Tintas

Como acontece todo ano, quando começa a pré temporada, eu resolvo aproveitar o ensejo e tirar as teias de aranha desse botequim. Então vamos tentar, de novo, dar sequência a este blog. Vamos ver até quando eu vou ter disciplina…

O assunto do momento, como não poderia deixar de ser, são os lançamentos dos carros de 2016. Com exceção da Sauber (que só vai mostrar o C35 em março), todo mundo já mostrou os carros novos. Mesmo que já tenham tido atividades em pista, e a Ferrari tenha andado na ponta com Sebastian Vettel, ainda é muito cedo para se falar alguma coisa. Além disso, eu acredito que testes de pré temporada não servem para grandes coisas. As equipes grandes escondem o jogo, costumam fazer simulação de corrida, e as pequenas aproveitam para andar o mais rápido possível, tentando conseguir algum patrocinador de última hora. A menos que aconteçam problemas homéricos, como aconteceram com a McLaren em 2015, ninguém consegue prever muita coisa com base nesses testes.

Então vamos falar das pinturas dos carros.

Mercedes – Elegante, sóbria, discreta, a pintura do W07 segue no padrão que o time germânico vem mantendo desde sempre. Poucas mudanças, com um pouco mais de detalhes em preto e verde, mas sempre mantendo o prata, cor oficial da Mercedes em competições, na maior parte da carenagem. Ninguém esperaria mais do que isso, no fim das contas, mas fica aquele ar de mesmice.

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Ferrari – A máfia de Maranello vem com mais detalhes em branco, homenageando o clássico 312T, de 1976. Não gostei muito, sempre preferi o esquema de cores que eles usaram de meados dos anos 80 ao início dos anos 90 (carro vermelho, asas pretas e rodas douradas). Mas está longe de ser o pior layout do ano.

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Williams – Manteve o patrocínio da Martini, manteve a pintura de 2015, manteve a beleza. Disparada a pintura mais bonita do grid.

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Red Bull – Gostei muito do esquema de cores foscas, o contraste do azul bem escuro com um vermelho bem chamativo. Dá uma certa luminosidade na pintura (não sei explicar direito). O time dos energéticos conseguiu dar uma reinterpretação muito bacana ao seu já clássico layout (Aí Mercedes, dá pra manter a tradição sem ficar na mesmice…)

Benedict Redgrove / Red Bull Content Pool // P-20160222-00041 // Usage for editorial use only // Please go to www.redbullcontentpool.com for further information. //

McLaren – Ao que parece não é a pintura definitiva. De qualquer forma, ficou feio demais e, mais uma vez, frustrou os saudosistas que esperavam o laranja, cor oficial do time, ou a combinação de vermelho e branco, que não faria nenhum sentido, de qualquer forma, já que o layout era usado por conta do patrocínio da Philip Morris e não por causa da Honda.

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Renault – Veio com uma pintura provisória, quase toda preta, sem graça nenhuma. Eu, particularmente, gostaria de ver um layout que remetesse ao RE60, de 1985 (eu também tenho o direito de ser saudosista, né…), que foi o mais bonito da equipe, na minha opinião. Mas deve vir em preto e amarelo, como foi em 2010.

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Force India – Aparentemente nada mudou, me parece ser exatamente aquela mesma pintura meia-boca do ano passado.

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Toro Rosso – Veio com uma pintura provisória, toda em azul marinho, prometendo grandes novidades para quando o layout definitivo for lançado. Aguardemos, pois.

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Sauber – Ainda usando o C34, de 2015, a equipe suíça mostrou uma pintura com poucas diferenças, com jeitão de agência do Banco Brasil, e cara de carro de categoria de base. Feio.

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Haas – Todo mundo esperava um festival de patriotismo ianque no carro da Haas, mas o que se viu foi quase uma cópia da pintura dos carros da Manor até 2015. Não que seja feio, mas tem aquela cara típica de carro de equipe nanica.

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Manor – Se a Haas copiou o estilo deles, a Manor veio com um layout que lembra um pouco os Toleman de 1982/1983, com toques de pinturas típicas da Indy. Nem feio nem bonito, só sem graça mesmo.

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E vocês, o que acharam? Deixem seus comentários e digam qual carro vocês mais gostaram.

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SF1T Rádio (3)

E está no ar a nova edição do SF1T Rádio. A gente gravou na sexta feira anterior ao carnaval, mas devido a alguns probleminhas (eu esqueci de ir na rádio buscar o áudio), só hoje que deu para postar aqui. Dessa vez a gente falou sobre os testes que estavam em curso no Bahrein, apostas para a temporada, e o nosso amigo Luiz Martins foi lá para falar do clássico As 24 Horas de Le Mans, com Steve McQueen, além de umas escapadas na pauta, as maluquices do Fox e até um interlúdio sobre palavras cruzadas.

Ouçam aí!

PS: O programa deve ficar uns tempos sem ser gravado, porque o Marcelo terá o horário dele na Rádio Atividade AM alterado, então, deve demorar um pouquinho até a próxima edição.

SF1T Rádio

Então meus caros amigos e leitores, dando mais uma movimentada aqui nesse botequim.

Nessa quarta-feira (05/02/14), meu amigo Marcelo Bittencourt, sennista de carteirinha das antigas (hehehehe), me convidou para falar sobre Fórmula 1 no seu programa na Rádio Atividade AM, aqui de Muriaé.

Nós abordamos as mudanças do regulamento, a situação do Felipe Massa e, claro, uma pequena conversa sobre Ayrton Senna e Nelson Piquet, para atrair o pessoal menos chegado. A ideia é fazer aparições semanais e falar sobre a temporada em curso, e contar algumas histórias. Vamos ver se vai dar certo.

Ouçam aí!!

PS: Não sei porque eu cismei com Barcelona, quando falei dos testes. Devia estar nervoso. Relevem aí…
PS 2: Perdoem a minha péssima dicção, prometo que vou melhorar isso…

Sobre a Pré Temporada

Nesse post eu vou me meter a fazer uma coisa que raramente eu tento, analisar uma situação.

Muito tem se falado dos testes de pré temporada, do acidente de Robert Kubica e suas conseqüências, da situação política no Bahrein e na própria Fórmula 1. Dessa forma eu vou tentar dar meu ponto de vista sobre isso, tentando não parecer um boçal falando do que não sabe…

Sobre a pré-temporada, à primeira vista o que se pode pensar é que o ano será dominado por Red Bull e Ferrari, com a McLaren sendo o grande fiasco, já que o novo MP4-26, apesar de toda a ousadia na sua concepção, se mostrou problemático, podendo, por isso, ser até 2 segundos (!) mais lento que o RB7 e o 150º Italia (ou qualquer nome que essa joça tenha), como deixou escapar Lewis Hamilton alguns dias atrás (depois desmentiu, mas aí já era tarde).

Vettel e Webber na apresentação do RB7

Felipe Massa testando o 150º Italia em Jerez

Hamilton e Button, apresentação do MP4/26

Lançamento do Mercedes-Benz W02

Existia uma grande expectativa, também, por evolução na Mercedes-Benz, mas, apesar de algumas diferenças marcantes em relação ao W01, o W02 me pareceu ser um carro bastante conservador, e o desempenho não foi lá muito empolgante.

Além da McLaren, Renault (para esse blog só existe uma Lotus, o Team Lotus do Fernandez) e Williams vieram com novidades. A Renault vem com um interessante sistema de escapamento frontal, que joga os gases para a parte imediatamente à frente dos sidepods, fazendo que passem por baixo destes na tentativa de conseguir recuperar o downforce perdido com a proibição do difusor duplo. Parece que deu certo. Mas com o acidente de Kubica, as esperanças de resultados mais consistentes diminuíram bastante.

Lançamento do Renault R31, ainda antes do acidente de Robert Kubica

No caso da Williams, a solução para o mesmo problema foi a redução da sessão traseira do FW33, com uma caixa de câmbio bem compacta e a mudança da angulação do eixo traseiro, que se prende diretamente à asa. Essa, por sua vez, é bem diferente da usada no FW32. Também parece ter dado certo, mas o grande problema do time de Grove é o Kers, que ainda não funcionou como deveria.

FW33 com a pintura que remete aos tempos da Rothmans

A Toro Rosso veio com um chassis duplo, o mesmo conceito que a Ferrari usou em 1992; conseguiu até andar razoavelmente bem, mas não me convenceu.

Lançamento do Toro Rosso STR6

A Force India veio com um carro bem conservador, e a grande novidade na equipe é a contratação de Paul Di Resta.

O conservador VJM04

A Sauber vem com um bocado mais de dinheiro essa ano, já que com a contratação de Sérgio Perez, veio também o patrocínio da Telmex através da Claro, mas em termos de carro, o que se viu foi um projeto conservador.

Lançamento do Sauber C30

A Lotus evoluiu bem (pelo menos teoricamente), já que para esse ano conta com os motores Renault e o câmbio da Red Bull, o que pode garantir um salto de qualidade para a equipe malaia.

Kovalainen testando o Lotus T128

Mesmo sendo comprada pela montadora de superesportivos russa Marussia, a Virgin mostra basicamente o mesmo pacote da ano passado, um carro que não é nem um pouco confiável e novamente feito sem túnel de vento. A novidade é a contração do duvidoso Jérôme D’Ambrosio.

Apresentação do Virgin MVR02

E a Hispania parece que vai continuar sendo a piada do grid. O carro ficou pronto somente para o último teste, mas não foi à pista. Segundo a equipe, por que os novos amortecedores ficaram retidos na alfândega, mas há rumores que foi a Cosworth quem não deixou os carros andarem, por falta de pagamento. Vamos ver até quando dura a aventura de José Ramón Carabante…

Hispania F111

Mas as grandes estrelas da pré temporada foram os pneus, a asa móvel e o Kers.

Desenvolvidos para ter um desgaste acentuado, os pneus Pirelli tem causado polêmica. Alguns gostaram porque o fato de ter mais paradas poderia movimentar as corridas; outros acharam que isso é uma manobra artificial. Eu fico no segundo grupo.

E falando em artificialidades, nada é mais artificial do a tal da asa móvel. Principalmente pelas regras do seu uso, sendo permito somente em um ponto determinado da pista, e da distância entre os carros, além de colocar mais um botão no já lotado volante dos carros.

Esse ponto também é citado em relação ao Kers, os pilotos acham que esse excesso de botões pode os colocar em risco. Eu concordo.

Extra-pista, tivemos os problemas em relação ao GP do Bahrein, que foi cancelado por conta das revoltas contra o governo autocrático da família Al Khalifa, a exemplo do que se viu também na Tunísia e no Egito. Levar a Fórmula 1 lá, nessa conjuntura, seria um erro que poderia ter desdobramentos catastróficos, e foi uma decisão acertada, muito embora se tenha relutado muito para tomá-la. A FIA e a FOM não podem fechar os olhos para o que acontece no mundo. Mesmo a Fórmula 1 sendo um esporte de elite, tem que se ter consciência de que o acontece em volta, afeta a categoria de uma forma e de outra, mesmo que apenas a imagem da categoria seja afetada. Bernie Ecclestone ainda quer remarcar a prova, o que é consenso, seria uma loucura, por não haver espaço no calendário. Vamos ver o que vai dar isso…

A revolta no Bahrein obrigou o adiamento do início da temporada (note que o uso das redes sociais também é massivo nesse caso)

Bem, o que eu posso dizer, é que, no fim das contas, os resultados da pré temporada são inconclusivos, o que resta é esperar o GP da Austrália nesse fim de semana e ver o que acontece.