que essa. E saiu firme e forte.

Um outro fator que eu, particularmente, considero fundamental é o regulamento técnico. Não adianta, ninguém gostou dele. Eu confesso que inicialmente me empolguei com essa coisa do turbo e tudo mais mas, o balde de água fria que veio depois, sossegou meu facho. Nada contra sistemas de recuperação de energia, motores mais econômicos e tecnologia em si, mas isso não combina com a Fórmula 1. O que todo mundo que ver ali é aquela velha mescla de força bruta dos motores com o refinamento aerodinâmico dos chassis. Sistemas híbridos são legais mas, para mim, funcionam melhor numa categoria como o WEC que, além de usá-los de uma forma muito mais interessante que a Fórmula 1, tem uma proposta que combina de verdade com eles. Mas quando eu falo de regulamento, não falo apenas do atual. Falo de todos os erros cometidos pela FIA nos últimos 20 anos, nesse sentido. O principal é a insistência em manter o regulamento técnico extremamente restritivo, forçando as equipes a criarem carros cada vez mais parecidos entre si e podando a criatividade dos engenheiros, fazendo com que inovações realmente interessantes não sejam implementadas. Muita gente acha que isso nivela a categoria e o piloto passa a fazer mais diferença. Mas essa é uma noção falsa. Com um regulamento tão restrito, qualquer um que consiga achar uma brecha vai dominar o campeonato de forma acachapante e não vai dar chance para que ninguém “corra atrás do prejuízo”, pois com regras como congelamento de desenvolvimento dos motores, proibição de mudar relação de marchas ao longo da temporada (olha o ponto ao qual o absurdo chegou!) e restrições no desenvolvimento aerodinâmico, entre outras, não tem como! Quando o regulamento é mais aberto, os engenheiros podem criar, e isso estimula as equipes a manterem a concorrência através do desenvolvimento contínuo de seus carros.

Existem outros fatores importantes, como a escalada dos custos, as restrições para a entrada de novas equipes e o número exagerado de pilotos ruins com “padrinhos ricos”, por exemplo. Tudo isso somado não só fez a Fórmula 1 cair nessa crise, como criou um círculo vicioso do qual a categoria não consegue sair.

O que se vê é uma gritaria pedindo a cabeça do Bernie. Eu concordo que o tempo dele passou, e o modelo que insiste em manter é ridiculamente insustentável. Mas e se ele se aposentar ou mesmo morrer? O amigo Ron Groo levantou a questão em seu blog, hoje. E é notório que é muito difícil pensar num jeito de a Fórmula 1 se reinventar sem ele. Como eu disse anteriormente, não é minha intenção indicar um caminho, mas é óbvio que eu vou dar meus pitacos. O que eu vejo como o ideal a se fazer é a FIA assumir diretamente a responsabilidade pela organização da Fórmula 1, mas fazer do jeito certo, como faz com o WEC. Usando de uma boa estratégia de publicidade; aproximando, de fato, a categoria dos fãs (via redes sociais, aplicativos etc); dando incentivo para que os autódromos e países tradicionais voltem ao calendário e, principalmente, dando liberdade para as equipes desenvolverem sem tantas amarras. Esse é o ponto principal. A coisa sempre funcionou assim, e foi por isso que a Fórmula 1 sobreviveu por tanto tempo. Se todos os envolvidos tiverem esse objetivo em comum, a Fórmula 1 pode voltar a ser uma categoria realmente empolgante, como sempre foi.

Saco de besteiras (ou Jean Todt, o fantoche)

O dia 8 de setembro de 2010 será lembrado como o dia em que todas as esperanças de que ainda existia ética, esportividade, e respeito com os torcedores na Fórmula 1 foram por terra.

O Conselho Mundial de Esporte a Motor da FIA acaba de anunciar sua decisão de não punir a Ferrari pela palhaçada de Hockenheim, e mais: a regra sobre jogo de equipe será revista, num claro sinal de que a máfia de Maranello terá legitimadas as suas falcatruas.

Isso tudo prova o que eu venho dizendo desde a eleição do Sr Jean Todt para a presidência da FIA; que a Fórmula 1 vai ser refém de Maranello, a Federação fará tudo o que for possível para que essa escória do esporte a motor chamada Ferrari seja beneficiada em tudo. Não se surpreendam caso a FIA volte atrás na mudança da regra, anunciada para 2013, que prevê o uso de motores turbo e efeito-solo (confira o post anterior); a Ferrari já se posicionou contra, alegando que não há tempo hábil para o desenvolvimento dos motores a partir do zero (ou seria medo de voltar ao limbo em que a corja se afundou durante toda a era turbo, nos 80?).

Ele fica bem à vontade com essa roupa…

Além disso, a FIA anunciou, também, o calendário para a temporada de 2011. As novidades ficam por conta da inclusão do GP da Índia, e a volta do GP do Brasil como o palco do encerramento da temporada

Sobre a 13ª vaga, a entidade não escolheu nenhuma das postulantes, mantendo o campeonato com as mesmas 12 equipes desse ano (isso se nenhuma delas quebrar antes). O argumento é de que nenhuma delas (incluindo a excepcional estrutura da Epsilon Euskadi) corresponderia às exigências de estrutura e capacidade competitiva para entrar na categoria (ah, sim, claro, a Hispânia e a Virgin devem atender, não é “seu” Jean Todt?). Não me surpreenderia se aparecessem evidências de que certo grupo mafioso italiano tenha feito lobby contra a novata…

Realmente, a Hispânia tem uma estrutura campeã…

Enfim, essas são as notícias de hoje. Desculpem-me se elas causam indignação, repulsa e ânsia de vômito nos amigos leitores…

Eu realmente gostaria de vir aqui para dar boas notícias, mas levando-se em consideração a atual conjuntura da Fórmula 1, isso é quase impossível, e quando acontece, aceitem meu conselho: fiquem “com o pé atrás”.