Bahrein 2016

E mais uma vez eu sou surpreendido com uma boa prova nas areias escaldantes do Bahrein. Não, eu não vou começar a cair de amores pelo autódromo de Sakhir, mas devo admitir que a corrida lá foi bem interessante esse ano.

E, como sempre, vamos por tópicos.

Largada do GP do Bahrein (Foto: Getty Images)

Mercedes Nenhuma surpresa com o domínio acachapante do time prateado nas sessões de treinos e classificação. O grande problema foi o desempenho errático de Lewis Hamilton na corrida. O tricampeão largou mal de novo, foi tocado por Valtteri Bottas e não conseguiu acompanhar o ritmo de Kimi Raikkonen, ficando em um frustrante terceiro lugar. Melhor para Nico Rosberg, que venceu novamente (quinta vitória consecutiva do alemão, contando as três últimas provas de 2015 e as duas primeiras dessa temporada) e abriu vantagem na tabela. Uma coisa que me chamou atenção é que parece que o F1 W07 Hybrid não vem tratando muito bem os pneus, e parece apresentar problemas crônicos nos freios. A larga vantagem que Rosberg tinha sobre Raikkonen foi drasticamente diminuída no fim da prova, por esses motivos.

Nico Rosberg vence mais uma e abre vantagem na classificação do campeonato (Foto: Getty Images)

Ferrari Grande corrida de Kimi Raikkonen. Mesmo largando mal mas, desta vez sem problemas no carro, conseguiu manter um ótimo ritmo de corrida e chegou em um excelente segundo lugar. Sebastian Vettel teve um motor estourado ainda na volta de aquecimento, e sequer largou. Mesmo com o problema apresentado no carro do alemão, é notória a evolução da Ferrari, que vem conseguindo ter um bom ritmo de corrida, acertando as estratégias, e vem andando mais próxima da Mercedes aos domingos.

Williams Prova discreta do time de Grove. Fica claro que a Williams não conseguiu acompanhar o desenvolvimento da Ferrari e periga andar atrás da Toro Rosso, da Red Bull e Haas, esse ano. Felipe Massa fez uma corrida poupando equipamento, mas reclamou bastante da estratégia de apenas duas paradas, que lhe custou melhor posição ao final da corrida. Chegou em oitavo. Já Bottas arrumou um salseiro danado com Lewis Hamilton na largada, quase tirou o inglês da prova, tomou um drive-through, mas conseguiu ainda chegar em nono e salvar dois pontinhos. Vale destacar a excelente largada do brasileiro, que pulou do sétimo para o segundo lugar.

Bottas quase tira Hamilton da prova  (Foto: Getty Images)

Bottas quase tira Hamilton da prova (Foto: Getty Images)

Red Bull A equipe austríaca parece mostrar uma certa evolução em relação a 2015, com melhor ritmo nas corridas. Daniel Ricciardo chegou em um bom quarto lugar e Daniil Kvyat chegou em sétimo, após uma corrida onde passou quase que despercebido. Apesar da pequena evolução, a meu ver, a Red Bull ainda anda meio discreta demais nas corridas. Mesmo o bom desempenho de Ricciardo nas duas primeiras provas do ano não consegue apagar essa impressão.

Haas Depois de duas corridas com excelentes resultados, eu posso dizer que o time ianque não veio para a Fórmula 1 a passeio. O projeto é sério, e tem grandes chances de dar realmente certo. Não que eu duvidasse da capacidade de Gene Haas, mas o início dos trabalhos na Fórmula 1 é sempre muito complexo. Mas o time tem competência de sobra. Romain Grosjean foi, mais uma vez, o grande destaque positivo do domingo, na minha opinião. O franco-suíço fez uma corrida brilhante e só não conseguiu um resultado melhor que o já excelente quinto lugar, por conta de um pequeno erro da equipe em seu terceiro pit-stop. Normal, coisa que acontece nas melhores equipes. Esteban Gutiérrez teve azar novamente e precisou abandonar, com problemas nos freios. É realmente uma pena que a equipe tenha tomado a decisão de não mais evoluir o carro para esse ano, já que, mantendo o bom trabalho que vem fazendo, não demoraria nada a beliscar um pódio.

Romain Grosjean, um dos destaques da corrida  (Foto: Getty Images)

Romain Grosjean, um dos destaques da corrida (Foto: Getty Images)

Toro Rosso Apesar do abandono de Carlos Sainz Jr, causado por uma toque com Sergio Pérez, o time B dos energéticos mostrou, mais uma vez, muita consistência, e mostrou que tem um carro muito equilibrado. Max Verstappen chegou numa boa sétima colocação, conseguindo andar na frente de Kvyat, com o carro da Red Bull, e das duas Williams.

Renault – Mais uma prova apagada do time francês. Jolyon Palmer teve problemas hidráulicos na volta de aquecimento e foi outro que não largou. Kevin Magnussen terminou num discreto décimo primeiro lugar. O time segue zerado no mundial de construtores, e dá a entender que tem um longo caminho até as coisas começarem a funcionar por lá.

McLaren O time de Woking teve um fim de semana meio conturbado. Fernando Alonso foi vetado de correr por causa de pequenas fissuras em suas costelas, consequência do pavoroso acidente sofrido por ele em Melbourne, e foi substituído pelo belga Stoffel Vandoorne. E o garoto não decepcionou, fez corrida consistente e conseguiu um bom décimo lugar, marcando seu primeiro ponto logo na sua estreia na Fórmula 1. Já Jenson Button preferiria esquecer o GP bareinita. Com problemas no motor, o campeão de 2009 abandonou a prova ainda no começo.

Force India Outra corrida apagada do time indiano. Os dois carros chegaram atrás da falida Sauber e atrás de um dos carros da Manor. Sergio Pérez se envolveu em confusão com Sainz Jr e Nico Hülkenberg teve problemas durante toda a prova.

Manor Parece que o time teve uma pequena evolução em relação ao ano passado. Pascal Wehrlein fez boa prova e chegou em décimo terceiro. Parece ser bom piloto o garoto alemão. Já seu companheiro, o indonésio Rio Haryanto não fez nada além do que se esperaria dele: chegou em último lugar.

Sauber – As coisas andam feias pros lados da equipe suíça. Sem dinheiro, o time corre o risco de não conseguir viajar à China para o próximo GP, e fala-se de que o Grupo FIAT estaria interessado na compra do time para  transformá-lo na equipe oficial da Alfa Romeo. O fato é que Felipe Nasr e Marcus Ericsson tiveram desempenho sofrível, só conseguindo chegar à frente dos carros da Force India, por causa dos problemas apresentados pelo time indiano, e do inexpressivo Haryanto.

Show de fogos ao final do GP do Bahrein  (Foto: Getty Images)

Show de fogos ao final do GP do Bahrein (Foto: Getty Images)

O Grande Prêmio do Bahrein me surpreendeu mais uma vez. Mesmo sendo uma pista que não agrada, num país sem tradição, pelo segundo consecutivo nós vimos uma prova agitada, com ultrapassagens e boas estratégias de pneus, que movimentaram a corrida.

O próximo compromisso da Fórmula 1 é na China, dia 17 de abril.

 

Classificação final:

Sem título

 

Volta mais rápida: 1:34.482 – Nico Rosberg (Volta 41)

Papo Motor Episódio 1

Sem Título-1

E finalmente está no ar o primeiro episódio do Papo Motor.

A gente teve alguns probleminhas com áudio, coisas de transmissão ao vivo, mas ficou razoável o suficiente pra poder disponibilizar para vocês

Acessem o blog do Papo Motor, e ouçam lá!

Dá pra baixar também, então fiquem à vontade!

Papo Motor

Estreia 1

Eu disse, dias atrás, que estava preparando uma novidade que afetaria o blog. Pois bem, agora é oficial! A novidade é um programa de rádio/podcast que eu e meu brother Ron Groo vamos fazer pela Web Rádio NAC, aqui de Muriaé.
O programa vai ser nos moldes do antigo SF1T Rádio, será transmitido ao vivo pela internet, pela Rádio NAC, e contará com a participação do Marcelo Bittencourt, que fazia o SF1T Rádio comigo, como nosso âncora.
A estréia vai ser no dia 21de março, às 18:15.

Convido vocês a participarem conosco. Ouçam, mandem suas críticas, sugestões, fiquem ligados na gente.
O endereço da rádio é www.radionac.com.br.

Conto com vocês!!

Mudanças

A grande notícia do dia é que a Federação bateu o martelo e anunciou as mudanças que serão implementadas na Fórmula 1 já para a temporada de 2017. A rigor, ficou decidido que os carros ficarão mais largos, com pneus também mais largos e a asa traseira mais baixa e também mais larga. O objetivo é que se obtenha mais downforce, aumentando a velocidade em curvas. As previsões são de que os carros fiquem até 3 segundos mais rápidos por volta. Também ficou decidido que os monopostos terão um proteção para cabeça.

Sobre a parte de aerodinâmica, eu tendo a concordar. Acho que tudo que for feito para se deixar os carros mais rápidos é válido, é bom para o espetáculo, é bom para os pilotos e é bom para a categoria em si. Gostei muito da mudança de dimensões dos pneus (passando de 245 para 305 mm na frente, e de 325 para 405 mm atrás), essa medida aumenta consideravelmente a aderência mecânica, trazendo mais uma variável às disputas em pista. Só espero que a FIA e a Pirelli decidam por pneus que não se desgastem tão rápido, como tem sido o modelo atual.

Imagem meramente ilustrativa.

Imagem meramente ilustrativa.

Agora falemos sobre a proteção para a cabeça, no cockpit. Eu não sou do tipo que diz “automobilismo é esporte de risco e danem-se as consequências”. Sim, eu tenho plena consciência de que automobilismo é sim um esporte de risco. Tenho consciência de que os pilotos aceitam assumir esse risco ao entrar em um carro de corrida, mas acredito que, se algo pode ser feito para se diminuir esse risco, que seja feito. Mas eu tenho um problema com relação a esse tipo de dispositivo. Não é nada ligado à tradição do esporte (“monoposto é aberto, se quer carro fechado vai correr de turismo”, ou outras tolices do tipo), mas à própria questão de segurança.

Modelo de proteção de cabeça que será adotado em 2017

Modelo de proteção de cabeça que será adotado em 2017

O modelo que a FIA disse que irá adotar é o conceito HALO, apresentado em 2015. Olhando bem a foto, dá pra identificar problemas com o mesmo. O primeiro e mais óbvio é a barra que fica na frente do cockpit. Sim, na frente da cara do piloto. Obviamente não é uma coluna grega, mas eu acredito que possa causar problemas de visibilidade. A gente sabe que visibilidade não é o forte de carros de corrida, então, tudo que possa vir a trazer mais problemas, deve ser muito bem analisado. Outro grande problema, ao meu ver, são as barras laterais que, se forem fixas, vão atrapalhar, e muito, a entrada e saída dos pilotos no carro (imagina um carro pegando fogo e o piloto tendo que pular aquele troço?). Além do mais, essa estrutura me parece ser eficiente apenas para objetos grandes, como uma asa solta, um pneu, ou mesmo uma colisão como a que aconteceu entre Schumacher e Liuzzi no GP de Abu Dhabi de 2010. Mas não seria efetivo para pequenos objetos, como a mola que acertou a cabeça de Felipe Massa na Hungria, em 2009.

Eu concordo que a busca de mais segurança deva ser um dos objetivos principais da Fórmula 1, mas acredito que a coisa deva ser feita com mais calma, e com mais análise. Sim, analisaram por um bom tempo, mas eu acho que foi pouco, já que a impressão que eu tenho, é que o tiro pode sair pela culatra.

É bom lembrar que as mortes de Justin Wilson (Indy) e Jules Bianchi, que foram o estopim dessa pressa da FIA, não seriam evitadas, infelizmente, por esse dispositivo, dada a natureza de suas lesões.

Tintas

Como acontece todo ano, quando começa a pré temporada, eu resolvo aproveitar o ensejo e tirar as teias de aranha desse botequim. Então vamos tentar, de novo, dar sequência a este blog. Vamos ver até quando eu vou ter disciplina…

O assunto do momento, como não poderia deixar de ser, são os lançamentos dos carros de 2016. Com exceção da Sauber (que só vai mostrar o C35 em março), todo mundo já mostrou os carros novos. Mesmo que já tenham tido atividades em pista, e a Ferrari tenha andado na ponta com Sebastian Vettel, ainda é muito cedo para se falar alguma coisa. Além disso, eu acredito que testes de pré temporada não servem para grandes coisas. As equipes grandes escondem o jogo, costumam fazer simulação de corrida, e as pequenas aproveitam para andar o mais rápido possível, tentando conseguir algum patrocinador de última hora. A menos que aconteçam problemas homéricos, como aconteceram com a McLaren em 2015, ninguém consegue prever muita coisa com base nesses testes.

Então vamos falar das pinturas dos carros.

Mercedes – Elegante, sóbria, discreta, a pintura do W07 segue no padrão que o time germânico vem mantendo desde sempre. Poucas mudanças, com um pouco mais de detalhes em preto e verde, mas sempre mantendo o prata, cor oficial da Mercedes em competições, na maior parte da carenagem. Ninguém esperaria mais do que isso, no fim das contas, mas fica aquele ar de mesmice.

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Ferrari – A máfia de Maranello vem com mais detalhes em branco, homenageando o clássico 312T, de 1976. Não gostei muito, sempre preferi o esquema de cores que eles usaram de meados dos anos 80 ao início dos anos 90 (carro vermelho, asas pretas e rodas douradas). Mas está longe de ser o pior layout do ano.

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Williams – Manteve o patrocínio da Martini, manteve a pintura de 2015, manteve a beleza. Disparada a pintura mais bonita do grid.

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Red Bull – Gostei muito do esquema de cores foscas, o contraste do azul bem escuro com um vermelho bem chamativo. Dá uma certa luminosidade na pintura (não sei explicar direito). O time dos energéticos conseguiu dar uma reinterpretação muito bacana ao seu já clássico layout (Aí Mercedes, dá pra manter a tradição sem ficar na mesmice…)

Benedict Redgrove / Red Bull Content Pool // P-20160222-00041 // Usage for editorial use only // Please go to www.redbullcontentpool.com for further information. //

McLaren – Ao que parece não é a pintura definitiva. De qualquer forma, ficou feio demais e, mais uma vez, frustrou os saudosistas que esperavam o laranja, cor oficial do time, ou a combinação de vermelho e branco, que não faria nenhum sentido, de qualquer forma, já que o layout era usado por conta do patrocínio da Philip Morris e não por causa da Honda.

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Renault – Veio com uma pintura provisória, quase toda preta, sem graça nenhuma. Eu, particularmente, gostaria de ver um layout que remetesse ao RE60, de 1985 (eu também tenho o direito de ser saudosista, né…), que foi o mais bonito da equipe, na minha opinião. Mas deve vir em preto e amarelo, como foi em 2010.

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Force India – Aparentemente nada mudou, me parece ser exatamente aquela mesma pintura meia-boca do ano passado.

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Toro Rosso – Veio com uma pintura provisória, toda em azul marinho, prometendo grandes novidades para quando o layout definitivo for lançado. Aguardemos, pois.

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Sauber – Ainda usando o C34, de 2015, a equipe suíça mostrou uma pintura com poucas diferenças, com jeitão de agência do Banco Brasil, e cara de carro de categoria de base. Feio.

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Haas – Todo mundo esperava um festival de patriotismo ianque no carro da Haas, mas o que se viu foi quase uma cópia da pintura dos carros da Manor até 2015. Não que seja feio, mas tem aquela cara típica de carro de equipe nanica.

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Manor – Se a Haas copiou o estilo deles, a Manor veio com um layout que lembra um pouco os Toleman de 1982/1983, com toques de pinturas típicas da Indy. Nem feio nem bonito, só sem graça mesmo.

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E vocês, o que acharam? Deixem seus comentários e digam qual carro vocês mais gostaram.

SF1T Classics – Fangio

17 de julho. Há exatos 20 anos, morria o maior piloto de corridas de todos os tempos.
Fica aqui a homenagem do SF1T ao grande e incomparável Juan Manuel Fangio. No vídeo, sua melhor performance, em Nürburgring, que garantiu o seu quinto título mundial.
Assistam aí, e bom fim de semana!