50’s – Em casa

Stirling Moss acelerando seu Mercedes-Benz W196, rumo à vitória em casa. GP da Grã-Bretanha de 1955, em Aintree.

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Top Alguma Coisa – Os Mais Belos

E hoje eu vou inaugurar mais uma seção aqui. Todo mundo faz postagens do tipo top 10 e essas coisa. Eu resolvi fazer isso também. É divertido, e é bom pra encher lingüiça quando não se tem muito assunto.

Então, para inaugurar a seção Top Alguma Coisa, vou aproveitar o gancho da última postagem, e falar um pouco dos carros que, em minha opinião, são os mais bonitos de todos os tempos na Fórmula 1. Quem quiser, faça também a sua lista nos comentários.

10º lugar – Tyrrell 006, 1973

Francois Cevert, aparentemente em Mônaco

Eu confesso que eu acho os carros dos anos 70, em geral, muito feios. Mas esse Tyrrell 006 é bem bonitão. Eu gosto do layout dele, com esse símbolo da ELF gigantesco na frente e, considerando-se que é um carro dos anos 70, até que o conjunto é bem harmonioso. Sem contar que combina perfeitamente com o capacete do Cevert.

9º Lugar – Toleman TG184, 1984

Ayrton Senna, Brands Hatch, 1984

Provavelmente o povo vai questionar essa escolha. Eu não sei exatamente o porquê, mas eu gosto muito desse carro, acho fantástica a disposição das asas traseiras, sem contar a pintura, linda. Além de tudo, tem um enorme valor sentimental, já que foi o carro em que Ayrton Senna estreou na Fórmula 1.

8º lugar – Mercedes-Benz W196, 1954 e 1955

Fangio em Spa-Francorchamps, 1955

Eu devo dizer que meu maior interesse nos carros dos anos 50 é tentar entender como os caras tinham coragem de andar naquelas genringonças. Mas é inegável que a Mercedes conseguiu fazer um carro que, além de ser extremamente eficiente, era muito bonito, tanto na versão open wheel, quanto na streamliner.

7º lugar – Lotus 49, 1967 a 1970

Jim Clark, Zandvoort, 1967

Esse é uma jóia dos anos 60. É impressionante a capacidade que Colin Chapman tinha de fazer carros que eram, ao mesmo tempo, leves, rápidos e bonitos (apesar de serem frágeis como uma casca de ovo). O Lotus 49 não nega a sua linhagem, era lindo, rápido e revolucionário.

6º Lugar – Ferrari 126C2, 1982

Gilles Villeneuve, Jacarepaguá, 1982

Todo mundo sabe que eu odeio a Ferrari. Mas seria uma grande injustiça não citar o 126C2 nessa lista. Ele é de longe o carro mais bonito feito pela máfia de Maranello. Além disso, era um torpedo, corria igual notícia ruim. Mas era tão fraco em termos de segurança, que Nelson Piquet chegou a chamar o carro de “caixão sobre rodas”, e vivia insistindo que alguém ia acabar morrendo nele. Dito e feito: nos treinos do GP da Bélgica, o seu grande amigo Gilles Villeneuve acabou sofrendo um terrível acidente e não sobreviveu. Meses depois foi a vez de Didier Pironi sofrer outro grave acidente com o 126C2, que forçou sua aposentadoria.

5º Lugar – Brabham BT49, 1979 a 1982

Nelson Piquet, Mônaco, 1981

Outro que tem um enorme valor sentimental, afinal de contas, foi o carro que há 30 anos deu o primeiro título ao grande Nelson Piquet. É um dos carros com linhas mais harmoniosas que já rodaram pelos circuitos da Fórmula 1, e com um dos layouts mais bonitos e marcantes de todos os tempos, que é ao mesmo tempo simples e genial.

4º Lugar – Jordan 191, 1991

Bertrand Gachot, Interlagos, 1991

Outro que também tem um layout simples, mas muito marcante. A combinação do azul com verde, que geralmente fica estranha, funcionou perfeitamente bem nesse carro, que tem linhas bem arredondas, de extremo bom gosto.

3º Lugar – Lotus 91, 1982

Roberto Pupo Moreno, Zandvoort, 1982

Eu costumo dizer que as temporadas de 1982 e 1984 produziram os mais lindos carros da história da Fórmula 1. E para confirmar isso, mais um carro dessa temporada, e mais um da Lotus, nessa lista. Esse foi o penúltimo carro da equipe projetado por Colin Chapman. É um primor de design, principalmente nessa versão sem a asa dianteira, que deixa o carro ainda mais charmoso. Sem contar a mitológica pintura JPS, que deixa qualquer coisa linda.

2º Lugar – Williams FW14, 1991 e 1992

Nigel Mansell, Mônaco, 1992

Adrian Newey pode ser considerado como uma espécie de sucessor de Colin Chapman. Seus carros sempre trouxeram soluções geniais, sempre foram verdadeiros foguetes, e claro, sempre foram verdadeiras jóias, em termos de design. O FW14 não foge a essa regra. Sua versão B, de 1992 dominou o campeonato de tal maneira, que levou Ayrton Senna a dizer que se tratava de um caro de outro mundo. A combinação de cores também ajuda muito, além das linhas extremante elegantes. Sem contar esse número 5 pintado em vermelho. Lindo!

1º lugar – McLaren MP4/2, 1984 a 1986

Niki Lauda, Monza, 1984

Bem, eu já falei um pouco desse carro na última postagem. Eu sei que muita gente pode não gostar desse jeitão de tanque de guerra dele, mas eu acho que talvez seja justamente isso que me atrai tanto nele, sem contar o lendário layout Marlboro. Tudo era meio exagerado, era um carro meio gordinho, grandalhão, e tinha um motor que fazia dele um verdadeiro torpedo. Resultado: disputou três temporadas e papou o título de pilotos nas três.

50’s – Maestro

Juan Manuel Fangio, mais uma vez, aqui no Schelb F1 Team.  Agora numa das mais belas fotos de um dos mais belos carros de Fórmula 1 que já existiram: o Mercedes-Benz W196. Aqui, no GP da França de 1954, em Reims, vencido, é claro, por Il Maestro.

Sobre a Pré Temporada

Nesse post eu vou me meter a fazer uma coisa que raramente eu tento, analisar uma situação.

Muito tem se falado dos testes de pré temporada, do acidente de Robert Kubica e suas conseqüências, da situação política no Bahrein e na própria Fórmula 1. Dessa forma eu vou tentar dar meu ponto de vista sobre isso, tentando não parecer um boçal falando do que não sabe…

Sobre a pré-temporada, à primeira vista o que se pode pensar é que o ano será dominado por Red Bull e Ferrari, com a McLaren sendo o grande fiasco, já que o novo MP4-26, apesar de toda a ousadia na sua concepção, se mostrou problemático, podendo, por isso, ser até 2 segundos (!) mais lento que o RB7 e o 150º Italia (ou qualquer nome que essa joça tenha), como deixou escapar Lewis Hamilton alguns dias atrás (depois desmentiu, mas aí já era tarde).

Vettel e Webber na apresentação do RB7

Felipe Massa testando o 150º Italia em Jerez

Hamilton e Button, apresentação do MP4/26

Lançamento do Mercedes-Benz W02

Existia uma grande expectativa, também, por evolução na Mercedes-Benz, mas, apesar de algumas diferenças marcantes em relação ao W01, o W02 me pareceu ser um carro bastante conservador, e o desempenho não foi lá muito empolgante.

Além da McLaren, Renault (para esse blog só existe uma Lotus, o Team Lotus do Fernandez) e Williams vieram com novidades. A Renault vem com um interessante sistema de escapamento frontal, que joga os gases para a parte imediatamente à frente dos sidepods, fazendo que passem por baixo destes na tentativa de conseguir recuperar o downforce perdido com a proibição do difusor duplo. Parece que deu certo. Mas com o acidente de Kubica, as esperanças de resultados mais consistentes diminuíram bastante.

Lançamento do Renault R31, ainda antes do acidente de Robert Kubica

No caso da Williams, a solução para o mesmo problema foi a redução da sessão traseira do FW33, com uma caixa de câmbio bem compacta e a mudança da angulação do eixo traseiro, que se prende diretamente à asa. Essa, por sua vez, é bem diferente da usada no FW32. Também parece ter dado certo, mas o grande problema do time de Grove é o Kers, que ainda não funcionou como deveria.

FW33 com a pintura que remete aos tempos da Rothmans

A Toro Rosso veio com um chassis duplo, o mesmo conceito que a Ferrari usou em 1992; conseguiu até andar razoavelmente bem, mas não me convenceu.

Lançamento do Toro Rosso STR6

A Force India veio com um carro bem conservador, e a grande novidade na equipe é a contratação de Paul Di Resta.

O conservador VJM04

A Sauber vem com um bocado mais de dinheiro essa ano, já que com a contratação de Sérgio Perez, veio também o patrocínio da Telmex através da Claro, mas em termos de carro, o que se viu foi um projeto conservador.

Lançamento do Sauber C30

A Lotus evoluiu bem (pelo menos teoricamente), já que para esse ano conta com os motores Renault e o câmbio da Red Bull, o que pode garantir um salto de qualidade para a equipe malaia.

Kovalainen testando o Lotus T128

Mesmo sendo comprada pela montadora de superesportivos russa Marussia, a Virgin mostra basicamente o mesmo pacote da ano passado, um carro que não é nem um pouco confiável e novamente feito sem túnel de vento. A novidade é a contração do duvidoso Jérôme D’Ambrosio.

Apresentação do Virgin MVR02

E a Hispania parece que vai continuar sendo a piada do grid. O carro ficou pronto somente para o último teste, mas não foi à pista. Segundo a equipe, por que os novos amortecedores ficaram retidos na alfândega, mas há rumores que foi a Cosworth quem não deixou os carros andarem, por falta de pagamento. Vamos ver até quando dura a aventura de José Ramón Carabante…

Hispania F111

Mas as grandes estrelas da pré temporada foram os pneus, a asa móvel e o Kers.

Desenvolvidos para ter um desgaste acentuado, os pneus Pirelli tem causado polêmica. Alguns gostaram porque o fato de ter mais paradas poderia movimentar as corridas; outros acharam que isso é uma manobra artificial. Eu fico no segundo grupo.

E falando em artificialidades, nada é mais artificial do a tal da asa móvel. Principalmente pelas regras do seu uso, sendo permito somente em um ponto determinado da pista, e da distância entre os carros, além de colocar mais um botão no já lotado volante dos carros.

Esse ponto também é citado em relação ao Kers, os pilotos acham que esse excesso de botões pode os colocar em risco. Eu concordo.

Extra-pista, tivemos os problemas em relação ao GP do Bahrein, que foi cancelado por conta das revoltas contra o governo autocrático da família Al Khalifa, a exemplo do que se viu também na Tunísia e no Egito. Levar a Fórmula 1 lá, nessa conjuntura, seria um erro que poderia ter desdobramentos catastróficos, e foi uma decisão acertada, muito embora se tenha relutado muito para tomá-la. A FIA e a FOM não podem fechar os olhos para o que acontece no mundo. Mesmo a Fórmula 1 sendo um esporte de elite, tem que se ter consciência de que o acontece em volta, afeta a categoria de uma forma e de outra, mesmo que apenas a imagem da categoria seja afetada. Bernie Ecclestone ainda quer remarcar a prova, o que é consenso, seria uma loucura, por não haver espaço no calendário. Vamos ver o que vai dar isso…

A revolta no Bahrein obrigou o adiamento do início da temporada (note que o uso das redes sociais também é massivo nesse caso)

Bem, o que eu posso dizer, é que, no fim das contas, os resultados da pré temporada são inconclusivos, o que resta é esperar o GP da Austrália nesse fim de semana e ver o que acontece.