Tetra!

congrats_vett_630

Há algumas semanas, eu fiz a seguinte pergunta: “Quem será capaz de parar Sebastian Vettel?”. Na altura, minha resposta foi: “Parece que ninguém”. Bom, no último domingo, aconteceu a confirmação. Mesmo com todos os esforços de Fernando Alonso e da Ferrari, o garoto da Red Bull chegou ao seu quarto título mundial. E de forma consecutiva.

Com isso, o alemãozinho se torna o mais jovem piloto a conquistar o tetracampeonato na Fórmula 1, e de quebra, consolida uma nova era de dominação, semelhante à de Schumacher. Semelhante, não igual…

Mas por que não igual? A meu ver, são vários os fatores. Logicamente existe uma certa ligação entre eles, e não é só o fato de ambos serem alemães. Vettel é um produto da “Era Schumacher”. Quando o seu compatriota mais velho dominava o Mundial, o menino Seb estava assombrando o pessoal da Fórmula BMW, vencendo 18 de 20 corridas, e deixando muito claro que sua grande inspiração era o velho Dick Vigarista. Ambos estrearam muito jovens na Fórmula 1: Schumacher aos 22 anos (bem jovem para os padrões da época) e Vettel aos 19. Ambos conseguiram bons resultados em suas primeiras corridas: Schumacher fez o sétimo tempo no grid com a estreante Jordan, na Bélgica em 1991, e Vettel terminou em oitavo lugar na sua estreia, no GP do EUA de 2007, pela BMW. Além disso, ambos foram responsáveis por pegar times em baixa (no caso de Schumacher quando foi para a Ferrari, a equipe estava em uma de suas piores fases, e Vettel entrou na Red Bull, quando essa ainda era uma equipe que nunca havia vencido) e as transformarem em máquinas de vitórias e títulos.

Mas se Michael fez uma única corrida pela Jordan e foi logo para uma equipe grande, a Benetton (na época a terceira força da Fórmula 1, atrás apenas de Williams e McLaren), Sebastian ainda ficaria um tempinho em uma equipe pequena, a Toro Rosso. Isso fazia parte de suas atribuições como piloto do programa de desenvolvimento da Red Bull. O que ninguém esperava era que ele conseguiria um feito realmente notável: Vencer um Grande Prêmio com aquele carro. Foi na Itália, no sagrado templo de Monza, iniciando debaixo de uma chuva torrencial, e depois com a pista secando, que o moleque de 21 anos se tornou o mais jovem vencedor da história da categoria máxima.

Desde 2009 na Red Bull, Sebastian foi responsável direto, junto com Adrian Newey, pela transformação de uma equipe pequena, na maior potência do esporte a motor atual. Já no primeiro ano na equipe principal da turma dos energéticos, ele foi vice-campeão mundial. Em 2010 vem o primeiro título, em cima de ninguém menos que Fernando Alonso e a Ferrari. Em 2011 o bi, numa temporada de domínio absoluto por parte de Vettel e da Red Bull, com 15 poles e 11 vitórias. Em 2012, o tri, numa temporada que começou bastante disputada, mas que no final foi polarizada, mais uma vez, entre Vettel e Alonso. Agora com o tetra, o alemão consolida de vez seu nome na História.

Para 2014 muda tudo. Novos motores, possivelmente novos pneus, mudanças na aerodinâmica. Muita gente acredita que Vettel pode sofrer bastante para continuar andando na frente. O principal argumento dos críticos é que Seb só vence por ter à sua disposição as máquinas imbatíveis de Adrian Newey, e que com todas as mudanças, pode ser que o carro da Red Bull deixe de ser tão dominante. Bom, eu não concordo. É óbvio que é difícil ser campeão sem ter o melhor carro. Raramente isso aconteceu. Mas o fato é que o melhor carro acaba sempre “achando” o melhor piloto. Outro argumento diz que Vettel não tem concorrentes à altura. Ora, se Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Kimi Räikkönen e Jenson Button não são concorrentes à altura, quem seria?

O fato é que Sebastian Vettel conquistou muita coisa, e tudo isso na base do seu talento, inteligência e vontade. Contestado ele sempre vai ser. Mas para mim, o menino de 26 anos tetracampeão do mundo, já escreveu seu nome entre os maiores do esporte em todos os tempos.

Sobre o Multi 21

Eu sei que a temporada de 2013 já começou, já tivemos duas corridas, esse fim de semana já vai acontecer a terceira, e eu não disse absolutamente nada… Não que eu não quisesse, na verdade eu não sei se eu realmente tenho talento para fazer análises, ou coisas do tipo, além do que, eu acho que ficar resenhando corridas, por aqui seria um tanto quanto redundante, já que existem vários blogs e sites que fazem isso (e muito melhor do que eu, diga-se).

malaysia13_podium

Mas a polêmica da ordem de equipe da Red Bull, na Malásia, continua por aí e, vendo as recentes declarações de Sebastian Vettel, eu resolvi dar minha opinião.
Segue a íntegra do que disse o atual campeão (retirei as declarações do blog A Mil Por Hora, do Rodrigo Mattar, que as retirou do Grande Prêmio):

“Tendo entendido a mensagem e tendo pensado sobre isso, refletido sobre isso, pensei no que o time queria que eu fizesse, deixasse Mark vencer e ficar no segundo lugar… Acho que teria pensado sobre isso e, provavelmente, feito a mesma coisa”, explicou. “Ele não merece isso. Há um conflito, pois, por um lado, eu sou o tipo de cara que respeita as decisões do time e, por outro, provavelmente Mark não fosse o tipo de cara que merecia isso no momento”, avaliou. “Eu nunca tive apoio do lado dele. Tenho muito apoio do time e o time nos apoia da mesma maneira”,

Ordens de equipe, por si só, são extremamente polêmicas. Mesmo quando a equipe tem uma definição clara de quem é o primeiro, e de quem é o segundo piloto. No caso da Red Bull, mesmo que eles não definam oficialmente, é bastante óbvio que Vettel é o primeiro piloto – todo mundo sabe disso.
Sinceramente, eu não vejo tanto motivo para essa celeuma toda. Webber vem constantemente desrespeitando a “hierarquia” dentro da Red Bull, deixando de ajudar e, em certas ocasiões, até tentando atrapalhar a vida de Vettel. O australiano já declarou, várias vezes, que se acha injustiçado dentro da equipe, pelos “privilégios” dados ao alemão, diz que não existia essa coisa de primeiro e segundo, etc. Mas raciocinemos: A Red Bull investiu uma grana pesadíssima no desenvolvimento de Vettel desde as categorias de base, moldou o piloto para liderar o time, enquanto investia na estruturação do mesmo. Mark Webber sempre, e eu repito: SEMPRE, foi tido como um coadjuvante dentro da equipe. Só ele mesmo é quem não enxergava dessa forma. Ok, ele teve sua chance em 2010, e a desperdiçou. Mas 2010 foi uma temporada um tanto quanto atípica. Eu confesso que torci para o australiano, naquela temporada, tenho a tendência de me solidarizar com tipos como ele: esforçados, mas relegados ao segundo plano, por não serem os melhores no fazem. Eu sou assim, então sei como é… Mas, como eu disse, ele desperdiçou a chance. E por sua própria culpa. Não adianta, agora que o companheiro chegou a três títulos consecutivos, querer reclamar. Tudo bem, a ordem foi dada, e deveria ter sido cumprida. Mas pilotos como Vettel não se submetem a isso. É uma coisa que todos os grande têm: Senna, Piquet, Prost, Schumacher. E Vettel é um deles. É um campeão nato, um gênio. E gênios não aceitam que nada se oponha a seus objetivos.
Quanto a Mark Webber: Já deu, é hora de sair da Fórmula 1. A Porsche está em conversações com ele, para se juntar ao time na volta às corridas de longa duração. Talvez seja melhor para ele. Quem sabe ele não se dá bem, e consiga, finalmente, provar que tem condições de vencer um título.

Só um aparte: Acabei de ler, no Grande Prêmio, que Alonso disse que acataria a ordem se estivesse no lugar de Vettel. Pronto: Já temos a piada do ano…

Tri

Fantástica! Essa é a palavra correta pra descrever o GP do Brasil de 2012. Sebastian Vettel teve tudo pra perder o campeonato na primeira volta, quando foi abalroado por Bruno Senna, mas fez mais uma de suas corridas impecáveis e, com um sexto lugar, mesmo com Alonso em segundo, se sagrou o mais jovem tricampeão do mundo, aos 25 anos (a marca anterior era do grande Ayrton Senna, tricampeão aos 31 anos, em 1991).
Título mais do que merecido. O alemão provou que é um dos grandes, que tem cabeça pra comandar um time, e que sabe suportar a pressão, e do outro lado tinha ninguém menos que Fernando Alonso, macaco velho, mestre em usar as fraquezas do adversário a seu favor.
Mas foi nesse ponto que a estratégia do espanhol falhou. Não que Vettel seja infalível, que não tenha fraquezas. Mas o novo tricampeão não se deixa abalar pelas adversidades, consegue manter a cabeça fria, consegue manter os pensamentos no lugar. Sabe como escapar das artimanhas desse mundo extremamente competitivo que é a Fórmula 1.

Por outro lado, Alonso também mostrou o quão grande piloto é. Com um carro claramente inferior, conseguiu se manter vivo até a última etapa, aglutinou a equipe de uma forma poucas vezes vista, e não se entregou nem no último minuto.

A temporada de 2012 chega ao fim, e vai deixar muitas saudades. Mas teve um final digno da sua grandiosidade, com 8 vencedores diferentes, disputada até o fim. E o palco da decisão… Bem, não poderia ter sido melhor! Interlagos é um legitimo representante do que é um autódromo de verdade, uma lenda, uma joia! Tinha que ser lá, pra coroar a melhor temporada de Fórmula 1 dos últimos 20 anos.

E que em 2013 a coisa melhore ainda mais!