Explicando

Postagem relâmpago, urgente e de última hora, da madrugada (hehehe). O já lendário vídeo da Red Bull explicando as mudanças no regulamento técnico da Fórmula 1 ganhou uma versão legendada em português. Portanto, para quem viu e não entendeu bulhufas do que o sorridente Daniel Ricciardo estava falando, fique à vontade!
Assistam aí!

Tetra!

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Há algumas semanas, eu fiz a seguinte pergunta: “Quem será capaz de parar Sebastian Vettel?”. Na altura, minha resposta foi: “Parece que ninguém”. Bom, no último domingo, aconteceu a confirmação. Mesmo com todos os esforços de Fernando Alonso e da Ferrari, o garoto da Red Bull chegou ao seu quarto título mundial. E de forma consecutiva.

Com isso, o alemãozinho se torna o mais jovem piloto a conquistar o tetracampeonato na Fórmula 1, e de quebra, consolida uma nova era de dominação, semelhante à de Schumacher. Semelhante, não igual…

Mas por que não igual? A meu ver, são vários os fatores. Logicamente existe uma certa ligação entre eles, e não é só o fato de ambos serem alemães. Vettel é um produto da “Era Schumacher”. Quando o seu compatriota mais velho dominava o Mundial, o menino Seb estava assombrando o pessoal da Fórmula BMW, vencendo 18 de 20 corridas, e deixando muito claro que sua grande inspiração era o velho Dick Vigarista. Ambos estrearam muito jovens na Fórmula 1: Schumacher aos 22 anos (bem jovem para os padrões da época) e Vettel aos 19. Ambos conseguiram bons resultados em suas primeiras corridas: Schumacher fez o sétimo tempo no grid com a estreante Jordan, na Bélgica em 1991, e Vettel terminou em oitavo lugar na sua estreia, no GP do EUA de 2007, pela BMW. Além disso, ambos foram responsáveis por pegar times em baixa (no caso de Schumacher quando foi para a Ferrari, a equipe estava em uma de suas piores fases, e Vettel entrou na Red Bull, quando essa ainda era uma equipe que nunca havia vencido) e as transformarem em máquinas de vitórias e títulos.

Mas se Michael fez uma única corrida pela Jordan e foi logo para uma equipe grande, a Benetton (na época a terceira força da Fórmula 1, atrás apenas de Williams e McLaren), Sebastian ainda ficaria um tempinho em uma equipe pequena, a Toro Rosso. Isso fazia parte de suas atribuições como piloto do programa de desenvolvimento da Red Bull. O que ninguém esperava era que ele conseguiria um feito realmente notável: Vencer um Grande Prêmio com aquele carro. Foi na Itália, no sagrado templo de Monza, iniciando debaixo de uma chuva torrencial, e depois com a pista secando, que o moleque de 21 anos se tornou o mais jovem vencedor da história da categoria máxima.

Desde 2009 na Red Bull, Sebastian foi responsável direto, junto com Adrian Newey, pela transformação de uma equipe pequena, na maior potência do esporte a motor atual. Já no primeiro ano na equipe principal da turma dos energéticos, ele foi vice-campeão mundial. Em 2010 vem o primeiro título, em cima de ninguém menos que Fernando Alonso e a Ferrari. Em 2011 o bi, numa temporada de domínio absoluto por parte de Vettel e da Red Bull, com 15 poles e 11 vitórias. Em 2012, o tri, numa temporada que começou bastante disputada, mas que no final foi polarizada, mais uma vez, entre Vettel e Alonso. Agora com o tetra, o alemão consolida de vez seu nome na História.

Para 2014 muda tudo. Novos motores, possivelmente novos pneus, mudanças na aerodinâmica. Muita gente acredita que Vettel pode sofrer bastante para continuar andando na frente. O principal argumento dos críticos é que Seb só vence por ter à sua disposição as máquinas imbatíveis de Adrian Newey, e que com todas as mudanças, pode ser que o carro da Red Bull deixe de ser tão dominante. Bom, eu não concordo. É óbvio que é difícil ser campeão sem ter o melhor carro. Raramente isso aconteceu. Mas o fato é que o melhor carro acaba sempre “achando” o melhor piloto. Outro argumento diz que Vettel não tem concorrentes à altura. Ora, se Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Kimi Räikkönen e Jenson Button não são concorrentes à altura, quem seria?

O fato é que Sebastian Vettel conquistou muita coisa, e tudo isso na base do seu talento, inteligência e vontade. Contestado ele sempre vai ser. Mas para mim, o menino de 26 anos tetracampeão do mundo, já escreveu seu nome entre os maiores do esporte em todos os tempos.

Sobre o Multi 21

Eu sei que a temporada de 2013 já começou, já tivemos duas corridas, esse fim de semana já vai acontecer a terceira, e eu não disse absolutamente nada… Não que eu não quisesse, na verdade eu não sei se eu realmente tenho talento para fazer análises, ou coisas do tipo, além do que, eu acho que ficar resenhando corridas, por aqui seria um tanto quanto redundante, já que existem vários blogs e sites que fazem isso (e muito melhor do que eu, diga-se).

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Mas a polêmica da ordem de equipe da Red Bull, na Malásia, continua por aí e, vendo as recentes declarações de Sebastian Vettel, eu resolvi dar minha opinião.
Segue a íntegra do que disse o atual campeão (retirei as declarações do blog A Mil Por Hora, do Rodrigo Mattar, que as retirou do Grande Prêmio):

“Tendo entendido a mensagem e tendo pensado sobre isso, refletido sobre isso, pensei no que o time queria que eu fizesse, deixasse Mark vencer e ficar no segundo lugar… Acho que teria pensado sobre isso e, provavelmente, feito a mesma coisa”, explicou. “Ele não merece isso. Há um conflito, pois, por um lado, eu sou o tipo de cara que respeita as decisões do time e, por outro, provavelmente Mark não fosse o tipo de cara que merecia isso no momento”, avaliou. “Eu nunca tive apoio do lado dele. Tenho muito apoio do time e o time nos apoia da mesma maneira”,

Ordens de equipe, por si só, são extremamente polêmicas. Mesmo quando a equipe tem uma definição clara de quem é o primeiro, e de quem é o segundo piloto. No caso da Red Bull, mesmo que eles não definam oficialmente, é bastante óbvio que Vettel é o primeiro piloto – todo mundo sabe disso.
Sinceramente, eu não vejo tanto motivo para essa celeuma toda. Webber vem constantemente desrespeitando a “hierarquia” dentro da Red Bull, deixando de ajudar e, em certas ocasiões, até tentando atrapalhar a vida de Vettel. O australiano já declarou, várias vezes, que se acha injustiçado dentro da equipe, pelos “privilégios” dados ao alemão, diz que não existia essa coisa de primeiro e segundo, etc. Mas raciocinemos: A Red Bull investiu uma grana pesadíssima no desenvolvimento de Vettel desde as categorias de base, moldou o piloto para liderar o time, enquanto investia na estruturação do mesmo. Mark Webber sempre, e eu repito: SEMPRE, foi tido como um coadjuvante dentro da equipe. Só ele mesmo é quem não enxergava dessa forma. Ok, ele teve sua chance em 2010, e a desperdiçou. Mas 2010 foi uma temporada um tanto quanto atípica. Eu confesso que torci para o australiano, naquela temporada, tenho a tendência de me solidarizar com tipos como ele: esforçados, mas relegados ao segundo plano, por não serem os melhores no fazem. Eu sou assim, então sei como é… Mas, como eu disse, ele desperdiçou a chance. E por sua própria culpa. Não adianta, agora que o companheiro chegou a três títulos consecutivos, querer reclamar. Tudo bem, a ordem foi dada, e deveria ter sido cumprida. Mas pilotos como Vettel não se submetem a isso. É uma coisa que todos os grande têm: Senna, Piquet, Prost, Schumacher. E Vettel é um deles. É um campeão nato, um gênio. E gênios não aceitam que nada se oponha a seus objetivos.
Quanto a Mark Webber: Já deu, é hora de sair da Fórmula 1. A Porsche está em conversações com ele, para se juntar ao time na volta às corridas de longa duração. Talvez seja melhor para ele. Quem sabe ele não se dá bem, e consiga, finalmente, provar que tem condições de vencer um título.

Só um aparte: Acabei de ler, no Grande Prêmio, que Alonso disse que acataria a ordem se estivesse no lugar de Vettel. Pronto: Já temos a piada do ano…

Tri

Fantástica! Essa é a palavra correta pra descrever o GP do Brasil de 2012. Sebastian Vettel teve tudo pra perder o campeonato na primeira volta, quando foi abalroado por Bruno Senna, mas fez mais uma de suas corridas impecáveis e, com um sexto lugar, mesmo com Alonso em segundo, se sagrou o mais jovem tricampeão do mundo, aos 25 anos (a marca anterior era do grande Ayrton Senna, tricampeão aos 31 anos, em 1991).
Título mais do que merecido. O alemão provou que é um dos grandes, que tem cabeça pra comandar um time, e que sabe suportar a pressão, e do outro lado tinha ninguém menos que Fernando Alonso, macaco velho, mestre em usar as fraquezas do adversário a seu favor.
Mas foi nesse ponto que a estratégia do espanhol falhou. Não que Vettel seja infalível, que não tenha fraquezas. Mas o novo tricampeão não se deixa abalar pelas adversidades, consegue manter a cabeça fria, consegue manter os pensamentos no lugar. Sabe como escapar das artimanhas desse mundo extremamente competitivo que é a Fórmula 1.

Por outro lado, Alonso também mostrou o quão grande piloto é. Com um carro claramente inferior, conseguiu se manter vivo até a última etapa, aglutinou a equipe de uma forma poucas vezes vista, e não se entregou nem no último minuto.

A temporada de 2012 chega ao fim, e vai deixar muitas saudades. Mas teve um final digno da sua grandiosidade, com 8 vencedores diferentes, disputada até o fim. E o palco da decisão… Bem, não poderia ter sido melhor! Interlagos é um legitimo representante do que é um autódromo de verdade, uma lenda, uma joia! Tinha que ser lá, pra coroar a melhor temporada de Fórmula 1 dos últimos 20 anos.

E que em 2013 a coisa melhore ainda mais!

Curtas

Depois do GP da Hungria, a Fórmula 1 dá uma parada e só volta no último fim de semana de Agosto em Spa-Francorchamps. Mas nos bastidores, o movimento continua, então vamos dar uma olhada no que eles andam fazendo e dizendo por aí.

  • A Renault revelou o problema que causou o incêndio no carro de Nick Heidfeld: Um superaquecimento provocado pela mudança do mapeamento do motor. Segundo entrevista do diretor técnico da equipe, James Allison, à revista Autosport, o mapeamento usado no motor teria produzido uma exaustão mais quente que o normal, causando uma rachadura no escapamento, essa rachadura teria aumentado ao longo da corrida e causado o superaquecimento, que culminou com o incêndio no carro do piloto alemão. O chassi usado em Hungaroring será descartado pela equipe.

Superaquecimento no motor teria causado incêndio no carro de Heidfeld na Hungria

  • O atual calendário, com 20 provas, vem sendo considerado um tanto exagerado pelas equipes, mas tem gente que pensa diferente. Segundo o chefe da Williams, Adam Parr, o aumento do número de corridas poderia ajudar a melhorar a situação financeira das equipes, gerando mais receita para elas. Parr também comentou o fato de que a BBC não transmitirá mais a temporada completa a partir do ano que vem, sendo que parte das corridas será transmita por pay-per-view pelo canal Sky Sports. Segundo o dirigente, a Fórmula 1 é um espetáculo muito caro, e se a BBC não tem condições de bancar a temporada, é inevitável que alguém que tenha como pagar assuma o controle, mesmo que repasse os custos ao público.
  • Ainda sobre a Williams, o site da emissora norte-americana Speed Channel afirma que Rubens Barrichello pode ser substituído por seu antigo companheiro Nico Hülkenberg ou por Adrian Sutil em 2012. Já na Red Bull, Helmut Marko disse que Webber fica para 2012, mas que para 2013, provavelmente, seria substituído pelo seu compatriota Daniel Ricciardo, atualmente na Hispania.

Um desses dois pode ocupar a vaga de Barrichello em 2012

  • A Pirelli divulgou quais compostos serão utilizados nas próximas três etapas do Mundial. Médios e macios em Spa-Francorchamps e Monza, e macios e supermacios em Cingapura.
  • A Fórmula 1 pode ter uma prova de rua em Nova York a partir de 2013. O GP seria disputado às margens do rio Hudson, próximo à famosa ilha de Manhattan, o coração da cidade. Esse é um desejo antigo de Bernie Ecclestone, e pode estar bem próximo de se concretizar, já que o próprio prefeito da metrópole, Felix Roque, se mostrou favorável ao projeto.

Projeção do possível traçado da pista de rua de Nova York

Sobre a Pré Temporada

Nesse post eu vou me meter a fazer uma coisa que raramente eu tento, analisar uma situação.

Muito tem se falado dos testes de pré temporada, do acidente de Robert Kubica e suas conseqüências, da situação política no Bahrein e na própria Fórmula 1. Dessa forma eu vou tentar dar meu ponto de vista sobre isso, tentando não parecer um boçal falando do que não sabe…

Sobre a pré-temporada, à primeira vista o que se pode pensar é que o ano será dominado por Red Bull e Ferrari, com a McLaren sendo o grande fiasco, já que o novo MP4-26, apesar de toda a ousadia na sua concepção, se mostrou problemático, podendo, por isso, ser até 2 segundos (!) mais lento que o RB7 e o 150º Italia (ou qualquer nome que essa joça tenha), como deixou escapar Lewis Hamilton alguns dias atrás (depois desmentiu, mas aí já era tarde).

Vettel e Webber na apresentação do RB7

Felipe Massa testando o 150º Italia em Jerez

Hamilton e Button, apresentação do MP4/26

Lançamento do Mercedes-Benz W02

Existia uma grande expectativa, também, por evolução na Mercedes-Benz, mas, apesar de algumas diferenças marcantes em relação ao W01, o W02 me pareceu ser um carro bastante conservador, e o desempenho não foi lá muito empolgante.

Além da McLaren, Renault (para esse blog só existe uma Lotus, o Team Lotus do Fernandez) e Williams vieram com novidades. A Renault vem com um interessante sistema de escapamento frontal, que joga os gases para a parte imediatamente à frente dos sidepods, fazendo que passem por baixo destes na tentativa de conseguir recuperar o downforce perdido com a proibição do difusor duplo. Parece que deu certo. Mas com o acidente de Kubica, as esperanças de resultados mais consistentes diminuíram bastante.

Lançamento do Renault R31, ainda antes do acidente de Robert Kubica

No caso da Williams, a solução para o mesmo problema foi a redução da sessão traseira do FW33, com uma caixa de câmbio bem compacta e a mudança da angulação do eixo traseiro, que se prende diretamente à asa. Essa, por sua vez, é bem diferente da usada no FW32. Também parece ter dado certo, mas o grande problema do time de Grove é o Kers, que ainda não funcionou como deveria.

FW33 com a pintura que remete aos tempos da Rothmans

A Toro Rosso veio com um chassis duplo, o mesmo conceito que a Ferrari usou em 1992; conseguiu até andar razoavelmente bem, mas não me convenceu.

Lançamento do Toro Rosso STR6

A Force India veio com um carro bem conservador, e a grande novidade na equipe é a contratação de Paul Di Resta.

O conservador VJM04

A Sauber vem com um bocado mais de dinheiro essa ano, já que com a contratação de Sérgio Perez, veio também o patrocínio da Telmex através da Claro, mas em termos de carro, o que se viu foi um projeto conservador.

Lançamento do Sauber C30

A Lotus evoluiu bem (pelo menos teoricamente), já que para esse ano conta com os motores Renault e o câmbio da Red Bull, o que pode garantir um salto de qualidade para a equipe malaia.

Kovalainen testando o Lotus T128

Mesmo sendo comprada pela montadora de superesportivos russa Marussia, a Virgin mostra basicamente o mesmo pacote da ano passado, um carro que não é nem um pouco confiável e novamente feito sem túnel de vento. A novidade é a contração do duvidoso Jérôme D’Ambrosio.

Apresentação do Virgin MVR02

E a Hispania parece que vai continuar sendo a piada do grid. O carro ficou pronto somente para o último teste, mas não foi à pista. Segundo a equipe, por que os novos amortecedores ficaram retidos na alfândega, mas há rumores que foi a Cosworth quem não deixou os carros andarem, por falta de pagamento. Vamos ver até quando dura a aventura de José Ramón Carabante…

Hispania F111

Mas as grandes estrelas da pré temporada foram os pneus, a asa móvel e o Kers.

Desenvolvidos para ter um desgaste acentuado, os pneus Pirelli tem causado polêmica. Alguns gostaram porque o fato de ter mais paradas poderia movimentar as corridas; outros acharam que isso é uma manobra artificial. Eu fico no segundo grupo.

E falando em artificialidades, nada é mais artificial do a tal da asa móvel. Principalmente pelas regras do seu uso, sendo permito somente em um ponto determinado da pista, e da distância entre os carros, além de colocar mais um botão no já lotado volante dos carros.

Esse ponto também é citado em relação ao Kers, os pilotos acham que esse excesso de botões pode os colocar em risco. Eu concordo.

Extra-pista, tivemos os problemas em relação ao GP do Bahrein, que foi cancelado por conta das revoltas contra o governo autocrático da família Al Khalifa, a exemplo do que se viu também na Tunísia e no Egito. Levar a Fórmula 1 lá, nessa conjuntura, seria um erro que poderia ter desdobramentos catastróficos, e foi uma decisão acertada, muito embora se tenha relutado muito para tomá-la. A FIA e a FOM não podem fechar os olhos para o que acontece no mundo. Mesmo a Fórmula 1 sendo um esporte de elite, tem que se ter consciência de que o acontece em volta, afeta a categoria de uma forma e de outra, mesmo que apenas a imagem da categoria seja afetada. Bernie Ecclestone ainda quer remarcar a prova, o que é consenso, seria uma loucura, por não haver espaço no calendário. Vamos ver o que vai dar isso…

A revolta no Bahrein obrigou o adiamento do início da temporada (note que o uso das redes sociais também é massivo nesse caso)

Bem, o que eu posso dizer, é que, no fim das contas, os resultados da pré temporada são inconclusivos, o que resta é esperar o GP da Austrália nesse fim de semana e ver o que acontece.